Olá, leitores! Estou de volta, depois de uma semana intensa em que participei do Laporde, um curso dedicado a repensar a macroeconomia e o desenvolvimento econômico.
As aulas foram oferecidas pela segunda vez na América Latina, entre os dias 11 e 15 de janeiro, na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Participaram economistas renomados, como Bresser-Pereira, Ha-Joon Chang, Nakano, Gabriel Palma, Kregel e Ocampo.
Fiz algumas anotações que pretendo compartilhar com vocês nos próximos dias, sem perder de vista o objetivo de tratar a Economia de forma acessível.
A maior parte dos participantes criticou a prática econômica prevalecente. Na palestra introdutória, Bresser referiu-se a “vinte anos desastrosos de economia neoclássica”, período de “uso abusivo da Matemática”, com base na crença de que só assim se faz ciência.
Bresser defendeu que a economia é uma ciência social e que, por isso, é preciso observar as tendências históricas e não simplesmente aplicar modelos.
“Conheço professores que não sabem nada de Macroeconomia, não têm nada a dizer sobre a economia brasileira, só sabem abrir e fechar modelos. Há um modelo certo para cada circunstância. Essa não é a nossa ciência”, afirmou o economista.
O secretário de política econômica, Nelson Barbosa, apresentou estudo que mostra como o Real valorizado prejudica o crescimento brasileiro. Veja aqui amanhã.


Bresser-Pereira repensando a economia? Ele está precisando mesmo. Segue uma pérola do homem: http://maovisivel.blogspot.com/2010/01/ultima-do-bresser-pereira-e-do-marcio.html
Não existe uso abusivo de matemática, existe uso incorreto. Assim como existe enorme ignorância em relação à mesma entre muitos economistas. Assim como na física, modelos não só podem como devem ser reavaliados e reajustados regularmente.
Luciana, imagino que tenha havido discussões sobre como as variações nas exportações e importações interferem na economia do país. Tenho conhecimento superficial sobre este assunto. Você poderia escrever um pouco pra gente sobre isso.
Parabéns pela participação no curso, sei que a seleção para a participação é bastante criteriosa.
Daniel
Daniel, no post de hoje tento explicar alguns dos efeitos das variações em importações e exportações causadas pelo câmbio. Voltarei a tratar do assunto, que está em alta, em próximos posts, certo? Abraço!
“…é preciso observar as tendências históricas e não simplesmente aplicar modelos.”
Essa eu não entendi. Se aplicar modelos é justamente observar as tendências histórias. Afinal, como ele acha q os modelos são feitos?
Gustavo, talvez ele fizesse referência a modelos como os feitos com base em tendências históricas de países desenvolvidos, por exemplo, e aplicados sem qualquer intermediação para países em desenvolvimento. Ele reforçou a necessidade de considerar o contexto histórico do país.
Que legal que você foi a esse curso! Realmente seria legal expor no blog a visão destes autores heteredoxos sobre a macroeconomia e o desenvolvimento econômico.
E se tiver algum artigo interessante, deixe como dica para seus leitores “acadêmicos”.
Abs
Fred
Fred, o curso é muito bom mesmo! Se encontrar mais alguma coisa interessante nas minhas anotações compartilho aqui, certo? Abraço!
então , um bom economista não é a pessoa que é bom em matemática , pois a matemática é apenas uma ferramenta para auxiliar o economista , o bom economista é aquele que tem uma desenvoltura para os fatos da economia , pois se fosse assim , seria mil vezes melhor usar 1 engenheiro qualquer para substituir o nosso trabalho de economista , ( que tem uma grande desenvoltura ao calculo ) …
ECONOMIA NÃO É UMA CIÊNCIA EXATA!
Com a utilziação de modelos matemáticos utilizados pelos ortodoxos nao se pretende e nem é o objetivo descrever e analisar toda a realidade. Conseguimos explicar apenas uma parte dela (o mundo é estocático). Críticas quanto a utilização de matemática em economia sem que se ofereça uma outra forma de tratar os problemas econômicos são sempre destrutivas e nada têm a acrescentar à evolução da economia. Pode ser que não seja o método ideal para se analisar problemas econômicos, mas pior seria se não tivessemos método algum.