Se você quer entender como uma brincadeira com números pode criar um império corporativo, assista ao documentário Enron: os mais espertos da sala. O filme, dirigido por Alex Gibney, revela os caminhos tortuosos da Enron, que passou de sétima maior empresa dos Estados Unidos a um dos maiores escândalos do universo empresarial, em 2002.
Para produzir a imagem da empresa, o segredo estava na contabilidade. Por meio de um esquema chamado marcação a mercado, as projeções de lucro eram incluídas nas receitas. Ou seja, um negócio fechado hoje, por mais incerto que fosse, já fazia efeito nos lucros da companhia.
E assim a empresa anunciava avanços no gás natural, na energia elétrica, nas telecomunicações, esquemas em geral fraudulentos. Resultado: as ações da companhia valorizavam-se de forma impressionante na bolsa. E o dinheiro escorregava, em altíssimas comissões ou por simples desvios, para os bolsos dos diretores.
A Enron tinha um lema: pergunte por quê. A ideia era exaltar o dom para inovação da companhia. Mas foi exatamente quando uma jornalista da Fortune resolveu questionar que o castelo de cartas desmoronou. A pergunta foi simples: com que a empresa ganha dinheiro? Os negócios estavam claramente falidos e a empresa firmava-se somente sobre a credibilidade.
Alguns esquemas explicados no documentário são complexos, mas a ideia geral pode ser entendida por um leigo em Economia. O documentário mostra como pessoas inteligentes podem se deixar levar por um esquema como este e revela os riscos da desregulamentação excessiva. Qualquer semelhança com a crise atual não é mera coincidência.
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