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Posts Tagged ‘flutuação suja’

charge dólarO Banco Central voltou a comprar dólares nesta terça-feira, reforçando suspeitas do mercado de que quer impedir que a moeda custe menos do que dois reais. A taxa de câmbio já está muito próxima disso: 2,068 reais. O BC retomou as polêmicas intervenções no mercado na semana passada, depois de sete meses afastado.

O BC tem usado diferentes instrumentos, no mercado futuro ou no à vista, para comprar dólares. A ação vai na direção contrária à da maior parte dos agentes, que têm vendido dólar. Ou seja, há um aumento da demanda por real, o que tende a valorizar a nossa moeda. Quando o governo aumenta a demanda por dólar faz pressão para que isso não aconteça, quer dizer, para que a taxa não mude ou para que o real desvalorize.

Os exportadores fazem torcida para que o real não se valorize mais. Isso diminui a competitividade dos produtos brasileiros no exterior (veja como). Nesta terça-feira, representantes do setor foram conversar com técnicos do Ministério da Fazenda sobre o assunto. Segundo o diretor de Comércio Exterior das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti, a valorização vai reforçar o prejuízo trazido pela queda de preços das commodities no mercado internacional.

O Banco Central, entretanto, nega que suas intervenções tenham o objetivo de alterar a taxa de câmbio, ou de atender a setores específicos. Muitos analistas, inclusive, consideram que ele não é capaz de fazer isso, apenas de reduzir a velocidade da valorização.

Para muitos economistas, entretanto, a atuação do BC esconde alguns objetivos. A professora do Instituto de Economia da Unicamp, Daniela Prates, em artigo apresentado no encontro de 2008 da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec), afirma que o regime cambial predominante nas economias emergentes, inclusive no Brasil, desde 1999 é o de “flutuação suja, com graus diferenciados de intervenção, nos quais a presença dos bancos centrais é a regra e não a exceção”.

A “flutuação suja”, em que o BC impede o câmbio de flutuar livremente, está associada, segundo o artigo, a estratégias defensivas contra as mudanças bruscas nos destinos dos capitais (que valorizam e desvalorizam a moeda local). O objetivo maior no período, entretanto, estaria relacionado à estabilidade de preços e não à defesa da competitividade das exportações.

E agora? Qual seria o real motivo do Banco Central para as seguidas intervenções? E qual será o resultado delas? Os palpites são muitos, mas ninguém tem uma resposta definitiva.

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