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Archive for abril \30\-03:00 2009

O Brasil deixa de ter, a partir desta quarta-feira, os maiores juros reais do mundo. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa de 11,25% para 10,25%. Conhecida como Selic, essa é a principal remuneração para quem compra títulos públicos, ou seja, empresta dinheiro ao governo federal.

Além de diminuir os gastos do governo com os juros da dívida, a redução tem efeitos sobre toda a economia. Um dos resultados principais é sobre as expectativas. Quando o governo diminui os juros, deixa claro que está comprometido com uma política expansionista, ou seja, com mais dinheiro em circulação. Isso é um estímulo necessário a setores como o comércio e a indústria que, em tempos de crise, contraem compras e investimentos, temerosos com os resultados das vendas.

Logo depois da reunião do Copom, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú-Unibanco, HSBC, Santander e Real já anunciaram reduções, ainda que tímidas, nos juros para empresas e consumidores. 

Diante dos efeitos da crise econômica no país, entretanto, industriais não ficaram satisfeitos com a queda da taxa. Achavam que havia espaço para um corte maior. Um dos resultados da redução nos juros é diminuir a atração de investidores para a renda fixa, que tem, em grande parte, a dívida pública como base, e para os próprios títulos. Esses recursos devem migrar, por exemplo, para as ações das empresas, que compensam o risco com maior retorno. A redução nos juros garante, assim, mais dinheiro para o investimento privado.

O principal argumento do Banco Central para cautela é o cuidado com a inflação. Com mais dinheiro nas mãos dos consumidores e sem aumento correspondente na produção, os preços subiriam. A explicação perde força, entretanto, em tempos de crise. Segundo o IBGE, o número de desempregados já ultrapassou 2 milhões, maior desde 2007. A redução no quadro é sinal de expectativa de diminuição nas vendas, que poderiam ser mantidas se houvesse mais dinheiro no mercado.

Em discurso na última terça-feira, o governador de São Paulo, José Serra, possível candidato à presidência em 2010, fez uma especulação diferente. Segundo ele, os juros são mantidos altos para que a moeda brasileira fique valorizada. Isso porque os juros reais elevados atraem investidores estrangeiros para os títulos do governo brasileiro. Com mais dólares no país, é como se a moeda ficasse mais barata para o Brasil, ou seja, o real fica valorizado.  O investimento com retorno alto e seguro foi chamado por Serra de “ciranda da felicidade”.    

De qualquer forma, perdemos a nem um pouco honrosa posição de líderes no ranking de juros reais. Agora estamos em terceiro lugar, atrás da China e da Hungria, o que não chega a ser uma posição para se comemorar. Para comparar os retornos possíveis, investidores do mundo todo analisam os juros reais, que resultam da taxa nominal (10,25% no Brasil) menos a expectativa de inflação naquele país. Isso porque quando o investidor for retirar seu dinheiro, no futuro, cada real terá menos valor do que na época da aplicação, já que vai comprar menos bens. 

No documento final da reunião desta quarta-feira, está escrito que a decisão foi sem viés. Isso significa que o comitê não deve fazer novas reduções antes do próximo encontro, marcado para 9 e 10 de junho.

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No último domingo, iniciamos uma enquete para conhecer as expectativas de você, leitor do blog, quanto à crise econômica. Tivemos, até esta quarta-feira, 92 respostas. É bom destacar que votos repetidos de um mesmo computador não são contabilizados. A expectativa é, em geral, pessimista, principalmente no que se refere ao curto prazo. Veja os resultados:

 

Você acha que a crise, no Brasil:

38% O pior já passou, mas a recuperação ainda vai demorar

35% Ainda não chegou ao seu pior nível

22% O pior já passou, agora começa a recuperação

3% Não afetou a economia e nem vai afetar

2% Não sei

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ChargeCerca de 60% das obras de esgoto do Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal, têm problemas para continuar. De um total de 96, cinco foram interrompidas, 28 estão atrasadas e 26 nem começaram. Os dados são do Instituto Trata Brasil, que reúne empresas e organizações não-governamentais do setor de saneamento.

Motivos burocráticos, políticos, ambientais e jurídicos travam o programa de investimentos lançado em janeiro de 2007 e agora tão exultado pelo governo como proteção contra a crise.

O Ministério da Justiça investiga a existência de um cartel que atua nas licitações para obras em portos e hidrovias em Santos (SP) e Rio Grande (RS). Em São Paulo, governo estadual e federal, de olho na cadeira de presidente da república, brigam pela autoria do programa de casas populares. Para a retomada das obras da usina nuclear de Angra 3, outra polêmica: a vitória da construtora Andrade Guiterrez, em licitação em 1983, ainda é válida?

Os cuidados jurídicos e ambientais são necessários, ainda mais quando se trata de grandes montantes de dinheiro público. Os maiores problemas estão na lentidão dos processos e na politização do programa.

Entre os objetivos da política fiscal do governo deve estar a função estabilizadora. Isso significa usar a política econômica visando a um alto nível de emprego, à estabilidade dos preços e à obtenção de uma taxa apropriada de crescimento econômico, segundo Fábio Giambiagi e Ana Cláudia Além, no livro Finanças Públicas.

John Maynard Keynes ficou conhecido pela defesa da participação ativa do Estado na economia, no famoso livro Teoria Geral do Juro, do Emprego e da Moeda. Na obra, ele explica o desemprego voluntário pelo nível de demanda. A ideia básica é que as empresas só vão contratar e investir se esperarem que seus produtos serão comprados. Em períodos de crise, essa expectativa fica fortemente abalada.

Diante da contração da demanda privada, os gastos públicos tornam-se essenciais para evitar que a economia entre em recessão. Os gastos correntes, com despesas administrativas, cresceram 3,2 bilhões de reais nos dois primeiros meses do ano. Eles também significam crescimento na demanda, mas há maior consenso em torno de investimentos, que trarão resultados importantes de longo prazo.

É evidente que é melhor que saiamos da crise com saneamento básico garantido do que com mais gastos com manutenção da máquina. Para isso, entretanto, é necessário um importante esforço no sentido de destravar os planos de investimento.

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Daniel KahnemanPara a teoria econômica tradicional, os homens são racionais e, por isso, jamais tomariam decisões que pudessem prejudicá-los. Com base nessa idéia e diante da crise atual, qualquer um deve se perguntar: mas como se pôde chegar a este nível de risco? Será que ninguém percebeu que o processo era potencialmente explosivo? Os produtos financeiros não tinham base estatística? O psicólogo Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia em 2002, juntamente com Amos Tversky, tem a resposta: as pessoas não são racionais.

Em artigo publicado no jornal israelense Haaretz, Kahneman responde a questões intrigantes. Para ele, uma história real diz muito a respeito dos modelos econômicos que estão na raiz da crise. É sobre um grupo de soldados suíços que se perdeu nos Alpes. Depois de muitos dias, um dos homens percebeu que tinha um mapa. A partir dele, os soldados encontraram uma cidade. Quando voltaram à base e um deles contou ao comandante como fizeram para retornar, ele pediu para ver o mapa e disse: “Você encontrou um mapa, tudo bem, mas ele não é dos Alpes, é dos Pireneus”.

A moral da história, segundo Kahneman, é que alguns de nossos modelos econômicos, talvez aqueles do mundo do investimento, não têm valor. Os investidores apenas apegaram-se a eles, como os soldados fizeram com o mapa, porque precisavam de alguma segurança para agir.

Segundo Kahneman e Tversky, os indivíduos não reúnem dados de forma sistemática ou estatística quando vão tomar decisões econômicas, mas usualmente baseiam-se em regras de bolso. Eles tendem a se apegar a uma certa informação, em geral alguma que encontram por acaso.

Para Kahneman, o momento mais importante da crise econômica foi quando o ex-presidente do Banco Central dos EUA, Alan Greenspan, admitiu que sua teoria do mundo estava errada. Ele esperava que as firmas protegessem seus interesses, porque seriam racionais. Assim, elas não deveriam tomar riscos que ameaçassem a sua própria existência.

É preciso distinguir, segundo o prêmio Nobel, entre as firmas e seus administradores. Eles têm perspectivas de curto prazo, enquanto o melhor para as empresas seria que olhassem para o longo prazo.

No último semestre, os modelos simplesmente não funcionaram, segundo Kahneman. Mas então por que as pessoas usariam modelos? Ele recorre a outra metáfora: um sistema que faz boas previsões do tempo, mas que não pode prever furacões, não será jogado fora.

A última pergunta do articulista, Guy Rolnik, é: por que os soldados não usaram o mapa dos Alpes? Por que não usamos os modelos econômicos corretos? A resposta: “é possível que simplesmente não exista mapa dos Alpes, que não haja algo que possa prever os terremotos”. Ou seja: pode ser que não haja teoria capaz de explicar todos os fenômenos econômicos e, principalmente, que torne possível prever uma crise.

Vale a pena ler o artigo completo, em inglês. Agradeço ao amigo Ari, que fez a indicação do texto.

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Dê a sua opinião

Diariamente os jornais trazem perspectivas diferentes para a situação do Brasil na crise mundial. Diante de todas essas informações e de como a sua vida tem sido afetada, compartilhe sua estimativa sobre a economia brasileira.

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Até Machado de Assis, um gênio da literatura brasileira, já se revoltou contra a forma complicada de falar dos economistas. Em uma de suas obras, ele revela a suspeita de que a economia e as finanças usem fases trocadas, que, se ordenadas, mostrarão várias verdades. Veja o trecho:


Machado de AssisHá sempre três ou quatro pessoas (principalmente agora) que tratam de cousas financeiras e econômicas, e das causas das cousas, com tal ardor e autoridade que me oprimem. É, então, que leio algum jornal, se o levo, ou rôo as unhas — vício indispensável; mas antes vicioso que ignorante. Quando não tenho jornal, nem unhas, atiro-me às tabuletas. Miro ostensivamente as tabuletas, como quem estuda o comércio e a indústria… Foi assim que, um dia, há anos, não me lembro em que loja, nem em que rua, achei uma tabuleta que dizia: Ao Planeta do Destino. Intencionalmente obscuro, este título era a nova edição da esfinge. Pensei nele, estudei-o, e não podia dar com o sentido, até que me lembrou virá-lo do avesso: Ao Destino do Planeta. Vi logo que, assim virado, tinha mais senso; porque, em suma, pode-se admitir um destino ao planeta em que pisamos. Talvez a ciência econômica e financeira seja isso mesmo, o avesso do que dizem os discutidores de bonds. Quantas verdades escondidas em frases trocadas! Quando fiz esta reflexão, exultei. Grande consolação é persuadir-se um homem de que os outros são asnos”.

(Machado de Assis. Obras completas, vol. III. Nova Aguilar: Rio de Janeiro, 1994, p.592.)

Então, da próxima vez que não compreender o que um economista disser, tente apenas inverter as frases. E fique tranquilo: lembre-se de que Machado de Assis também não entendia.

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Charge Amorim

No Brasil, os 10% mais ricos têm 43,6% da renda, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 0,89% dela. Os dados estão em artigo de Rodolfo Hoffmann, com base no rendimento domiciliar per capita da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2007.  Não há quem não fique assustado diante da desigualdade de renda no país. Ninguém quer, entretanto, que o remédio saia do seu bolso. Daí a revolta na hora de pagar o imposto de renda.

Os países mais desenvolvidos têm no imposto de renda importante fonte de arrecadação. No Brasil, ele ainda tem pouca participação no total. Têm maior peso os impostos sobre salários e sobre a produção e circulação, que se refletem nos preços dos bens e serviços.

O diferencial do imposto de renda é que ele é o único tributo no Brasil com características claramente progressivas. Isso significa que paga mais quem ganha mais. Um imposto pode ser considerado progressivo se, por exemplo, uma família que tem o dobro de renda da outra paga mais que o dobro de imposto. Essa é uma característica desejável para a tributação, ainda mais em país com tamanha desigualdade de renda. As pesquisas mostram que o imposto sobre consumo é regressivo, ou seja, pesa mais sobre quem tem renda mais baixa.

É preciso destacar que a progressividade não deve parar na arrecadação: “pouco adianta a tributação ser altamente progressiva mas a receita ser utilizada para subsidiar a produção de produtos de luxo, voltados para o consumo das classes de alta renda”, explicam Marcelo Piancastelli e Edson Nascimento, no livro Economia do Setor Público no Brasil. Segundo eles, o tributo só será de fato progressivo se a receita for usada para oferecer benefícios às classes de renda mais baixa.

No livro Finanças Públicas, Fabio Giambiagi e Ana Cláudia Além afirmam que o nível de tributação da renda no Brasil é baixo em comparação com padrões internacionais e consideram desejável que ele aumente. Definir as faixas de renda e os valores do imposto não é, entretanto, trivial. Os administradores públicos devem perseguir uma tributação ideal, que garanta equidade sem trazer prejuízos desnecessários à eficiência.

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A partir de primeiro de maio, o Brasil vai poder emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Inicialmente, o valor pode chegar a 4,5 bilhões de dólares. O presidente Lula alardeou o feito como “chique”, a oposição passou a usá-lo de forma negativa na campanha política e ficou a dúvida: de onde sairá, afinal, todo esse dinheiro?

O argumento principal da oposição é que esses recursos poderiam ser investidos no Brasil. É importante saber que a origem não é a arrecadação de impostos. Os bilhões vão sair das reservas internacionais. Com os saldos positivos na balança comercial, ou seja, mais exportações do que importações, e a entrada de capitais, os dólares acumulam-se no mercado interno. O governo compra parte dessa moeda estrangeira e paga em reais. Assim formam-se as reservas.

O dinheiro acumulado pelo Banco Central, 201 bilhões de dólares segundo a última divulgação, tem diferentes destinos. Parte é guardada na forma de moeda e o restante é investido. O dinheiro é usado para comprar títulos do governo de outros países, ou seja, para financiar a dívida pública deles. A vantagem para o Brasil é o retorno, uma taxa de juros, e uma proteção em períodos de fuga dos investidores internacionais, por exemplo.

Outra parte da reserva é aplicada em Direitos Especiais de Saque, uma espécie de moeda do FMI, que também rende juros. Cada país integrante tem uma cota no fundo, de acordo com sua participação na economia mundial. Dela depende quanto o país pode emprestar e quanto pode pegar emprestado. Por enquanto, o máximo que o Brasil pode emprestar é 4,5 bilhões de dólares. Os juros são calculados com base em outras moedas: euro, yene, libra esterlina e dólar. O índice, segundo o Banco Central, chegou a 0,42% ao mês recentemente.

A diferença agora é que o FMI avaliou o Brasil em condições de ser credor, pelos resultados do balanço de pagamentos e pelo acúmulo de reservas. Na reunião do G20, grupo que reúne os principais países industrializados e emergentes, o presidente Lula divulgou, sem detalhes, o desejo de emprestar, além da cota, outros 10 bilhões de dólares. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o mecanismo ainda não foi definido, mas que também funcionará como uma aplicação das reservas.

O retorno econômico do empréstimo ao FMI não é grandes coisas. O fato tem sim grande relevância política, aumentando a importância do país na economia internacional, e, assim, a possibilidade de ter voz ativa nas decisões. Além disso, o dinheiro emprestado ao FMI será utilizado na recuperação das economias mais afetadas pela crise. E um mundo deprimido não é interessante a um país que tem nas exportações importante fonte de renda. 

A explicação da origem do dinheiro que será emprestado ao FMI foi sugerida pelo Fabricio. Dê também a sua idéia de tema.

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LivroA eterna polêmica sobre a legalização do uso de drogas tem tudo a ver com economia. A proibição impõe restrições à oferta e cria um grande potencial de lucro para quem conseguir se manter como fornecedor. Cria-se, em geral, um monopólio, mantido com brutalidade. O alcance da indústria estende-se para outros ramos, como o de lavagem de dinheiro. Os compradores muitas vezes entram na criminalidade para fazer parte do mercado. O tema é tratado em um dos capítulos do livro Sexo, drogas e economia: uma introduçaõ não-convencional à economia do século 21, de Diane Coyle.

Os debates do livro não são mesmo tradicionais para a ciência. Coyle mostra que a economia também está nos esportes. Segundo a autora, essa atividade pode somar, nos países ocidentais, até 6% do Produto Interno Bruto, ou seja, 6% da soma dos preços de todos os bens e serviços finais produzidos em uma economia. Isso se forem incluídos os uniformes, os rendimentos de propaganda, os direitos de transmissão e a venda de ingressos para estádios. O negócio tem particularidades interessantes: é fácil calcular a produtividade de cada indivíduo do mercado de trabalho e os times precisam de bons concorrentes para que a competição seja interessante.

A presença da economia permeia outros assuntos no livro: os mercados do sexo, da música, de tecnologia. A autora também discute outras questões de grande interesse como o papel dos governos e a proteção ao meio-ambiente. Tudo de forma muito clara. É de Coyle a melhor definição que conheço para a profissão do economista: estender as oportunidades e escolhas disponíveis a todos no dia-a-dia, auxiliando o maior número de pessoas na busca do bem-estar.

A autora defende que a economia é uma maneira particular de pensar o universo e pode ser aplicada a quase todas as situações que envolvem indivíduos, empresas, indústrias e governos. Segundo Coyle, os resultados econômicos têm significado social e, por isso, os economistas devem saber explicá-los a um grande público. Caso contrário, haverá a suspeita de que não entendem a si próprios.

COYLE, Diane. Sexo, drogas e economia: uma introduçaõ não-convencional à economia do século 21. Tradução Melissa Kassner. São Paulo: Futura, 2003.

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PoupançaA equipe econômica do presidente Lula prepara-se para uma medida pouco popular: reduzir o rendimento da poupança. O argumento é que o retorno da caderneta deve diminuir para que grandes investidores não optem por ela na hora de aplicar seu dinheiro. A ideia é que a poupança seja escolhida apenas pelas pessoas de renda mais baixa, enquanto o restante aplique em outras opções, como fundos de investimento de renda fixa.

Segundo matéria publicada no Valor Econômico, alguns fundos já são menos interessantes do que a poupança, caso o dinheiro seja retirado em menos de seis meses. Para comparar os rendimentos é preciso considerar que não há cobrança de imposto de renda sobre a caderneta. Em caso de aplicação inferior a um semestre em fundos de investimento, por exemplo, esse imposto é de 22,5%. É preciso considerar ainda a taxa de administração, no caso dos fundos, e a garantia do governo para a poupança.

A lei obriga os bancos a utilizarem 65% dos depósitos em poupança para oferecer crédito imobiliário. Caso haja uma fuga dos investidores para a caderneta, pode haver falta de recursos para outros tipos de empréstimos. A possibilidade de redução da oferta de crédito é grave em tempos de crise. Também há um risco para o governo: grande parte do dinheiro colocado em fundos é aplicada em títulos do Tesouro. Ou seja, a migração para a poupança pode prejudicar o financiamento da dívida pública. 

Os juros pagos pelos fundos de renda fixa devem cair ainda mais com a trajetória de queda da taxa básica de juros, a Selic, que remunera os títulos públicos. Para a próxima reunião, na semana que vem, há expectativa de queda entre 1 e 1,5 ponto percentual. A tranquilidade do governo quanto ao ajuste no rendimento da poupança e a melhoria em alguns indicadores econômicos têm resultado na expectativa de uma redução menor do que a da última reunião. Segundo essas especulações, a taxa ficaria em 10,25%. Assim, o governo teria até a reunião seguinte, nos dias 9 e 10 de junho, para decidir sobre a poupança.

Atualmente, a caderneta rende o,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), que tem ficado em patamar muito baixo. A taxa, criada no governo Collor, é calculada com base em uma média dos juros bancários. São muitas as especulações sobre o que passa pela cabeça da equipe econômica. Já se fala em mudar o cálculo da TR, em vincular o rendimento da poupança à taxa Selic e até em limitar as aplicações a 5 mil reais por pessoa. O próprio presidente Lula já declarou a intenção de proteger os pequenos poupadores. Segundo ele, mais de 85% dos poupadores têm menos de 5 mil reais na poupança.

Caso a decisão do governo não seja apenas mudar o cálculo da TR, mas alterar o índice de correção da poupança, será preciso editar uma nova lei. Outra medida possível, a cobrança de um imposto, está prevista na legislação, mas só poderia ser aplicada a partir do ano que vem.

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