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Archive for junho \30\UTC 2009

Além da prorrogação da política fiscal (veja artigo sobre IPI), o governo anunciou nesta segunda-feira a manutenção da política monetária expansionsita. O instrumento usado é o depósito compulsório. 

Quando você deposita dinheiro no banco, ele não fica, obviamente, parado esperando resgate. O banco pode emprestar parte dele para pessoas e empresas. Mas como você e todos os outros depositantes podem querer o dinheiro de volta a qualquer momento, o Banco Central obriga os bancos a guardarem uma parte dele.

Atualmente,  no Brasil, 15% dos depósitos a prazo devem ser repassados ao Banco Central. A maior parte desse dinheiro, 60%, fica guardada no BC em dinheiro. O restante é investido em títulos públicos, que rendem juros aos bancos.

Quanto maior a taxa do compulsório, menos dinheiro circula no mercado. Por isso, quando o governo mexe no índice faz política monetária. Ela é expansionista quando a taxa fica menor e contracionista quando ela é aumentada.  

O compulsório brasileiro é um dos mais altos do mundo, o que permite segurança ao sistema, mas sofre críticas por dificultar a expansão do crédito (e assim, do investimento, por exemplo).

Para aliviar os efeitos da crise, o governo permitiu a redução do compulsório para apenas alguns bancos: aqueles que compram títulos de pequenos e médios bancos. Assim, o governo pretendia tornar os papéis dessas pequenas empresas mais facilmente negociáveis e garantir mais circulação de dinheiro na economia.

Nem sempre, entretanto, a redução nos compulsórios anima a economia. Alguns economistas têm dito que não tem adiantado muito o Banco Central liberar os bancos para darem mais crédito. Isso porque a maior dificuldade deles não é a falta de dinheiro em caixa mas a desconfiança e as incertezas quanto aos tomadores, um efeito da crise internacional.

Agradeço ao economista Fernando D`Angelo pela sugestão de tema. Dê também a sua ideia.

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O governo decidiu prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI, para automóveis, materiais de construção e produtos da linha branca (geladeira, fogão e máquina de lavar roupas).

A medida, que deixaria de valer nesta terça-feira, foi uma tentativa de evitar a redução no consumo por causa da crise econômica internacional. Espera-se que as pessoas aproveitem o corte nos impostos para comprar. Os carros mantêm a redução até 30 de setembro, a linha branca até 31 de outubro e os materiais de construção até o fim do ano.

Além da prorrogação, serão incluídos na lista 70 máquinas e equipamentos. Assim, o governo tenta atacar outro problema: a redução nos investimentos por parte das empresas. Com a expectativa de redução nas vendas e as incertezas da crise, elas tendem a cortar gastos. 

A redução no IPI é um tipo de política fiscal expansionista, que pode ter duas formas: ou o governo corta impostos e, assim, incentiva empresários e consumidores a gastar mais, ou mantém a arrecadação e aumenta os gastos (com salários, contratações, obras de infra-estrutura). Ele pode também fazer uma combinação das duas.

O corte de impostos para setores específicos é polêmico. Por que beneficiar um grupo e não outro? A charge abaixo, do Pelicano, feita para o Bom Dia São Paulo, brinca com o debate.Charge Pelicano

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A crise financeira global recolocou o investimento público no centro dos debates
econômicos. A defesa de sua expansão vigorosa como melhor mecanismo anticíclico se
tornou consenso. Mas no Brasil essa variável é problemática há alguns anos – desde a
crise de endividamento do Estado e do ajuste fiscal vigoroso para atender a sucessão de
crises externas. Os investimentos se tornaram variável de fecho dos orçamentos, e sem
maiores vinculações de receitas, sofreram forte e contínua redução, mesmo quando a
carga tributária e a despesa pública cresciam rápida e sucessivamente. Não faltaram
discursos governamentais prometendo recuperar os investimentos, como no caso mais
recente da priorização de obras federais por intermédio do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC). Por mais que tais gastos tenham crescido nos últimos anos, ainda
se está muito longe do padrão observado em outras econoO Bmias

PACO Brasil teve a segunda menor taxa de investimento público em relação ao tamanho da economia, entre 135 países em desenvolvimento, de 2000 a 2007. A exceção é 2003, quando os investimentos públicos brasileiros foram os menores do grupo (quando comparados ao valor total da produção, o Produto Interno Bruto).

O único governo, entre os países analisados, que investiu menos que o brasileiro foi o do Turcomenistão. Entre os investimentos públicos estão, por exemplo, importantes obras de infra-estrutura, como construção de estradas, essenciais para movimentar a economia do país.

Segundo os dados, do Fundo Monetário Internacional (FMI), nos oito anos analisados, o Brasil ficou muito abaixo da média de investimento público para os países em desenvolvimento. A média cresceu de 6,5% para 7,6% do PIB no período. A taxa brasileira, no melhor ano, 2002, nem chegou a 2% do PIB. A nossa média é 1,69% do PIB. Só para se ter uma idéia, a taxa chinesa é por volta de 20%.

O resultados não condizem com a alta carga de impostos (uma das maiores entre os emergentes) e os elevados gastos públicos (com salários, contratações, etc., mas não com investimentos).

Em artigo escrito em junho deste ano, os economistas José Roberto Afonso e Gabriel Junqueira alertam para os dados e afirmam que, embora a taxa de investimento tenha crescido nos últimos anos, ainda está muito longe do padrão observado em outras economias.

A situação é considerada mais grave neste momento, em que o aumento no investimento público é a forma mais aceita de proteger os países contra a crise econômica internacional. Segundo Afonso e Junqueira, “o enfrentamento da crise financeira global em pouco está mudando o baixo padrão de investimento público observado na economia brasileira nos últimos anos”.

De acordo com os autores, apesar do discurso de prioridade máxima ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os dados deste ano não mostram qualquer aumento mais expressivo da taxa de investimentos públicos.

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A falência do Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA, em setembro do ano passado, interrompeu uma trajetória de crescimento da economia brasileira. É o que mostra o texto escrito pelo professor de Economia da Universidade de Brasília, José Luis Oreiro, em conjunto com doutorandos.

Os autores mostram que a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto real (a soma dos preços de todos os bens produzidos no país em um ano, descontada a inflação) foi muito maior no período 2004-2007 do que nos anos anteriores. Confira as taxas médias de crescimento para os períodos:

  • 1988-1991:   -0,05%
  • 1992-1995:  3,48%
  • 1996-1999:  1,45%
  • 2000-2003:  2,35%
  • 2004-2007:  4,5%

O artigo cita Bresser-Pereira, segundo o qual a economia brasileira tinha dado início ao seu mais longo ciclo de crescimento depois de 25 anos de semi-estagnação.

Não é possível saber o que viria adiante. Infelizmente, a trajetória foi interrompida pela crise econômica. A estimativa do Fundo Monetário Internacional é que a nossa economia encolha 1,3% neste ano e começe a se recuperar em 2010.

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Todos os dias os jornais divulgam o Ibovespa, um índice criado há 40 anos. Mas como ele é formado e o que significa?

O Ibovespa é composto pelas ações mais negociadas no dia na bolsa brasileira e, por isso, seu resultado é um bom indicador do comportamento dos investidores e, assim, da economia como um todo.

A composição do índice muda a cada quatro meses para refletir as ações mais negociadas. Em geral, elas representam 80% do valor total dos negócios.

O índice em si, dado em pontos, não significa muita coisa. O interesse é sobre sua variação. A reunião de várias  ações em um único valor permite que as pessoas acompanhem o movimento da Bovespa sem ter que olhar ação por ação.

O movimento do Ibovespa permite ver as oscilações da própria economia brasileira. Clique aqui e veja mais informações e um gráfico com a trajetória do índice desde sua criação. Você também pode ver aqui a composição atual do Ibovespa.

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Charge PelicanoConheço uma empregada doméstica que ganha 700 reais líquidos por mês e usa oito cartões de crédito. No momento, deve em todos. As mais variadas lojas de departamento estão devidamente representadas em sua carteira. Ela já encontrou até um posto onde o combustível pode ser pago em suaves prestações.

Essa é uma personagem do que o economista Carlos Lessa chama de bolha Casas Bahia. Em seus artigos sobre a crise econômica atual, Lessa alerta para a possibilidade de algo semelhante por aqui. A diferença é que lá a bolha foi formada com base no mercado de imóveis. Aqui são eletrodomésticos, móveis, carros e uma variedade de bens de consumo, cada vez mais acessíveis a todas as classes. 

A nossa posssível bolha é formada por dívidas com longos prazos de pagamento e juros embutidos altíssimos. Atraídos pela possibilidade de arcar com a dívida mês a mês, os consumidores nem se preocupam tanto com os juros. Mas o fato é que quanto maior o prazo, maiores eles são.

Lessa explica, de forma bastante didática, em entrevista à revista Carta Maior: “É aquela experiência que todos já viveram. Tem um lugar que vende alguma coisa em oito prestações sem juros. Você vai com dinheiro e diz que quer pagar à vista. Não tem desconto. Sabe qual é o significado disso? Eu não estou interessado em vender a coisa, estou interessado em que você se endivide. E pague o juro embutido colossal nas prestações, eu quero você como devedor. Aí as Lojas Americanas, as Casas Bahia se convertem em financeiras”.

Em outro artigo, Lessa diz que a bolha é sustentada pela preocupação dessas pessoas endividadas em não deixar, em palavreado popular, o “nome sujo”, o que impossibilitaria novas compras. Assim, elas vão arrastando as dívidas, pagando o mínimo possível.

Mas será que essa situação é sustentável? E o que vai acontecer quando essas pessoas se derem conta de que não conseguem pagar todas essas dívidas? A bolha estoura…

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Há menos de uma semana, um tio me perguntou o que explicava a recente valorização do real. Vieram à minha mente vários artigos e matérias lidos recentemente que explicam a oscilação com dados, tabelas e gráficos completamente diferentes.

O artigo do economista Delfim Netto no Valor Econômico de hoje acalmou minha confusão mental. Uma frase genial resume tudo: “Existem três causas que levam à loucura: o amor, a ambição e o estudo das taxas de câmbio”.

Segundo o professor, as análises só conseguem explicar um curto período de observação. Logo em seguida, as oscilações contrariam os modelos.

O economista afirma que a melhor explicação para a valorização do real no momento é a liberdade do movimento de capitais. Ou seja, o dólar entra no país atraído principalmente pela expectativa de rendimento muito superior à do mercado internacional. Mas esse é apenas um dos fatores.     

Delfim Netto critica analistas e autoridades que usam “clara demonstração de saber e arrogância” quando são questionados sobre as flutuações do câmbio. Muitos apelam para o que chamam de fundamentos, uma palavrinha usada com frequência por economistas que não querem explicar algo.

Portanto, quando você ouvir um economista dizer que os fundamentos explicam algo, não deixe de perguntar: que fundamentos?

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