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Archive for julho \27\UTC 2009

Gabriel Buchmann na África (arquivo pessoal)O economista Gabriel Buchmann, de 28 anos, desapareceu há dez dias, enquanto fazia uma trilha no Monte Maláui, na África. O brasileiro viaja há um ano por 26 países. Além da África, passou pelo Oriente Médio e pela Ásia. O objetivo: conhecer a pobreza de perto.

Além de economista, Gabriel é formado em Relações Internacionais e mestre em Economia pela PUC-Rio. O tema da dissertação foi a interação entre educação, fertilidade e o sistema político brasileiro.

Os temas de interesse mostram que o jovem ainda tem muito a colaborar com o desenvolvimento brasileiro. Inclusive, ele já tinha começado a trabalhar com a avaliação de programas do governo, logo após o mestrado.

Agora, Gabriel estava em preparação para o doutorado em economia da pobreza, na Universidade da Califórnia. A razão para a longa viagem era exatamente entender melhor a pobreza. Em um e-mail recente para a família, é possível perceber como o rapaz deixava-se envolver pelo cotidiano local e como estava impressionado com a pobreza do continente:

Hoje ficarei em hostel pela segunda vez desde que pisei no continente, todos os outros dias dormi e comi na casa de locais,  gastando uns 2-3 dólares por dia, o que me permitiu a cada dia distribuir meu daily budget entre as pessoas que me hospedaram, alimentaram, etc…to muito feliz com isso, de conseguir estar vivendo grandes aventuras e realizando uma viagem de profunda imersão no continente africano, absolutamente não turística, e de forma totalmente sustentável, transferindo 80% dos meus gastos pra africanos pobres… e aqui com quase nada vc faz uma substancial diferença na vida das pessoas…esse amigo meu congolês, por exemplo, com 12 dólares paguei o aluguel mensal da casa da família dele, esse menino com 40 dólares garanti um ano escolar pra ele numa escola super legal, hoje dei 2 dólares pra uma mulher que me convidou pra conhecer a casa dela e ela se ajoelhou e quase chorou”.

A família e os amigos de Gabriel criaram um blog onde é possível acompanhar os resultados das buscas e colaborar financeiramente. Clique aqui para acessar.

Entrei no blog apenas para deixar um aviso, mas não poderia deixar de alertar para o caso do Gabriel Buchmann. Por fim, deixo o recado: estou muito envolvida com os preparativos do meu casamento, o que me fez espaçar os posts nos últimos tempos. Prefiro interromper os artigos somente por esta semana do que deixar cair a qualidade. Volto a me concentrar na dissertação de mestrado e no blog na primeira semana de agosto. Aguardo vocês de volta. Pelo menos temos um motivo digno para deixar um post por tanto tempo no topo do blog, não é?

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De ineficientes a necessários. Um caderno especial do Valor Econômico sobre bancos públicos é mais uma amostra da mudança de mentalidade trazida pela crise. Nele, o economista Dean Baker diz que a ideia de que tudo deve ser privatizado já morreu.

Dean Baker defende que bancos públicos podem funcionar muito bem e que os brasileiros têm feito o dever de casa em tempos de crise: dar o crédito que o setor privado cortou e estimular a economia. 

Para o economista, o pico da privatização ficou para trás, na década de 90. Agora os bancos públicos brasileiros têm um papel anticíclico, ou seja, exercem uma pressão positiva enquanto a economia vai mal.

Entre os benefícios trazidos pela atuação dos bancos públicos, Baker cita a concorrência. Ele defende sistemas híbridos, formados por instituições públicas e privadas. Os bancos públicos deveriam escolher setores estratégicos para atuar, enquanto os privados buscam oportunidades em outros nichos.

As perspectivas do pesquisador para a economia brasileira são muito melhores do que para a dos EUA. Para a primeira, a estimativa é de recuperação em 2010, para a segunda, só em 2012. Além disso, ele acha que vamos passar pela crise sem grandes perdas em produção e emprego.

Baker reforça a mudança de mentalidade: entende-se ainda que o setor privado faz muitas coisas de forma mais eficiente, mas aceita-se cada vez mais que o setor público tem papel fundamental no funcionamento da economia.

Clique aqui e leia a entrevista com Dean Baker na íntegra.

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Ilustração de Jon Berkerly para The Economist

Ilustração de Jon Berkerly para The Economist

A crise internacional colocou em cheque aspectos importantes da teoria econômica. A última The Economist assume que, dentre todas as bolhas, poucas explodiram de forma tão espetacular quanto a reputação da própria economia.

Segundo o artigo, a nova situação contrasta com a de poucos anos atrás, quando a Economia era aclamada como modo de explicar cada vez mais formas do comportamento humano. Os economistas tornaram-se mais confiáveis do que os políticos.

O texto cita Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, segundo quem a maior parte dos últimos 30 anos de Macroeconomia foi inútil, na melhor das hipóteses, e prejudicial, na pior delas.

Duas áreas de conhecimento são colocadas em questão: a Macroeconomia e a Economia Financeira. Os economistas financeiros formalizavam teorias de eficiência, defendiam que os mercados tratavam de se regular e que as inovações eram sempre benéficas. Os macroeconomistas teriam sido complacentes.

Houve sim advertências, lembra o artigo, e avanços no campo da Economia Comportamental, por exemplo. Esses insights da academia, entretanto, ficavam à margem. Ou seja: havia pouquíssimas vozes gritando para parar.

Agora, defende o texto, é preciso que macroeconomistas entendam as finanças e que os profissionais das finanças pensem sobre o contexto em que os mercados funcionam. É preciso lembrar que economistas são cientistas sociais, tentando entender o mundo real.

O artigo procura preservar um pouco a teoria. Considera que o descrédito não pode ir longe demais e que muito do conhecimento acumulado não tem qualquer ligação com a crise. Termino com um trecho interessante, aqui em tradução livre: “Economia é menos um credo servil do que um prisma através do qual entender o mundo”.

Para ler o artigo, na íntegra, clique aqui.

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Uma compra de supermercado ensina muito sobre Economia. Se o preço do sorvete sobe, você tende a comprar menos cobertura. Se o leite fica mais caro e você reduz o consumo, corta também o achocolotado. Sorvete e cobertura, leite e achocolatado podem ser considerados bens complementares.

Caso não conheça esse conceito, um produtor de cobertura pode estranhar a redução repentina no consumo de seu produto. Ele terá que prestar atenção sempre ao mercado de sorvete.

E de que devem desconfiar os produtores de manteiga quando as pessoas param de comprar seus produtos? Eles podem observar o preço de um possível substituto: a margarina. Manteiga e margarina podem ser chamados de bens substitutos.

Robert Pindyck e Daniel Rubinfeld dão outro exemplo no livro Microeconomia: preço do ingresso de cinema e o aluguel de filmes. Se o ingresso fica caro, algumas pessoas devem optar por fazer a locação.

É claro que os conceitos de bens substitutos e complementares variam de uma pessoa para outra. Para alguns, o telão e a pipoca do cinema não podem ser substituídos de forma alguma pela TV e o sofá de casa.

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Índice Big MacDois hamburgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles num pão com gergelim… O sanduíche da rede McDonald`s tem tal alcance internacional que deu origem a um indicador econômico: o índice Big Mac.

O índice é usado para avaliar se a moeda de um país está sobrevalorizada ou subvalorizada em relação ao dólar. No nosso caso, por exemplo, o último índice indicou que o Real está mais valorizado em relação ao dólar do que deveria.

O cálculo baseia-se na controversa teoria da Paridade do Poder de Compra. Segundo ela, o câmbio estará na posição correta quando o preço de um bem for o mesmo se convertido para qualquer moeda. Por isso usar o Big Mac: ele é vendido de forma praticamente padrão em todo o mundo.

Para se chegar ao índice, parte-se de uma lista com os preços do Big Mac em vários países. O valor é convertido para dólar. No último índice, divulgado na quinta-feira, o sanduíche brasileiro custa o equivalente a 4 dólares e dois centavos. Aí compara-se com o preço do sanduíche nos Estados Unidos: 3 dólares e 57 centavos.

O Big Mac está mais caro no Brasil. Como, pela teoria, o Big Mac vale o mesmo em qualquer lugar, a conclusão é que a moeda brasileira é que vale mais do que deveria. Ou seja: está sobrevalorizada.

Veja a tabela abaixo, publicada na The Economist. As barras que crescem para a direita  levam à conclusão de moedas sobrevalorizadas e as da esquerda de subvalorizadas. 

 Índice Big Mac

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Se um bem que você consome fica mais barato você compra mais dele, certo? É isso que dizem as curvas de demanda mais usadas pelos economistas. Mas atenção: elas servem para os bens comuns. Há excessões.

Um economista do século XIX, chamado Giffen, percebeu que a regra não valia para todos os bens. Imagine uma família que só pode destinar 40 reais por semana para a proteína do almoço. Ela só come carne , que sai por 10 reais, uma vez por semana. Nos outros seis dias, come salsicha, que sai por 5 reais por dia.

Certo dia o preço da salsicha cai para 3 reais. Os seis dias de salsicha vão cair de 30 para 18 reais. Opa! Sobraram 12 reais. Significa que dá pra comer carne mais um dia!

A família percebe, então, que com os mesmos 40 reais, passa a ser possível comer carne por dois dias e salsicha no resto da semana. Conclusão: o preço da salsicha caiu, mas seu consumo caiu também, em vez de subir.

O chamado bem de Giffen (no nosso exemplo, a salsicha) é, em geral, um bem de pouca qualidade ou barato, que você só consome porque não tem outra saída. Assim, logo que pode, tira da listinha de compras.

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chargeÉ conhecida a afirmação de que um aumento da renda leva a um maior consumo. Mas isso vale para todos os bens? Não. Um aumento geral na renda da população pode levar à redução no consumo de alguns tipos de bens.

São chamados de bens normais aqueles que são mais consumidos quando a renda sobe. Você pode pensar em leite, iogurte, sucrilhos, requeijão.

Mas há ainda os bens inferiores, aqueles que você reduz o consumo à medida que sua renda aumenta. Para algumas pessoas esse é o caso da mortadela (que é substituída pelo presunto, mais caro), ou da salsicha e de uma série de produtos de baixa qualidade.

É importante destacar que essa classificação varia com o nível de renda. Alguém muito pobre pode passar a consumir mais salsicha com o aumento da renda, até que o salário suba o suficiente para substituir a salsicha por carne.

E produtos que você consome menos quando o preço cai. Você já ouviu falar? Assunto para um próximo post!

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