Feeds:
Posts
Comentários

Archive for julho \07\-03:00 2009

charge QuinhoDesde que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o diploma de jornalista não é obrigatório, há menos de um mês, ouço comentários sobre a inutilidade de se ter um. Um conceito econômico, o de sinalização, me faz pensar que ter um diploma de jornalista ainda tem sim a sua importância.

A formação em jornalismo, pelo menos quando em uma faculdade decente, sempre indicou mais do que o direito de exercer a profissão. Ela sinaliza, para as empresas de Comunicação, que aquela pessoa dá tal importância à profissão que dedicou quatro anos de sua vida a estudá-la.

A maioria dos meus colegas de faculdade escrevia muito bem e tinha prazer em fazê-lo não porque tivesse aprendido essa habilidade na faculdade, mas porque já ingressara no curso por tê-la. Assim, acredito que a porcentagem de pessoas que escrevem bem seja maior entre um grupo com diploma de jornalista do que quando se considera um conjunto de profissionais de várias áreas.

Existe em economia, inclusive, o chamado efeito diploma. O economista da Universidade de Boston Andrew Weiss concluiu, a partir da análise de várias ocupações, que o efeito da educação na produtividade nem sempre era grande. A diferença maior estava, por exemplo, no número de faltas e na rotatividade, muito maior entre os não formados. O diploma sinalizava não só o aprendizado, mas a capacidade de se dedicar à atividade por muito tempo. 

Sendo assim, sem entrar no mérito da importância do curso de jornalismo, o diploma de jornalista pode até não garantir, mas é uma importante sinalização da qualidade do profissional.

Read Full Post »

O texto abaixo foi escrito pelo economista formado pela USP e aluno do mestrado da Unicamp, Paulo Francisco do Nascimento, especialmente para o Economia Clara. Ele discute uma questão intrigante: vivemos uma crise pior do que a de 1929?

A comparação da atual crise mundial com a Grande Depressão de 1929 por algumas vezes tem aparecido nos meios de comunicação. Ora são ressaltadas as semelhanças entre as duas crises, ora as diferenças. O economista Paul Krugman analisando dados referentes aos Estados Unidos concluiu que a crise que vivemos é mais amena e cunhou o termo “Grande Recessão” para designá-la.

De pleno acordo com as conclusões de Krugman, Barry Eichengreen se propôs a avaliar o episódio como fenômeno mundial estudando dados a respeito de diversas economias e chegou a constatações interessantes: a crise que nos EUA é “mais amena” do que a de 1929 é para a maior parte dos demais países tão grave ou pior.

Os principais indicadores que Eichengreen utiliza são a queda do nível de produção industrial, queda do valor acionário e diminuição do volume de comércio internacional. Enquanto a queda da produção industrial mundial na atualidade acompanha quase exatamente a trajetória seguida após 1929, o valor acionário e o comércio internacional apresentam queda marcadamente superior, logo, a designação “Grande Recessão” subestimaria as proporções da tribulação pela qual passamos.

Apesar das semelhanças, em um aspecto as crises diferem definitivamente, a saber, na reação dos governos. No presente, a adoção de medidas anticíclicas foi muito mais rápida e de maior profundidade: as taxas de juros dos bancos centrais se aproximam de zero em diversos países avançados, algo que em nenhum momento se observou durante a depressão dos anos trinta, ao mesmo tempo, houve muito menos hesitação por parte dos governos em realizar desembolsos (e conseqüente déficit) com vistas a estimular a atividade econômica.

A melhor resposta dos Estados à crise pode nutrir expectativas mais otimistas, pois se até então a economia mundial vem seguindo trajetória semelhante ao desastre dos anos trinta ainda não está a meio caminho do fundo poço atingido no passado e a reversão do processo em um espaço de tempo menor devido à resposta mais urgente das autoridades faria com que tivéssemos um episódio de fato “mais ameno”.

Porém, organismos oficiais como UNCTAD, FMI e Banco Mundial esperam que a reversão do processo se dê em meados de 2010 e, embora não haja plena convergência nas previsões, seria necessário por volta de mais um ano para que a atividade econômica retornasse aos níveis pré crise. Após junho de 1929, mais de 36 meses se passaram até que se revertesse o movimento descendente e mais de 50 para que se recuperasse o nível de atividade de antes da quebra.

Antes de finalizar, vale dizer que na atualidade os sistemas nacionais de seguridade social são muito mais desenvolvidos e capazes de atenuar de maneira mais eficaz as conseqüências sociais da crise.

A constatação é a de que se a crise atual é tão dura quanto a da década de trinta vai depender de desenvolvimentos futuros em que se espera haja uma reversão em prazo menos extenso em função das medidas oficiais tomadas com esse propósito.

Read Full Post »

Metas de inflação

O sistema de metas de inflação completa dez anos em 2009, sob elogios e críticas. É exaltado por muitos por impedir a volta do período de inflação absurda, que obrigava as famílias a encher a dispensa assim que o salário caía na conta. É acusado por outros de ter limitado o crescimento brasileiro.

Como o sistema funciona? Um conselho do Banco Central define uma inflação ideal para o ano. Em 2009, por exemplo, ela é de 4,5%. A referência usada é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), formado com base nos preços dos bens e serviços consumidos por famílias que recebem de um a 40 salários mínimos.

Depois de definir a meta de inflação, o BC começa a persegui-la. Para isso, outro conselho define periodicamente a taxa básica de juros, a Selic. Se o banco avalia que a economia está muito aquecida, com demanda em excesso, o que pode levar à inflação, aumenta a Selic. Pode também mantê-la ou reduzir, caso considere que não há uma pressão de demanda.

É bom lembrar que os juros são o preço do dinheiro. Quanto mais baixos, a tendência é haver mais dinheiro em circulação. Se muita gente quer comprar e os produtores não conseguem aumentar a produção no curto prazo, os preços podem subir. É isso que o BC tenta evitar quando aumenta os juros básicos.

Os juros altos também têm um efeito sobre a taxa de câmbio. Eles atraem investidores internacionais para os títulos públicos do governo brasileiro, que rendem a Selic. Com mais moeda estrangeira no país, o Real valoriza-se. Assim, podemos importar mais. A entrada de importados aumenta a concorrência aos produtos brasileiros, outro reforço para controlar a inflação. 

Fica claro que, quando o Banco Central aumenta os juros, tradicionalmente altos no Brasil, segura a economia. O sistema de metas brasileiro é acusado de fazer o governo se preocupar tanto com a inflação que acaba deixando de lado emprego, produção, investimentos, crescimento.

Agradeço ao economista Ricardo Geoffroy pela sugestão de tema. Dê também uma ideia de assunto

Read Full Post »

exportaçõesÉ impossível para uma economia como a brasileira, que depende muito de exportações, não ser afetada pela situação dos outros países do mundo. O gráfico acima foi apresentado em uma palestra do senador Aloizio Mercadante e tem como fonte o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Fica evidente o encolhimento da economia mundial. Repare como, nos quatro primeiros meses do ano (em comparação com o mesmo período do ano passado), reduziram as exportações brasileiras para todos os principais parceiros, com excessão da China, a barra azul. O problema é que isso significa menos produção interna, menos empregos, menos investimentos, menos dinheiro circulando na economia… Ou seja: crise por aqui.

Read Full Post »

« Newer Posts