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Archive for agosto \31\UTC 2009

No momento em que o governo brasileiro define as regras para exploração do pré-sal surge uma preocupação importante: o risco do fenômeno econômico conhecido como doença holandesa.

Chama-se de pré-sal uma faixa de petróleo descoberta pela Petrobrás, que se estende do Espírito Santo a Santa Catarina. Segundo cientistas, a camada de sal que fica acima do óleo protege a matéria-prima. Fala-se que a nova descoberta pode dobrar o petróleo e gás extraídos no Brasil.

O presidente Lula chegou a dizer que a camada é um presente de Deus. Mas ela pode tornar-se um “presente de grego” se não forem tomados os devidos cuidados. Isso porque a exportação do novo petróleo, se não controlada, vai trazer uma enxurrada de dólares para o Brasil.

Com muitos dólares no mercado, eles tornam-se mais baratos. Ou seja, a moeda brasileira torna-se mais forte. A valorização torna mais fácil importar bens, que ficam mais baratos para nós, mas tem a contrapartida: nossas exportações tornam-se mais caras lá fora. Nossas indústrias ficam prejudicadas.

É este fenômeno, em que a exploração de recursos naturais causa um declínio do setor manufatureiro, que se conhece como doença holandesa. A entrada de moeda estrangeira valoriza a moeda local, prejudicando a exportação de bens.

O termo surgiu nos anos 60, quando o preço do gás subiu muito. As exportações da matéria-prima na Holanda cresceram muito, valorizando a moeda local. O resultado apareceu nos anos 70: as exportações dos produtos industrializados ficaram extremamente prejudicadas.

Veja mais sobre este debate no artigo do economista Jefferson Galetti.

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George SorosJá falamos aqui dos seguidores de tendências no mercado de ações. Há ainda aqueles que seguem a estratégia de tomar posição contra a opinião convencional, de desafiá-la. Este é o caso de um investidor famoso: George Soros.

Olivier Davanne chama esse tipo de investidor de contrarian. Um exemplo típico desse comportamento surge quando as ações estão em alta por um longo período. É neste momento que os contrarians decidem vender. Para eles, há pouco risco naquela atitude, já que há mais probabilidade de reversão e queda do que de o preço da ação subir mais.

O argumento de Soros é de que os mercados erram com freqüência, de forma que se pode ganhar muito dinheiro jogando contra eles. É uma opinião que contraria a teoria tradicional, de que os mercados são eficientes e têm sempre razão.

Mas há um risco aí: se você vende as ações na alta e elas continuam a se valorizar, terá perdido a oportunidade de ganhar mais com elas.
O êxito dessa estratégia, segundo André Orléan, está em conseguir convencer o mercado para que lhe siga. Ele afirma que é uma questão de timing: acertar as crenças futuras do mercado sem se antecipar muito.

A vocação contrarian torna-se mais evidente quando seguir o comportamento convencional passa a ser pouco lucrativo e o risco de apostar contra o mercado é baixo.

O comportamento dos contrarians pode dar origem a um período de crise, marcado por grande instabilidade de preços.

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O Balanço de Pagamentos brasileiro teve superávit de 4,7 bilhões de dólares em julho deste ano. Mas o que significa o dado divulgado hoje pelo Banco Central? Para entender, vamos analisar cada componente deste resultado.

Quando se fala em Balanço de Pagamentos muitas pessoas pensam somente em exportações e importações. Em julho, houve superávit comercial de 2,9 bilhões de dólares. Esse valor é obtido subtraindo o valor de nossas importações das exportações.

Mas há muito mais do que isso. O Balanço de Pagamentos registra todo o dinheiro que entra e sai do país, o que inclui também, por exemplo, o pagamento por empréstimos, patentes, além de investimentos e doações.

A conta capital e financeira também foi superavitária em julho. Entraram no país 6,4 bilhões de dólares a mais do que saíram. Entram nessa conta tanto o dinheiro da instalação de uma rede de fast food por aqui quanto da compra de ações da Petrobrás, por exemplo.

No mês de julho, o investimento direto (caso da instalação de empresas estrangeiras no país) foi negativo. O que fez a conta tornar-se positiva foi o investimento em carteira, como a compra de ações, que ficou em 7,5 bilhões de dólares.

Mas, ao somar os dois resultados positivos (superávit comercial e conta capital e financeira), já passamos muito do valor do Balanço de Pagamentos. O que então foi negativo?

A conta de serviços teve déficit de 1,5 bilhão de dólares. Entram aí juros, viagens internacionais, transportes, royalties, aluguel de equipamentos, seguros, entre outros serviços.

A conta de rendas também foi negativa. O Brasil enviou para o exterior 3,4 bilhões de dólares a mais do que recebeu em lucros de empresas estrangeiras instaladas no país e dividendos de ações adquiridas por estrangeiros. Aqui entra, por exemplo, a remessa de lucros daquela empresa de fast food que se instalou no país.

As balanças comercial, de serviços e rendas e as transferências (doações) somadas formam o resultado das transações correntes, que ficaram deficitárias em 1,7 bilhão de dólares. Esse resultado foi compensado pela conta capital e financeira, que teve superávit de 6,4 bilhões (6,4 menos 1,7 igual a 4,7, resultado do BP).

Como o resultado do Balanço de Pagamentos é calculado a partir do movimento de dólares, o que ficou e o que saiu do país, há uma conta de erros e omissões. Ela registra aquela variação das reservas que não foi explicada por nenhuma outra conta e ficou em 53 milhões de dólares em julho. Como os valores acima são elevados e estão arredondados, nem é possível perceber o efeito desta conta.

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John Maynard Keynes… o investidor a longo prazo é aquele que melhor serve o interesse público e é o que, na prática, incorre em maior crítica, ao passo que os fundos de investimento são manejados por comissões e bancos, pois, em essência, sua conduta é excêntrica, inconvencional e temerária aos olhos da opinião média. Se obtem êxito, isso apenas confirmará a crença geral na sua temeridade; se, no final das contas, sofre reverses momentâneos, poucos serão os que dele se compadecerão. A sabedoria universal indica ser melhor para a reputação fracassar junto com o mercado do que vencer contra ele”.

Este é um interessante trecho de A teoria geral do emprego, do juro e da moeda, de John Maynard Keynes. O economista defende que se preocupar com o retorno de longo prazo, não com as avaliações diárias, seria o comportamento ideal do investidor, em prol da economia. Mas, no livro, explica que a especulação predomina nos mercados financeiros desenvolvidos. Por fim, sugere que, neste ambiente, remar contra a corrente não é uma boa ideia.

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, estima que o Produto Interno Bruto brasileiro suba cerca de 1,7% no segundo semestre deste ano. O PIB é a soma dos preços dos bens finais produzidos no país ao longo de um período.

Com a recuperação, o Brasil sairia da recessão técnica, termo usado quando a produção do país sofre duas quedas sucessivas. O PIB brasileiro encolheu 3,6% no último trimestre do ano passado e 0,8% nos três primeiros meses deste ano.

Mantega também disse, nesta terça-feira, que quem sofre mais com a crise são os setores voltados para exportação. Aqueles destinados ao mercado doméstico estariam em melhor situação.

Ou seja, os brasileiros continuam consumindo bem, mas a recuperação não é completa enquanto o resto do mundo estiver em crise.

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comprar dólaresPara ilustrar o último post vou contar um caso real, citado pelo André Orléan no livro El poder de las finanzas. Aqui já não se trata mais do mercado acionário, mas do de câmbio, que, segundo Orléan, têm comportamentos semelhantes.

Em novembro de 1987, o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan fez uma declaração pública de que o dólar já havia desvalorizado o suficiente. Consequência: os investidores responderam comprando a moeda e ela se valorizou.

Ah, claro… O presidente estava certo e, sabendo disso, todos modificaram sua avaliação sobre o valor do dólar e resolveram comprar. Certo?

Não é o que mostra a matéria publicada pelo jornal The New York Times, que resolveu questionar os investidores. A conclusão do jornalista é que nenhum deles acreditava nos conhecimentos de Reagan sobre Economia.

Mas, então, por que compraram dólares? Todos responderam que, se pessoalmente não tinham confiança alguma no presidente, pensavam que os outros seriam influenciados pelo discurso. E, por isso, resolveram comprar.

Aqui está uma situação clara em que todos acreditavam que as palavras de Reagan não faziam sentido, mas agiram de forma diferente. Ou seja: mais importante do que avaliar o dólar em si era prever o que os outros investidores fariam. Se tudo indicava que eles comprariam, melhor comprar também. Assim, seria possível ganhar com a valorização.

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André OrléanA crise econômica faz crescer a curiosidade sobre o funcionamento do mercado de ações. Como os investidores deixaram-se levar pela alta dos preços sem desconfiar do tanto que era irreal? Para responder essas questões, ainda não terminei, mas já indico: Le pouvoir de la finance, de André Orléan. Ou El poder de las finanzas, para quem não lê francês.

A teoria tradicional não explica a formação das bolhas. Segundo ela, as finanças são um reflexo da economia real. Assim, os preços das ações não se afastariam muito de um valor objetivo, calculado pelos investidores, com base em informações disponíveis.

Os investidores fariam uma estimativa do fluxo de ganhos futuros, ou seja, do pagamento de dividendos. Assim, decidiriam comprar ou não uma ação.

O que explicaria então situações como a da Amazon, que teve a ação valorizada em 966% em 1998, apenas cinco anos depois da sua criação e ainda sem retorno algum? Ninguém desconfiou do estouro da bolha da internet, que viria em seguida?

Orléan dá uma resposta bastante convincente: os investidores não estão preocupados com o valor objetivo da ação, mas com o que todos pensam ser a opinião majoritária. Seja qual for o valor da ação, se todos estão comprando ela vai se valorizar. Então vale à pena comprar, nem que seja para vender logo em seguida.

O mesmo vale para o contrário: se todos vendem, é melhor vender também, porque o preço vai cair. Caso queira, o investidor pode recomprá-la quando estiver muito barata.

Segundo Orléan, diante de um acontecimento, o investidor não se interessa pelas consequências reais do fato, mas busca entender as modificações que ele trará sobre as previsões dos outros participantes do mercado.

Com esse instrumental, fica muito mais fácil entender a dimensão que tomam as bolhas, assim como o processo de reversão que se segue a elas.

Por hoje é só, mas prometo mais de Orléan e da formação de bolhas nos próximos capítulos! Acompanhe o blog também pelo Twitter.

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