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Archive for setembro \29\UTC 2009

É o que indica o primeiro “índice de crash” da bolsa brasileira, divulgado nesta terça-feira pelo jornal Valor Econômico. Segundo a matéria da jornalista Alessandra Bellotto, o indicador aponta “probabilidade alta de queda abrupta”.

O Ibovespa, índice composto pelas ações mais negociadas na bolsa brasileira, subiu 63,29% só neste ano. O aumento significativo nos preços tem despertado a desconfiança dos analistas.

Quando o preço sobe mais do que deveria as ações tornam-se excessivamente valorizadas. O que se segue é um momento de reversão: quando se torna um consenso que a ação vale menos do que custa, melhor vender. Segurar  a ação nessas condições é como manter em casa uma obra de arte que você sabe não valer tanto, mas pela qual o mercado paga milhares ou milhões de reais.

O problema é quando todo mundo resolve vender as obras de arte, ou melhor, as ações, ao mesmo tempo. O mercado fica saturado e o preço cai. A grande dúvida é: quando a reversão vai acontecer? Enquanto isso, os investidores ficam divididos: esperar valorizar mais um pouco ou vender e garantir o lucro?

“Os preços dos ativos na bolsa estão muito fora da realidade econômica; em algum momento até fim de outubro ou início de novembro, um grande investidor vai dar início a uma onda de venda”, afirma o professor Marco Antonio Caetano, que criou o índice de crash, em parceria com Takashi Yoneyama.

A estimativa é de queda de 20 a 30% nos preços das ações. Em geral, há um estopim para isso: alguma notícia negativa, seja no cenário doméstico ou internacional. Agora é esperar por ela…

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Já ouvi algumas pessoas, inclusive jornalistas, fazerem confusão entre o BID e o BIRD. A dificuldade tem justificativa, já que os dois têm funções semelhantes: BID é o Banco Interamericano de Desenvolvimento, enquanto BIRD é o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, uma parte do Banco Mundial.

O BIRD faz empréstimos para países em desenvolvimento, como o Brasil. O banco forma, juntamente com a Associação Internacional para o Desenvolvimento (AID), o Banco Mundial. A AID faz doações e empréstimos sem juros para os países mais pobres do mundo.

O BID tem um fim mais específico: o financiamento de países da América Latina e do Caribe. O banco busca recursos no mercado internacional com taxas baixas, que oferece aos membros.

BIRD e BID têm algo em comum: os dois financiam projetos, priorizando o desenvolvimento de países em áreas como educação, saúde e meio-ambiente. É uma forma de transferência de recursos para os países menos desenvolvidos.

Os dois órgãos costumam fazer exigências em contrapartida dos empréstimos e doações. Essas imposições são alvos de constantes críticas, já que são consideradas por muitos como prejudiciais à autonomia dos países beneficiados.

Saiba mais sobre o BID e o BIRD nas páginas das instituições na internet.

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Vale muito à pena assistir ao vídeo abaixo. É um programa de televisão, The Last Laugh, em que os absurdos da crise econômica são explicados de forma irônica, por meio de uma entrevista. Só rindo mesmo…

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Está nos jornais de hoje: o governo vai autorizar que bancos emitam algo semelhantes a debêntures. Até agora, isso só pode ser feito por empresas não financeiras. O termo debêntures aparece com frequência no noticiário econômico, mas apesar de não ser usado no cotidiano, poucos se dão ao trabalho de explicá-lo.

A palavra debêntures é de origem latina e significa aquilo que deve ser pago. Nada mais é do que um empréstimo feito por algúem ou uma instituição para uma empresa. Quando você adquire a debênture de uma empresa de telefonia, por exemplo, empresta dinheiro a ela.

Qual a diferença para uma ação? Com a debênture você não passa a ter controle sobre a empresa, ou seja, a ser um de seus proprietários. Essa é uma das vantagens para a companhia dessa forma de captação de recursos, caso ela não queira dividir o comando.

Além disso, esse é um instrumento conhecido por permitir à empresa conseguir grande quantidade de recursos a baixo custo. O prazo de pagamento do empréstimo também é, em geral, mais longo do que nas outras formas de financiamento.

As debêntures são muitas vezes escolhidas pela flexibilidade. A própria empresa define, em contrato, os juros e como vai pagar pelo empréstimo. Assim, ela pode adaptar o pagamento às suas necessidades, de acordo com a expectativa de retorno de um projeto, por exemplo.

Todo o processo é feito por meio de um banco de investimento ou corretora, que lida com os dois lados: empresa e investidor.

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Sob a lupa do economistaCerca de 30 mil brasileiros fazem parte de listas de espera por transplantes de rins. Os pacientes aguardam, em média, durante cinco anos e meio pelo órgão, com penosos tratamentos. Por que então não existe um mercado de rins funcionando? É uma das perguntas que se faz no recém-lançado livro Sob a lupa do economista, de Carlos Eduardo Gonçalves e Mauro Rodrigues.

No caso do transplante de rins, pode-se recorrer a doadores vivos, mas é necessária uma compatibilidade entre doador e receptor. A legislação brasileira, entretanto, como na maior parte do mundo, proíbe a comercialização de órgãos humanos. Valores sociais consideram incompatíveis preços e órgãos.

Os economistas deixam, assim, uma sugestão, que, segundo eles, já vem ganhando popularidade: a troca. A ideia é que uma instituição central cadastre pares de paciente e seu potencial doador. Suponhamos que um paciente tenha um parente disposto a doar, mas com o qual não tem compatibilidade. Ele pode oferecer este doador a outra pessoa e receber, em troca, um compatível com seu organismo.

Ou seja: os economistas propõem uma alternativa à doação e ao comércio: a troca. Isso transforma a transação em algo socialmente aceitável.

O artigo sobre a troca de rins é apenas um dos publicados no livro, em linguagem fácil e didática. A intenção dos autores é explicar conceitos básicos de Economia, além de divulgar resultados de pesquisas acadêmicas recentes. Entre os temas estão cinema, futebol, epidemias, beleza, música e até cerveja.

Agradeço à economista Juliana Scriptore que me alertou para o lançamento do livro. Fiquem atentos aos preços: já encontrei de 47 a 60 reais na internet.

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Charge de AmancioQual o custo de um curso superior em uma faculdade particular? Certamente muito inferior ao retorno que o profissional dará à sociedade. O estudante ou seus pais pagam pelo curso, mas não são só eles que recebem o retorno. Toda a sociedade ganha quando há mais cidadãos formados. A educação produz, assim, uma externalidade positiva.

Segundo Gregory Mankiw, há esse tipo de externalidade quando “o valor social é maior que o valor privado”.

É o que acontece também, como exemplificou o leitor Daniel, quando supermercados não oferecem sacolas plásticas, a fim de forçar os compradores a usar as de tecido ou caixas. O supermercado economiza, mas o valor social da ação é ainda maior: menos sacolas poluindo o meio-ambiente.

Há ainda os supermercados, como o Pão de Açúcar, que oferecem o serviço de coleta seletiva. Você pode deixar lá o seu lixo, devidamente separado, que a empresa dará a ele o destino correto.

Neste caso, há sim uma vantagem para a empresa: a formação de uma boa imagem para o consumidor e as propagandas gratuitas, como a que acabo de fazer (conhecida em Comunicação como mídia espontânea). O valor social desse tipo de iniciativa, entretanto, ultrapassa em muito os benefícios para a empresa.

É exatamente por não devolverem ao pagador todo o retorno do investimento (grande parte fica com a sociedade), que atividades com externalidades positivas tendem a ser menos oferecidas. Uma saída aqui é o governo oferecer incentivos, como ensino gratuito ou subsídios, no caso da educação, ou, por exemplo, dar prioridade em licitações às empresas que têm atitudes sustentáveis.

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Calvin e HaroldoFiquei assustada ontem ao fazer uma compra de apenas 20 reais na papelaria Kalunga. No caixa, recebi, além do comprovante de débito, três vias de uma gigantesca nota fiscal. Uma quarta via ficou com a atendente. Quanto papel gasto por tão pouco! A Economia tem um conceito para isso: externalidade negativa.

Quando a Kalunga gasta tanto papel, que tem como destino certo o lixo, incorre com o custo das folhas. Para ela, papelaria atacadista, isso não deve pesar tanto. Há, entretanto, um custo adicional, para a sociedade, com o qual a empresa não arca: o prejuízo ao meio-ambiente.

Segundo Gregory Mankiw, no livro Introdução à Economia, “uma externalidade surge quando uma pessoa se dedica a uma ação que provoca impacto no bem-estar de um terceiro que não participa dessa ação, sem pagar nem receber nenhuma compensação por esse impacto”.

Há uma forma de minimizar esse tipo de externalidade. O governo pode forçar a empresa a internalizar aquele custo social. Um imposto sobre o papel, por exemplo, desincentiva o desperdício, já que o produto fica mais caro.

Aqui está apenas uma das claras contestações à teoria de Adam Smith. Segundo o economista, o mercado permite que compradores e vendedores que só se preocupam com o próprio umbigo sejam capazes de produzir o máximo bem-estar social possível.

A boa notícia é que existem também externalidades positivas. Você consegue pensar em alguma situação em que elas estão presentes? Voltamos ao assunto em breve.

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