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Archive for outubro \30\UTC 2009

Foto de Bryan ThatcherA prefeitura de São Paulo estuda a possibilidade de reduzir os preços das corridas de táxi nas noites de sexta-feira e sábado. O objetivo é nobre: incentivar aqueles que consomem bebidas alcólicas a chamar um táxi em vez de dirigir. Mas não é tão simples assim.

Há dois resultados possíveis caso a medida seja aplicada. Tudo depende da margem de lucro atual dos taxistas. Imaginemos inicialmente que ela seja excessiva. Caso a prefeitura defina um preço máximo para a viagem que permita um lucro razoável o serviço será oferecido normalmente e o consumidor sairá na vantagem.

Há, entretanto, outra possibilidade: a de que os taxistas já trabalhem com lucros apertados. Neste caso, diante de um preço máximo, muitos teriam um incentivo a mais para não trabalhar nas sextas e sábados à noite, além do desejo de também aproveitar esses horários para lazer. Assim, quando aqueles que beberem em excesso saírem do bar, terão dificuldade em encontrar um táxi disposto a transportá-los.

No começo desta semana o presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, Natalício Bezerra, defendeu que, caso a medida seja aprovada, vai prevalecer a segunda situação. Segundo ele, o limite aos preços vai se somar a outros desestímulos para dirigir nestes horários.

De acordo com Natalício, nenhum taxista gosta de dirigir à noite pela insegurança. Além disso, os bêbados são os passageiros menos desejados. Além de causarem transtornos no transporte, muitos sequer pagam a conta.

É claro que é do interesse dos taxistas defenderem que a margem de lucro é reduzida, mas, pensando bem, não é muito lógico ganhar menos para trabalhar em condições tão ruins.

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A soma dos preços de todos os bens produzidos no Brasil, conhecida como PIB, é a principal referência internacional sobre o desempenho do país. A medida é usada muitas vezes para avaliar o bem-estar dos brasileiros. Sendo assim, qual será a prioridade do governo: incentivar a produção ou a distribuição de renda? Estimular a oferta de mercadorias ou de educação pública?

O reinado do PIB é problemático porque afeta as políticas públicas. É sobre essa conclusão que trabalha desde 2008 uma comissão formada pelo prêmio Nobel Joseph Stiglitz, além de Amartya Sen e Jean-Paul Fitousse. A meta, sugerida pelo presidente francês Nicholas Sarkozy, era identificar os limites do PIB e buscar indicadores mais relevantes de progresso social.

O relatório ficou pronto. O grupo concluiu que há importantes distorções quando o PIB é usado como indicador de bem-estar. Mais congestionamentos no país, por exemplo, podem aumentar o PIB, pela variação no consumo de gasolina. Essa acréscimo, obviamente, não revela melhoria de qualidade de vida.

Uma comissão formada por economistas e cientistas sociais pesquisou questões como felicidade, saúde e bem-estar mental. Em seguida, algumas recomendações do relatório final:

  • Ao avaliar o bem-estar material, deve-se levar em consideração renda e consumo em vez de produção.
  • Deve-se enfatizar a perspectiva das famílias, analisar o padrão de vida. É preciso levar em conta impostos pagos ao governo, benefícios sociais, pagamento de juros por empréstimos.
  • Considerar, além do consumo, a riqueza, o que as famílias de hoje guardam para as gerações futuras.
  • Dar mais destaque à distribuição. Usar a mediana e não só a média (em uma sociedade hipotética em que 4 pessoas ganham 100 reais e apenas uma ganha 1000 reais, a renda média é 280 e a mediana é 100. É claro que a mediana reflete melhor a situação do indivíduo típico dessa sociedade).
  • Ampliar as medidas para atividades fora do mercado, como a da dona de casa que cozinha para os filhos ou cuida de um parente idoso ou da família que cultiva o próprio alimento. Elas têm um impacto importante especialmente em países em desenvolvimento.
  • Considerar o tempo destinado ao lazer. Ganhar um salário mínimo e trabalhar 20 horas por semana é diferente de receber o mesmo valor para trabalhar por 35 horas ou mais.
  • É preciso criar melhores indicadores de saúde, educação, segurança, condições ambientais, participação dos cidadãos no processo político, que nem sempre aparecem nas medidas de renda.
  • Dar atenção ao efeito das desigualdades sócio-econômicas, de gênero, geração e origem no acesso a oportunidades (no Brasil deveria pesar, por exemplo, o fato de as mulheres estarem em piores condições no mercado de trabalho do que os homens).
  • Incorporar aos números avaliações subjetivas, de como cada família sente sua situação social.
  • Criar bom indicadores de sustentabilidade, que incluem a forma de lidar com recursos naturais.

Parte dos membros da comissão avaliou que a crise econômica proporciona um bom momento para trocar de indicadores. Segundo eles, o fato de a crise ter tomado muitos de surpresa indica, entre outras coisas, uma falha no sistema de medidas. Se os indicadores incorporassem a sustentabilidade, segundo o relatório, a visão da performance econômica teria sido mais cautelosa.

Dedico o texto de hoje à leitora Jennifer, que questionou se a felicidade do indivíduo não deveria ser prioridade. Pelo que parece, uma parte dos economistas chegou à mesma conclusão. Veja aqui o relatório da comissão.

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Desigualdade homem e mulherA mulher brasileira está em desvantagem em relação ao homem no mercado de trabalho. E a situação só piorou relativamente a outros países no último ano. É o que mostra o relatório do Fórum Econômico Mundial, a partir de um levantamento com 134 países. O Brasil caiu da posição 73 para a 82.

Na pesquisa, são comparadas as realidades do homem e da mulher com relação a salário, acesso a empregos de mais alta qualificação, à educação básica e avançada, representação política e questões relacionadas à saúde, como expectativa de vida.

O Brasil peca principalmente nos salários. Quando se compara um homem e uma mulher com funções similares, a mulher muitas vezes tem o pior salário. Se considerarmos apenas esse quesito entre os países pesquisados, o Brasil cai para a posição 114.

Também tivemos resultados especialmente ruins para a taxa de mulheres matriculadas na educação primária e para a participação política feminina. Já no quesito saúde, a pesquisa não revelou diferença importante entre homens e mulheres.

O Brasil ficou atrás dos vizinhos Argentina (24), Guiana (35), Peru (44), Colômbia (56), Uruguai (57), Chile (64), Paraguai (66), Venezuela (69) e Suriname (79).

No ranking de igualdade entre homens e mulheres, a Islândia ocupa o primeiro lugar, seguida de Finlândia,  Noruega, Suécia e Nova Zelândia.

Agradeço ao Fernando que sugeriu o tema. Você também pode dar sua sugestão ou deixar sua dúvida. É só clicar aqui.

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burocraciaO nome é Poupatempo. Imagina se não fosse. Gastei o dia inteiro hoje em um desses postos de serviços públicos rápidos com o objetivo de transferir um carro para o meu nome. Além do tempo que, claro, é dinheiro, foram-se ao todo 278 reais!

A peregrinação começou ontem, no cartório, onde era preciso reconhecer firma do antigo proprietário do carro. Tenho uma implicância especial com aqueles vidros que separam o atendente de quem precisa do serviço. Parece que eles são feitos para prejudicar a comunicação.

Hoje tudo começou no posto do Poupatempo do Campinas Shopping, no balcão de informação. Fui direcionada para uma fila de triagem, onde a funcionária disse, já me dispensando, que eu precisaria voltar ao cartório porque a firma tinha sido reconhecida fora de São Paulo. Neguei e ela, depois de virar o documento de todos os lados, fez uma cara feia e me entregou a primeira senha.

Dessa vez a atendente imprimiu um monte de folhas e marcou em uma ficha valores que eu deveria pagar. Tive que pagar como se fizesse o primeiro registro do veículo, já que o carro é de Brasília e a transferência era para cá. Além disso, paguei pelo novo emplacamento. Parece que estou transferindo o veículo de país. Só descobri o motivo de tantas taxas porque resolvi voltar e perguntar.

Agora era a vez de pagar. Nova fila para triagem. Nova senha para pagamento. Junta tudo e vai atrás de uma oficina credenciada que faz um laudo. O rapaz tira umas fotos, eu não entendo nada e vão-se mais 40 reais. O Detran não podia fazer essa parte na vistoria?

Agora sim a vistoria. Era a parte que mais temia. Com meu outro carro, no Detran de Brasília, cheguei a voltar para casa sem o serviço cansada de ser mal tratada. Isso porque existe a figura do despachante, que enfrenta a burocracia por quem paga por isso. Os funcionários públicos ficam mal acostumados e tratam todo mundo como se aquilo fosse algo trivial, de que todos são obrigados a saber os passos. Eu não estava disposta a pagar. É um serviço público e qualquer cidadão tem que ser capaz de usufruir dele.

Começamos mal. Estacionei o carro onde me mandaram e entreguei a chave para o funcionário. Ele riu com deboche. Só depois entendi: tinha que ficar dentro do carro e fazer o que ele mandava. Mas, como ia adivinhar? E lá fui eu àquele ritual de liga seta, freia, etc. Tudo mal explicado, de forma que eu me sentisse bem fora do lugar.

Enfim, trocaram toda aquela papelada por duas. E, com elas, eu busco na quinta-feira o documento do carro. Será que não dava para mandar pelos Correios? E a peregrinação ainda não acabou: tenho que ir a outro lugar, que nem sei onde fica, trocar a placa de Brasília para Campinas.

O pior de tudo é que em abril do ano que vem estou de mudança para São Paulo. Será quanto tempo demora e quanto custa para fazer uma transferência de endereço? Prefiro nem pensar agora!

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Foto: AP PhotoÉ comum a crença de que a imensa população chinesa será capaz de tomar o lugar dos consumidores norte-americanos, que devem rever hábitos exagerados de consumo depois da crise. Uma matéria da The Economist neste mês mostra que não é tão simples assim. A economia chinesa não está de braços abertos aos produtos e serviços estrangeiros.

A reportagem exemplifica com o fracasso no ramo de medicamentos: a China responde por menos de 2% das vendas globais de gigantes como Pfizer, AstraZeneca e Bayer. No que se refere a bens de consumo, a Procter & Gamble (proprietária de marcas consagradas como Gillette, Duracell, Wella, Always) alcança no país menos de 5% de suas vendas totais. Os índices são muito baixos para o país mais populoso do planeta.

Diante da recessão, o desejo de pegar carona no crescimento chinês ganhou impulso. Mas, segundo o professor Ronald Schramm, ainda que a economia do país cresça 8% este ano, a meta oficial, o impacto sobre a venda das empresas ocidentais será praticamente nulo. Menos de 7% das exportações dos EUA e da Europa têm o país como destino.

Alguns produtos têm tido melhor resultado na China: bens de luxo, cabos de fibra ótica, aviões, petróleo, minério e resíduos recicláveis. Mas, segundo a matéria, ainda há vários impedimentos legais e obstáculos ocultos para que essas empresas consigam chegar ao consumidor. O fim dessas barreiras foi uma promessa, pelo jeito não cumprida, do governo chinês em 2001, quando o país aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Entre as áreas mais fechadas para o estrangeiro estão telecomunicações, exploração de petróleo, indústria farmacêutica, bancos e seguradoras, que permanecem ferozmente protegidos. Os obstáculos incluem, além do protecionismo, a burocracia e a corrupção. Pesquisas feitas por grupos de pressão pelo mercado chinês revelam queixas de subsídios aos concorrentes, regulamentos conflitantes, falta de proteção à propriedade intelectual e burocracia arbitrária e opaca.

O governo chinês mantém políticas polêmicas para proteger as companhias locais, como acesso preferencial a terrenos ou ao crédito e facilidades no enfrentamento da burocracia. As cotas de publicidade para empresas também são controladas pelo Estado. Os empresários enfrentam ainda dificuldade para conseguir notícias confiáveis sobre negócios. A maior parte dos obstáculos some para quem resolve produzir localmente, empregando trabalhadores chineses. Foi o que fez a Goodyear.

Há ainda um fator a considerar para fazer sucesso na China: as preferências da população. Entre elas, a matéria destaca o gosto pela variedade. Uma marca de pasta de dente, por exemplo, ganha lá sabores alternativos como limão, chá, morango, sal e mel.

Polêmicas, as medidas de protecionismo chinesas deixam uma certeza: o mercado chinês não é um substituto óbvio para o norte-americano.

Clique aqui para ler a matéria completa.

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Ao criar um imposto incidente somente sobre a bolsa brasileira, fará com que a liquidez das principais ações brasileiras migre para bolsas estrangeiras, prejudicando fortemente o projeto de criar, no Brasil, um centro financeiro de relevância mundial”.

Márcio Garcia, professor do Departamento de Economia da Puc-Rio, em artigo para o Valor Econômico.

 

…a introdução recente de uma alíquota de IOF de 2% sobre as aplicações em renda fixa e variável por parte de não-residentes é um primeiro passo na direção de diminuir a intensidade da entrada de fluxos de capitais – ainda que tímido. Para ter alguma eficácia, o governo deverá fazer um monitoramento atento das transações financeiras para detectar quaisquer movimentos de disfarce dos fluxos de capitais para renda fixa e ações em ‘investimento externo direto'”.

José Luis Oreiro, professor do Departamento de Economia da UnB e Luiz Fernando de Paula, da UERJ, em artigo no Valor Econômico.

 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, terá de pensar em um novo expediente, se quiser promover a valorização do dólar para atender os exportadores”.

Editorial do Estado de S. Paulo

 

Estão chorando de barriga cheia, porque nunca na história de um governo a Bolsa de Valores teve uma expansão tão fantástica quanto na nossa administração”.

Mantega, em entrevista à Folha de S. Paulo sobre dirigentes da Bovespa, que reclamaram do risco de os recursos migrarem para a Bolsa de Nova York.

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Desde terça-feira, o estrangeiro que quer comprar ações das empresas ou títulos do governo brasileiro tem que pagar uma taxa. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 2%, tem causado enorme polêmica.

A justificativa do governo brasileiro é evitar a valorização excessiva do Real, que prejudica os exportadores brasileiros (veja o motivo). O Brasil destacou-se em meio à crise internacional e muitos dólares têm entrado no mercado para investimento, principalmente em ações. O dólar torna-se mais acessível no mercado interno e, assim, mais barato.

O jornal Financial Times defendeu a medida hoje em editorial. Afirmou que o fluxo excessivo de capital para o mercado pode trazer mais estragos que benefícios e que é preciso evitar uma bolha, outra justificativa do governo para criar a taxa. O jornal apresentou um dado: a média de investimento direto externo no país em agosto foi a metade de um ano atrás, enquanto os fluxos para carteiras de investimento mais que duplicaram.

O investimento direto, que vem caindo, não vai ser taxado. Esse é o caso quando o estrangeiro passa a ter controle total ou parcial sobre uma empresa brasileira, com o objetivo de participar da gestão. Já o investimento de portfólio, que vem subindo e passou a ser taxado, é considerado mais volátil, com intenção apenas de lucrar com o sobe e desce das ações. Muitos questionam seus benefícios para o país, já que, ao menor sinal negativo, eles saem em massa, provocando movimentos rápidos no câmbio.

O imposto faz com que, para ser vantajoso investir no país, seja necessário deixar o dinheiro mais tempo por aqui. E é exatamente essa uma das principais críticas à medida. Entidades defensoras do mercado financeiro defenderam que a taxa não é suficiente para impedir a valorização do Real e que ainda pode prejudicar a captação de recursos pelas empresas, que vão ter mais dificuldade para vender ações.

A medida acabou em briga até dentro do governo. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, disse hoje que não haverá benefício para o exportador, só a arrecadação é que vai aumentar.

Conselheiro informal do presidente Lula, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo afirma que os críticos da taxa defendem interesses próprios e que ela dificulta sim o ingresso de capitais. Ele destaca o fato de a moeda valorizada gerar no exterior empregos que poderiam ser brasileiros. Isso porque nossas exportações ficam prejudicadas, enquanto as importações são beneficiadas. Belluzzo engrossa, entretanto, o coro sobre a insuficiência da medida.

Parece haver certa unanimidade de que a influência sobre o câmbio não será significativa. Há, inclusive, manobras que permitem aos estrangeiros investir em ações brasileiras sem pagar o IOF. No primeiro dia da medida, o Real desvalorizou-se, mas voltou a subir logo no dia seguinte e permaneceu estável nesta quinta-feira.

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