Feeds:
Posts
Comentários

Archive for novembro \30\UTC 2009

Se você já teve um carro sem seguro, provavelmente dirigia com muito cuidado, evitava estacionar na rua, instalava todos os equipamentos de segurança imagináveis, além de várias outras precauções. É o que costumam fazer as pessoas quando compram um carro zero até que o seguro seja feito.

A partir do momento em que o carro está segurado, vários motoristas relaxam: o prejuízo será muito menor em caso de batida ou furto. Essa mudança de comportamento a partir da contratação do seguro é um dos exemplos mais nítidos de risco moral.

Segundo Pindyck e Rubinfeld, há risco moral “quando uma parte apresenta ações que não são observadas e que podem afetar a probabilidade ou a magnitude de um pagamento associado a um evento”.

No caso da seguradora, ela é incapaz de monitorar seu cuidado com o carro. Por isso, é provável que você seja um pouco mais descuidado e aumente a probabilidade de furto ou colisão. Assim, ela tem mais risco de ficar no prejuízo.

O risco moral também se aplica aos planos de saúde. Muitas pessoas passam a visitar o médico com mais frequência, às vezes por motivos banais, quando estão seguradas.

Como isso afeta os preços dos seguros? Na hora de decidir quanto cobrar as empresas precisam levar em conta a probabilidade de uma pessoa ir ao médico ou de um carro ser furtado, por exemplo, quando estão segurados. Ela será maior do que para indivíduos sem seguro. Resultado: o preço do seguro é maior do que se todos mantivessem os cuidados anteriores a ele.

O conceito de risco moral já tinha aparecido de relance no blog, você se lembra? O assunto era a lotação dos hospitais por causa dos rumores de gripe suína. Veja aqui.

Read Full Post »

Este não é obviamente um blog de fofocas, mas atendendo a sugestões não vou resistir a fazer uma… O pivô é o atual presidente do Palmeiras e renomado professor do Instituto de Economia da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo.

Como presidente do clube, ele tem levantado polêmica por supostamente incitar a torcida à violência.

Pelos corredores da Unicamp, a surpresa é total quanto ao comportamento de Belluzzo. No ambiente econômico ele é reconhecido pela atitude conciliadora. Diz-se que, em um debate com duas opiniões divergentes, era capaz de defender as duas.

Comenta-se até que o professor era um dos poucos a conseguir acalmar a temida Maria da Conceição Tavares, economista reconhecida pelo jeito apaixonado, com frequência até agressivo, de defender suas idéias.

Difícil é aceitar que o verdadeiro Belluzzo é esse de agora depois de décadas de comportamento diplomático. Parece mesmo é que o futebol mexe muito com as pessoas e desperta infinitamente mais paixões do que o pensamento econômico…

Read Full Post »

Sabe quando morre um milionário e surge gente de todo lado para brigar pela herança? É mais ou menos isso que tem acontecido com o petróleo do pré-sal. Só que neste caso a disputa não é pela herança, mas pelos royalties.

Os royalties são o dinheiro pago ao Estado pelas empresas escolhidas para explorar o petróleo na camada pré-sal. O destino desses recursos será definido por uma lei.

Como há muito dinheiro em jogo, a briga é grande, com dois personagens principais: o grupo dos estados que produzem petróleo, principalmente Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, e o dos que não produzem, com liderança do nordeste.

O projeto de lei que trata da partilha dos recursos aumenta o percentual dividido entre todos os Estados e municípios brasileiros de 7,5% para 44%. Assim se pretende garantir que os recursos colaborem com o desenvolvimento do país de forma equilibrada.

Acontece que o projeto atual exclui dessa distribuição mais igualitária a exploração da camada pré-sal que já foi licitada, estimada em 28% do total. Os representantes nordestinos alegam que o restante só será explorado daqui a cerca de 20 anos. Enquanto isso, eles ficariam com parcela pequena da partilha.

A briga esquentou essa semana e, pela falta de consenso, a votação do projeto de lei foi adiada para a semana que vem.

Foi a Mayk, do Espírito Santo, que sugeriu o tema da partilha dos royalties do pré-sal. Agora que o tema foi introduzido vou procurar compartilhar com vocês os argumentos do debate aos poucos, certo? Quem tiver outras sugestões pode clicar aqui.

Read Full Post »

Grande parte da resposta a essa pergunta está em um conceito utilizado em economia, o de externalidade de rede. É simples: um dos principais fatores a se levar em conta na hora de escolher entre os dois sites de relacionamento é procurar saber em qual está a maior parte de seus amigos.

Segundo Pindyck e Rubinfeld, há externalidade de rede quando a demanda de um consumidor também é influenciada pelas demandas dos outros ou pelo número de consumidores que já adquiriram determinada mercadoria ou serviço.

No caso do site de relacionamentos há externalidade de rede positiva: sua escolha tenderá para aquele que tiver atraído mais pessoas de seu círculo social.

Há externalidade positiva em vários produtos de moda e para aqueles que exigem compatibilidade. Um aparelho de fax ou a tecnologia de enviar um e-mail teriam pouca utilidade se só você tivesse acesso a eles.

Há ainda a externalidade de rede negativa. Um caso típico é o efeito esnobação, apresentado por Pindyck e Rubinfeld. Uma obra de arte pode tornar-se menos desejada à medida que é reproduzida várias vezes, já que perde a exclusividade. O mesmo vale para automóveis de luxo e grifes famosas, que dão peso à marca ao cobrar preços altos.

As externalidades de rede afetam a forma de inserção de um produto no mercado. Quem toma a iniciativa ou conquista o mercado primeiro pode ser privilegiado pela adesão dos consumidores, ainda que não tenha maior qualidade que os concorrentes.

Read Full Post »

Acabo de voltar de três dias de turista de primeira viagem na cidade maravilhosa. Não há dúvida de que o Rio de Janeiro faz juz ao título. A questão é se está preparado para receber turistas e, mais ainda, para ser a sede da Olimpíada de 2016.

Para quem começa o passeio pelo Cristo Redentor a sensação é desoladora. Havia apenas um guichê para atender uma longa fila e o caixa preferencial estava fechado. Por 36 reais é possível subir de trem, quando se passa pelo Parque Nacional da Tijuca, a maior floresta urbana do mundo, o que só soube agora por uma pesquisa na internet.

O trem deveria ter guia ou áudio gravado para explicar o que se passava. Na primeira parada, muitos acharam que o trem tinha enguiçado. Ninguém explicou o que era o prédio abandonado do Hotel das Paineiras, que já recebeu hóspedes ilustres, como o presidente Getúlio Vargas e a seleção brasileira de 1970.

A visita pelo centro da cidade é ainda mais inviável para turistas, principalmente estrangeiros. Custei a descobrir o que eram vários edifícios imponentes e alguns até agora não sei o que são. Em muitos lugares, a sensação de insegurança impedia de sacar a câmera fotográfica, como nos Arcos da Lapa.

Só descobri que estava no Paço Imperial, sede do governo brasileiro no século dezoito, ao me juntar a um grupo de turistas estrangeiros com guia próprio. Não havia qualquer placa na entrada com essa informação.

No Museu Nacional de Belas Artes, outra decepção: a exposição permanente estava fechada para visita. Segundo um segurança, uma parte estava isolada há muito tempo e a outra só naqueles dias por problemas no ar condicionado.

É preciso fazer justiça ao Pão de Açúcar, o único lugar onde as informações eram fáceis e o atendimento de qualidade.

Para completar a viagem, tive alguns problemas com taxistas. Uma não apareceu na hora marcada, outro foi mal educado e o último usou como rota alternativa ao congestionamento, às dez horas da noite, sem fazer qualquer pergunta aos passageiros, o morro da Mangueira. Sem problemas, já que ele não respeitou os semáforos e fez tudo a 100 quilômetros por hora.

Na preparação para as olimpíadas, é preciso lembrar que uma placa, um folheto ou um recepcionista são investimentos simples e eficientes, que a insegurança prejudica (e muito) o turismo e que não só de belezas naturais (ainda que elas sejam muitas) se faz uma cidade.

Read Full Post »

Ainda para te ajudar a compreender a previdência e o debate que ela levanta, vou explicar o formato brasileiro, o regime de repartição. Por ele, o dinheiro de quem contribui hoje é usado para pagar a aposentadoria de quem não está trabalhando.

Assim, os idosos de hoje não recebem o dinheiro e os rendimentos do que pagaram durante o período de trabalho. Eles são sustentados pela geração que trabalha agora. Seu dinheiro foi usado por alguma geração de idosos no passado.

É o que alguns autores chamam de solidariedade itergeracional, segundo o Economia do Setor Público no Brasil, apesar de não ser exatamente um ato solidário, já que é obrigatório.

O regime de repartição é o adotado pela maior parte dos países. Existe ainda o regime de capitalização. Por ele, suas próprias contribuições são aplicadas. Desse fundo e dos rendimentos dele sairão sua aposentadoria. Assim, cada geração é responsável por si. É semelhante ao que acontece com a previdência privada.

O livro Economia do Setor Público no Brasil dá uma justificativa para a escolha majoritária do regime de repartição: quando os sistemas previdenciários começaram a surgir, no século XIX, a população e os salários estavam em crescimento acelerado. Assim, a geração de trabalhadores ampla e melhor remunerada garantia aos idosos retornos melhores do que se fossem usufruir do dinheiro próprio acumulado durante a vida ativa.

Acontece que a população começa a envelhecer, a taxa de natalidade cai, e daí vem grande parte do debate: o sistema é sustentável? Será que a geração atual é capaz de oferecer uma aposentadoria digna para esse número crescente de idosos?

Alguns conceitos principais já estão aí. A partir de agora, trarei notícias e debates relevantes sobre o tema.

Read Full Post »

Previdência social é um termo que ronda a vida de todo mundo, mas muita gente não conhece bem. Ela tem uma função importante: assegurar que você possa manter-se, assim como a seus dependentes, quando tiver redução ou perda da capacidade de trabalho.

É a previdência que vai garantir o dinheiro mensal para pagar suas contas quando você estiver idoso (ou idosa) ou ficar doente. No Brasil, a previdência social é um direito assegurado na Constituição.

Mas de onde vem esse dinheiro? Só tem direito ao benefício quem contribuiu durante o período de trabalho. E essa contribuição já vem, para muitos, descontada na folha de pagamento.

Há dois argumentos para a obrigatoriedade, apresentados por Luís Eduardo Afonso no livro Economia do Setor Público no Brasil. Primeiro: se ela for opcional, você pode preferir gastar mais dinheiro durante sua vida ativa e, depois, esperar que o Estado garanta seu sustento.

O segundo, defendido por outros autores, é que, como pode se passar muito tempo entre a sua decisão de poupar e o gasto desse dinheiro, você pode calcular mal suas necessidades na velhice. É a chamada miopia. Por isso, cabe ao Estado definir as regras de contribuição.

Mas e o profissional liberal? Para esses e pessoas que consideram a aposentadoria pública insuficiente, é possível recorrer a uma previdência privada. Nesse caso, você paga certo valor voluntariamente enquanto trabalha e passa a receber quando interrompe a vida ativa. Alguns tipos até permitem saques anteriores.

Há casos de empresas que pagam uma parte da previdência privada, para que o empregado só complemente. Quem não tem essa possibilidade pode recorrer diretamente a um banco ou seguradora. Aí os planos são muitos e surgem aquelas siglas chatas, como PGBL e VGBL.

Já recebi algumas dúvidas no blog como do Daniel e da Maitê sobre a previdência. Fiz um post conceitual e deixo para apresentar as críticas ao sistema outra vez, para não ficar muita informação. Sobre a previdência privada, como essa não é bem a minha praia, indico uma opção para quem quer mais detalhes: o Dr. Previdência.

Read Full Post »

Older Posts »