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Archive for janeiro \29\UTC 2010

Como uma epidemia pode afetar a economia de um país? Quais grupos estão mais sujeitos a certa doença? Quais as chances de um candidato ser eleito? Perguntas complexas, que envolvem um grande número de possibilidades, não é? Um novo curso da USP, a pós-graduação em Modelagem de Sistemas Complexos, pioneiro no Brasil, promete ajudar a responder questões como essas.

Em entrevista à agência USP, a vice-coordenadora do curso, Flávia Mori, explica que sistemas complexos são todos aqueles que envolvem múltiplos agentes e variáveis, como moléculas ou pessoas, que interagem entre si e com outras variáveis no meio em que estão localizados.

O ponto de partida é a curiosidade, o questionamento, mas responder a essas perguntas envolve muita Matemática e Estatística. Os alunos do curso vão aprender a usar métodos computacionais avançados para compreender fenômenos da Economia, Política, Biologia, e até questões ligadas à moda, por exemplo.

Carlos de Brito, professor do curso, citou à agência USP o exemplo das cadeias alimentares, que são complexas. Um modelo poderia ajudar a compreender o que acontece se uma espécie for retirada da natureza. Seria o caso de algum animal que entra em extinção, por exemplo.

Como as questões são amplas, o curso espera reunir físicos, engenheiros, economistas, biólogos, sociólogos, historiadores, administradores, entre outros. O mestrado é gratuito e pode ser concluído em até 30 meses. O aluno pode receber bolsa de entidades como Capes, CNPq e Fapesp.

As inscrições para a seleção, marcada para 6 de março, já estão abertas e vão até 26 de fevereiro.

Agradeço ao professor Carlos de Brito que informou sobre o curso. Você pode clicar aqui para ter mais informações. Aproveito essa divulgação para abrir uma nova categoria de posts, em que pretendo divulgar cursos e palestras sobre Economia. Se você tiver alguma indicação, é só mandar um e-mail para blogeconomiaclara@gmail.com.

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O Banco Central resolveu manter os juros básicos brasileiros em 8,75%. Estamos em um momento de bonança da economia brasileira, mas a nossa taxa real é a maior do mundo.

A taxa nominal de juros é paga a quem empresta dinheiro ao governo brasileiro, ou seja, compra títulos públicos. Mas, na realidade, essas pessoas ganham a taxa real, aquela que se obtém depois de descontar a inflação do período.

Os títulos brasileiros são os mais bem remunerados do mundo. Isso seria fácil de explicar se os investidores sofressem alto risco de levar calote do governo e se o Brasil fosse o pior país do mundo para se investir. Aí sim o governo teria que pagar muito para conseguir financiar sua dívida.

Apesar das contradições, os analistas estimam que a taxa mais alta do mundo, que caiu bastante em 2009, vai retomar a trajetória de alta em 2010. Isso porque ela serve de referência para todos os juros do mercado e o governo teme que o estímulo à economia faça acelerar a inflação.

O Banco Central não deixou pistas na nota dessa reunião. Ao contrário do que muitos esperavam, a decisão foi unânime e o Comitê de Política Monetária (Copom), que define a taxa, afirmou ainda não ter definido os próximos passos da política.

Mas é bom refletir se um país como o Brasil precisa mesmo aumentar ainda mais sua taxa de juros e, assim, conter investimentos, empregos e crescimento econômico.

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Lidamos diariamente com dinheiro, seja em notas ou moedas (poderíamos até incluir aqui o já tão cotidiano débito automático). Pouco paramos para pensar na importância dessa invenção para as nossas vidas.

É a existência da moeda que permite ao médico dedicar-se apenas aos seus pacientes, sem se preocupar em plantar arroz e feijão ou produzir roupas e sapatos, por exemplo.

É a moeda que torna possível evoluir de uma sociedade de trocas diretas (em que o médico só poderia comer arroz quando o produtor do cereal estivesse doente) para uma de trocas indiretas (em que o médico pode comprar o arroz com o dinheiro pago por outro paciente).

O livro Economia Monetária e Financeira, de Fernando Cardim e outros autores, traz uma explicação simples para o conforto que a existência do dinheiro nos proporciona:

Por exemplo, diante de uma chuva inesperada, um indivíduo desejoso de adquirir um guarda-chuva e que tivesse um excedente de laranjas teria que encontrar alguém que tivesse um excedente de guarda-chuvas e que desejasse trocar, naquele momento, uma parcela desse excedente por laranjas. Esse tipo de coincidência é chamado de coincidência mútua e complementar de necessidades. Elas podem ocorrer, mas certamente são raras e sua busca desgasta física e mentalmente os interessados em transações tão específicas”.

Os autores explicam que as trocas diretas somente são eficazes em economias primitivas, em que as famílias são praticamente auto-suficientes. As necessidades básicas são atendidas dentro de casa e apenas o excesso é trocado.

A economia monetária, portanto, facilita as transações. Lembre-se disso da próxima vez que cair uma tempestade e você precisar apenas estender a mão para comprar um guarda-chuva.

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O Banco Central divulga, nesta quarta-feira, o preço do dinheiro no Brasil. A estimativa da maior parte dos analistas é que a taxa básica de juros, a Selic, vai continuar em 8,75%. O mistério reside no restante do ano: o Bacen vai aumentar a taxa básica, ou seja, vai aumentar o preço do dinheiro, vai cortar o estímulo à economia brasileira? Em quanto?

A Selic é tão importante porque serve de referência para os juros cobrados pelos bancos. Mas por que o governo tomaria uma medida que deixa o crédito mais caro para pessoas e empresas? O argumento é a inflação.

A economia brasileira está em alta no momento, o que significa muito dinheiro em circulação. Se não houver investimento em novas plantas, mais equipamentos e contratação de empregados, poderá haver mais dinheiro do que produtos no mercado. O resultado pode ser aumento nos preços.

Eu disse pode… Se a moeda brasileira estiver valorizada, esse dinheiro em excesso pode transformar-se em importações e não em inflação. Isso é interessante para indústrias que dependem de tecnologia importada, por exemplo. Mas a recente queda do Real deixou muitos pessimistas quanto a essa possibilidade.

De qualquer forma, a taxa de juros é um limite para o crescimento da economia. Quando o Bacen aumenta a taxa para que não haja demanda em excesso, também contém os investimentos que poderiam suprir essa demanda no futuro.

É por isso que alguns analistas sugerem caminhos alternativos à elevação da Selic. O governo pode, por exemplo, evitar a inflação se ele mesmo colocar menos dinheiro no mercado, cortando gastos supérfluos.

Mas a polêmica é grande. Há divergência sobre a necessidade de elevar os juros, sobre em quanto ele deve ser elevado, caso seja, e em que momento. Existe ainda quem defenda que a meta de inflação do Banco Central é baixa e que seria possível conviver com o nível de preços um pouco mais elevado em prol do crescimento.

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A crise econômica mundial começou no setor imobiliário dos EUA, mas espalhou-se pelo mundo. De uma forma bem simplificada, tomadores de crédito de um tempo de bonança viram-se incapazes de arcar com as dívidas e a inadimplência espalhou-se pelo sistema. Os resultados são o desemprego e o encolhimento das economias. Como isso é possível? A música O Malandro, de Chico Buarque, faz uma excelente caricatura dessa transmissão e mostra como, em Economia, tudo está interligado.  Veja abaixo:

O malandro

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português

O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita (ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçon

O garçon vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação

Podemos substituir o malandro de Chico Buarque por um Ninja (No income, no job, no assets), nome dado aos americanos que tomaram empréstimos sem comprovar renda, emprego ou a propriedade de qualquer ativo no período de boom. É claro que, nesse caso, eles não eram malandros, mas vítimas do sistema.

A música de Chico Buarque faz parte da Ópera do malandro, baseada na Ópera dos três vinténs, de Bertold Brecht e Kurt Weill, e na Ópera do mendigo, de John Gray. Agradeço pela sugestão do economista Bruno De Conti, que lembrou da música como uma bela analogia com alguns aspectos da crise que vivemos.

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Saiu esta semana no jornal O Estado de S. Paulo:  a inflação divulgada pelo governo argentino em 2009 foi de 7,7%.  O mesmo cálculo, feito por consultorias independentes, chegou a um valor bem diferente: algo entre 15% e 16%.

Não adianta esconder os números da população. Quando fui a Buenos Aires, em junho do ano passado, relatei aqui o que me disse um taxista. Ele observava, nas prateleiras, o forte aumento de preços, especialmente do leite.

“Não há país no mundo que oculte sua inflação, como a Argentina faz. É um horror essa política consciente de enganar o público sobre um índice econômico”, afirmou indignado o pesquisador da Columbia University, Jose Antonio Ocampo, em palestra do Laporde.

Ocampo chamou a atenção para a impossibilidade de acreditar em outros índices argentinos, como a taxa de crescimento divulgada pelo governo. E concluiu: “Não pode haver decisão racional sobre políticas sem estatísticas corretas”.

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O Real vale 20 a 25% a mais do que seria ideal para o crescimento da economia brasileira. É o que revela uma pesquisa apresentada pelo secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, em palestra do programa Laporde, na última sexta-feira.

Quando o Real valoriza-se, as outras moedas ficam mais baratas para nós. O importador vai pagar menos pelo equipamento importado. Isso facilita investimentos e, ao trazer produtos concorrentes, controla os preços do que é produzido internamente.

Em contrapartida, o Real fica mais caro para os estrangeiros. Isso significa que eles vão pagar mais pelos produtos brasileiros. Eles devem responder trocando nossos fornecedores pelos de outros países. Resultado: nossas indústrias perdem clientes no exterior e nós corremos o risco de perder empregos.

Foi exatamente essa análise de prós e contras que levou Barbosa a desenhar uma curva. Até certo ponto, a valorização do Real estimula o crescimento. A partir de então, a economia brasileira passa a ser prejudicada.

Assim, Barbosa identificou qual seria o ponto ideal para o câmbio e concluiu: na situação econômica atual, o crescimento máximo, de 4,8% anual, ocorreria se o Real fosse desvalorizado em cerca de 25%.

O secretário afirmou que o governo tem tomado providências para evitar que o câmbio prejudique o crescimento, mas ressaltou que não há um valor específico a ser perseguido.

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