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Archive for fevereiro \25\UTC 2010

Banco Central, o emprestador de última instânciaAtualmente, pouquíssimas pessoas mantêm muito dinheiro no bolso. Elas têm contas correntes em que fazem depósitos. Quando precisam de dinheiro, fazem saques ou recorrem a um empréstimo.

E como ficam os bancos? É claro que eles não mantêm o dinheiro que você deposita guardado, mas fazem empréstimos com ele. Se você e muitos outros resolverem sacar recursos de seu banco hoje, ele pode fechar o dia no negativo.

É por isso que os bancos também têm seu banco, o Banco Central, onde cada um mantém uma conta de reservas. Como você, eles depositam os excessos em dia de saldo positivo e pegam dinheiro emprestado quando ele é negativo.

Por meio do chamado mercado interbancário, os bancos emprestam dinheiro uns aos outros. Obviamente, eles cobram e pagam juros por isso.

Pode ocorrer, entretanto, que grande quantidade de bancos tenha saldo negativo no mesmo dia. Os saques podem ocorrer simplesmente porque é fim de ano e começo das férias ou pelo medo causado por uma crise internacional, por exemplo.

Com a demanda excessiva por recursos, os juros do mercado entre bancos poderiam subir demais. Ao pagarem mais por recursos, os bancos também cobrariam mais por eles. Os juros altos chegariam ao seu bolso. Para evitar essas oscilações, o Banco Central pode entrar com uma oferta extra de reservas.

A atuação do Banco Central, ofertando mais ou menos recursos, vai permitir que a taxa cobrada no interbancário suba mais ou menos, ou até caia. À média das taxas das operações de um dia é dado o nome de taxa Selic, da qual você já deve ter ouvido falar.

Os juros que você paga, quando o dinheiro chega às suas mãos, são muito afetados por toda essa dinâmica. O Bacen pode manejar esse tipo de política de forma a controlar a disponibilidade de dinheiro na economia. Ele faz isso por meio de metas para a Selic, política monetária sobre a qual sempre falamos por aqui.

Uma excelente fonte para compreender essa dinâmica é o livro Economia Monetária e Financeira, de Fernando Cardim de Carvalho e outros autores.

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Tive uma bela surpresa hoje ao conhecer o blog do estudante de economia Diego de Paula, o Economia em Pauta. Nele encontrei um trecho do economista John Maynard Keynes que não conhecia. Para Keynes, o grande economista…

… deve ser matemático, historiador, estadista, filósofo… deve entender os símbolos e falar com palavras. Deve contemplar o particular nos termos do genérico, e tocar o abstrato e o concreto na mesma revoada do pensamento. Deve estudar o presente à luz do passado com objetivos futuros. Nenhuma parte da natureza humana ou das suas instituições deve ficar completamente fora do alcance de sua visão. Ele deve ser decidido e desinteressado com a mesma disposição; tão distante e incorruptível quanto um artista, e ainda assim tão perto da terra quanto um político”.

O Diego encontrou o trecho de Keynes no livro Novas idéias de economistas mortos, de Buchholz. Brilhante!

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Algumas pessoas têm o costume religioso de comer peixe na quarta-feira pós-carnaval. Se os mercados e feiras não estiverem preparados (ou não tiverem como se preparar) para esse aumento na demanda, o que deve acontecer com o preço? Subir.

Alguns não estarão dispostos a pagar e sairão do mercado. Podem resolver consumir ovo, por exemplo, levando a um aumento no preço deste alimento. Em contrapartida, o excesso de carne vermelha no mercado pode levar a uma queda no seu preço.

Chamamos os preços do peixe, dos ovos e da carne vermelha, que variam ao sabor do mercado, de preços livres.

Aqueles que não são determinados por essa dinâmica são chamados de preços administrados. No caso deles, órgãos públicos determinam ou influenciam os preços.

Estão entre os preços administrados o gás encanado, a gasolina, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), as taxas de água e esgoto, as tarifas de telefonia, o pedágio, o transporte público e as taxas de cartório.

Até os jogos em loteria têm preços administrados. O fato de mais ou menos pessoas fazerem suas apostas não deve afetar o valor. Isso porque as variações nos preços são reguladas pelo governo federal.

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Em entrevista ao Valor Econômico de hoje, o economista Delfim Netto afirmou que o Real valorizado está destruindo nossas cadeias produtivas: “Isso está destruindo o que tínhamos de mais precioso, que era uma indústria extremamente sofisticada e diversificada”.

Como o Real valorizado pode prejudicar as nossas indústrias? Com a moeda forte, as moedas estrangeiras ficam mais baratas para os brasileiros. Assim, podemos importar mais.

Muitos produtos estrangeiros que entram baratos no mercado são concorrentes dos fabricados no Brasil. As empresas podem ficar prejudicadas, demitir empregados e até falir.

Quando as importações superam as exportações, fala-se que o país tem déficit em conta corrente. Para Delfim, esse fato não assusta. Segundo ele, essa situação não vai impedir o país de crescer 7% ao ano nos próximos 5 anos.

E, depois desse período, Delfim acredita que a venda de petróleo da camada pré-sal vai fazer as exportações subirem, resolvendo o déficit. O problema maior, para o economista, são as indústrias que morrerão pelo caminho.

Outra declaração enfática de Delfim foi sobre a moeda chinesa, o yuan, ventilada por alguns como possível substituta do dólar no cenário internacional. Para ele, “só um país descerebrado pode pensar que o yuan vai ser uma moeda internacional. Moeda é confiança. Quem confia no partido comunista chinês? Nem os comunistas confiam”.

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Aos que querem organizar as finanças e não sabem como começar, recomendo a edição especial Organize suas contas, da Você S/A. O exemplar tem uma tabela que ajuda a organizar o orçamento doméstico e dá várias dicas interessantes.

A revista ensina a ordem de corte de despesas, quando ele é necessário: começar pelos dispensáveis, como trocar a academia por uma corrida ao ar livre no parque; e terminar com os alimentos, optando por marcas mais baratas.

Para quem consegue cumprir as metas, a revista sugere regalias, como dar-se um presente de vez em quando pela boa administração do dinheiro. Depois de assegurar reservas financeiras, bons investimentos e seguros, também é permitido gastar o máximo possível.

O leitor também se depara com casos de sucesso, em que objetivos, como ir à Copa do Mundo, tornam-se viáveis depois de um planejamento de quatro anos.

As matérias também ajudam a decidir pela compra ou não de um carro, a entender como usar o cartão de crédito ao seu favor e planejar as finanças junto com a família.

Costumo achar textos de planejamento familiar muito óbvios, mas vi que essa era uma boa pedida depois que minha mãe, sem qualquer formação em Economia, comprou a revista e começou a fazer comentários pertinentes sobre renda fixa, poupança e fundos de ações. Iniciativas neste sentido têm sempre o meu apoio!

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O ministro de relações exteriores, Celso Amorim, anunciou nesta semana a possibilidade de que um acordo de livre comércio seja firmado com a União Europeia em maio deste ano.

As negociações, que começaram em 2000, podem levar ao acordo de livre comércio, que consiste em um compromisso de acabar com barreiras para o comércio de mercadorias entre os países do Mercosul e da União Europeia.

O acordo permitiria acesso mais fácil das empresas brasileiras aos consumidores europeus. Também os produtores de lá teriam menos dificuldade para vender aos brasileiros.

O Mercosul passaria assim a fazer parte da União Europeia? Não, nem é essa a intenção. Para isso, seriam necessárias mais três etapas.

A próxima etapa é a união aduaneira, em que, além da eliminação das barreiras, os países integrantes formam uma política externa comum. Seria o caso, por exemplo, de Mercosul e União Europeia cobrarem a mesma tarifa de produtos vindos dos EUA.

A integração continua com o mercado comum. Nele, além da união aduaneira, há um objetivo de livre fluxo de serviços, capitais e pessoas. Os mercados desses países ficam praticamente unidos, para assim competir em âmbito internacional.

A União Europeia vive um estágio ainda mais avançado: a união econômica e monetária, em que, além de cumprir todas as etapas anteriores, usa-se uma moeda comum, no caso, o Euro.

O acordo entre Mercosul e União Europeia, bem menos ambicioso, está parado. A reabertura das negociações, durante a cúpula de Madri, marcada para maio, já seria um bom começo.

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O nível geral de preços subiu 0,75% em janeiro, a maior elevação desde maio do ano passado. É o que revela o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para calcular o índice, o IBGE leva em conta os hábitos de consumo de famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos, em nove regiões metropolitanas brasileiras, além de Goiânia e Brasília.

É preciso considerar todo o destino do dinheiro dessas famílias. Na parte de alimentação, entram no cálculo do IPCA desde produtos básicos, como óleo e arroz, até a cerveja, o típico cafezinho brasileiro e um café da manhã ou lanche fora. Também são considerados os preços de habitação, saúde e manutenção do carro, por exemplo.

Os transportes foram os principais culpados pela variação no índice. As tarifas de ônibus subiram 3,9% em janeiro, puxadas por São Paulo, onde a passagem aumentou de R$2,30 para R$2,70. O preço do álcool também colaborou: subiu 11%.

Bem perto dos transportes foi a contribuição dos alimentos para a inflação. As chuvas prejudicaram as lavouras e a oferta diminuiu. A disputa dos consumidores pela produção que restou levou a preços 1,1% mais altos. As líderes são a cenoura e a batata inglesa, mas as hortaliças também tiveram aumento expressivo. Já o preço do tomate pesou menos no orçamento, caiu 13,7%.

O IPCA é muito importante porque serve de referência para que o governo aumente ou diminua a taxa básica de juros, a Selic. A aceleração dos preços pode ser usada como justificativa para aumentar a taxa e, assim, desaquecer a economia. É claro que esse tipo de política não resolve o problema das chuvas nas lavouras, mas quando o dinheiro fica mais caro, muitas pessoas podem cortar o lanche fora de casa, por exemplo, levando a uma queda no seu preço.

Veja abaixo algumas variações de preços na alimentação e aproveite para avaliar o que vale a pena substituir nas compras mensais:

↑ Cenoura (12,21%)

↑ Batata (10,8%)

↑ Açúcar cristal (10,27%)

↑ Hortaliças (8,44%)

↑ Cerveja em casa (1,05%)

↓ Tomate (13,74%)

↓ Cebola (9,43%)

↓ Ovos (1,62%)

↓ Café da manhã fora (1,61%)

↓ Óleo de soja (1,22%)

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