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Archive for março \24\UTC 2010

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira o IPCA-15, uma versão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que já explicamos aqui. A variação de preço dos produtos analisados em março foi de 0,55%.

Para calcular o IPCA-15, são considerados aqueles mesmos hábitos de consumo do chamado IPCA fechado, de famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos. Entram nas contas todos os tipos de gastos, como alimentação, habitação, saúde e educação.

A diferença do IPCA-15 é o período de análise, que só leva em conta os primeiros quinze dias do mês. O índice, uma espécie de prévia do IPCA, foi inferior ao de fevereiro.

Já vimos aqui também um dos motivos para que o índice seja acompanhado tão de perto: sua importância para o sistema de metas de inflação. O IPCA é referência para que o governo saiba se está ou não cumprindo a meta de inflação.

Para 2010, a meta para a inflação é de 4,5%. Há um intervalo de tolerância, de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. A inflação medida pelo IPCA, portanto, pode ficar entre 2,5% e 6,5%.

Nos primeiros três meses do ano, a inflação brasileira ficou 0,5 ponto percentual acima do centro da meta, ou seja dos 4,5%. Esse tem sido o motivo para que se preveja um aumento próximo da Selic, provavelmente em abril.

Em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News, o professor de Economia da Unicamp Ricardo Carneiro defendeu que a elevação da taxa básica de juros é prematura.

Segundo o pesquisador, é preciso olhar o processo inflacionário recente sem perder de vista os efeitos da crise econômica no ano passado. A falta de crédito teria prejudicado a oferta, sem afetar muito a demanda. Isso causaria uma pressão, que, para Carneiro, pode ser vista como temporária, não justificando o aumento da Selic neste momento.

Clique aqui, veja um trecho da entrevista e aproveite para testar se entendeu bem os conceitos.

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A economia brasileira está aquecida. Com dinheiro em mãos, os brasileiros querem gastar. Diante de tanta demanda e da dificuldade de oferecer mais em pouco tempo, produtores e comerciantes podem subir os preços. É a temida inflação.

Para evitar os transtornos trazidos pela inflação, o governo define uma meta. Atualmente, o objetivo é que a taxa não passe muito de 4,5% ao ano, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Isso significa que uma cesta de produtos e serviços que custava R$100 no começo do ano deve chegar em dezembro por cerca de R$104,50.

Acontece que, se tudo continuar como está, a expectativa do mercado é que a inflação chegue a 5,03%. Na atual política, este é um sinal de alerta para o governo. Ele aponta para a necessidade de conter a economia, tirar dinheiro de circulação. Isso é feito por meio de ajustes na taxa Selic, em reuniões da diretoria do Banco Central que ocorrem a cada 45 dias.

Apesar dos temores da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira segurar um pouco mais a taxa, que está em 8,75% ao ano desde julho do ano passado. Foi confirmada a previsão do mercado financeiro, que espera um primeiro aumento da taxa somente em abril. A previsão do mercado, segundo pesquisa do próprio Banco Central, é que a taxa chegue ao fim do ano em 11,25%.

O Bacen já deu o sinal. Segundo nota divulgada pelo banco, dessa vez a decisão não foi unânime. Três dos oito diretores defendiam um aumento de meio ponto percentual na taxa.

O caminho da Selic até o seu bolso é tortuoso, com muitos resultados ainda não comprovados pela ciência econômica. A ideia básica é que você pode pensar na taxa Selic como o preço médio do dinheiro. Se ela sobe, o dinheiro fica mais caro e circula menos. Se abaixa, o efeito é contrário e pode haver inflação.

É bom destacar que a taxa básica brasileira sempre figura entre as mais altas do mundo, revezando a liderança com poucos países. A necessidade ou não de juros tão altos é o alvo de muitas polêmicas, não só no Brasil, mas em vários países que adotam esse tipo de procedimento, conhecido como política de metas.

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O Charles, leitor do blog, perguntou o que significa a expressão crédito a fundo perdido, que já encontrou algumas vezes nos jornais. Concordo que o termo não deveria ser usado sem tradução.

Pedi ajuda ao economista Jefferson Galetti para responder à pergunta. Segundo ele, crédito a fundo perdido refere-se a recursos disponibilizados por um emprestador sem perspectivas de reembolso.

Normalmente, os recursos são cedidos pelo Estado e o investimento é voltado para funções sociais, como obras de infraestrutura, saneamento básico e construção de moradias populares.

É por isso que o Charles destaca que normalmente vê a expressão associada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco é do governo e financia também investimentos privados. Mas, nestes casos, é um empréstimo normal, que deve ser pago.

O BNDES também oferece crédito a fundo perdido para projetos ligados a inovações, geração de emprego e renda, proteção ao meio ambiente e preservação de acervos. Nesses casos, como foi dito, o dinheiro não precisa ser devolvido ao Estado.

Agradeço ao Charles pela sugestão de tema e ao mestrando em Economia pela Unicamp, Jefferson Galetti, pela colaboração com a resposta. Você também pode deixar suas questões nos comentários ou em sugestões.

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Queridos leitores,

o Economia Clara completa neste mês um ano de vida! Já que este é um blog de economia, vou copiar o jargão do comércio: no nosso aniversário, quem ganha é você! Atendi à sugestão de vocês e criei um índice com os termos já explicados aqui. Para encontrá-los, é só clicar na aba do topo da página. É a seção O quê? Por quê?, que será sempre atualizada a partir de agora.

Aproveito para pedir a compreensão de vocês, porque estou bastante atribulada com a produção da minha dissertação de mestrado, e também para agradecer pelos comentários e palavras de incentivo! É este retorno que me faz ter tanto prazer no desafio de traduzir a Economia!

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Tratamos aqui recentemente da diferença entre investimentos em renda fixa e variável. Lá concluímos que o primeiro, que inclui títulos públicos e poupança, é menos arriscado que o segundo, caso das ações.

Mas como distribuir seu dinheiro entre as duas formas de investimento? Para responder essa dúvida, especialistas brasileiros sugerem a Regra dos 80.

Para segui-la, você deve fazer o seguinte cálculo: 80 menos a sua idade. O valor resultante é a porcentagem do dinheiro investido que deve ser colocado em renda variável.

Se você tem 20 anos por exemplo, segundo a regra, deveria investir 60% em renda variável e 40% em fixa. A norma é baseada na noção de que pessoas mais jovens podem arriscar-se mais.

A propensão ao risco deve cair com o envelhecimento do investidor, que também deve ter mais obrigações acumuladas. Aos 70 anos, por exemplo, apenas 10% dos recursos deveriam ser colocados em renda variável.

A regra dos 80 é uma adaptação brasileira da norte-americana Regra dos 100. O valor é diferente porque nossos investimentos são considerados de maior risco.

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Já tratamos aqui dos problemas vividos pelos exportadores brasileiros por causa do Real valorizado. Essa discussão trouxe à tona outra, que tem aparecido nos jornais com o nome crédito tributário aos exportadores.

Primeiramente, vamos relembrar o problema: diante da valorização da nossa moeda, um vendedor de produtos para o exterior transforma os dólares recebidos em menos Reais. Ele tem a opção de aumentar seu preço lá fora, mas isso deve fazê-lo perder clientes para outros países.

Ou seja: a valorização do Real diminui a competitividade das empresas brasileiras no exterior. Isso se soma ao fato de alguns países importadores estarem em crise, diminuindo o consumo.

E o crédito tributário? Refere-se ao direito legal que os exportadores têm de não pagarem impostos. Quando um exportador compra laranja para exportar suco, não há impostos sobre o suco e ele têm direito a receber de volta os que foram pagos pelo produtor de laranja, imbutidos no preço dela.

Assim, os impostos brasileiros não prejudicariam a competitividade dos nossos exportadores. Acontece que a burocracia para devolução desse dinheiro é gigantesca.

A estimativa atual, segundo o editorial do Valor Econômico de hoje é que haja 5 bilhões de dólares em créditos tributários acumulados. O pagamento facilitado desses créditos deve ser uma das principais medidas do pacote de estímulo às exportações em estudo pelo governo.

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Se você já pensou em investir seu dinheiro, certamente já ouviu falar em renda fixa e renda variável. Mas qual a diferença entre as duas?

Quem põe o dinheiro na poupança ou compra títulos públicos, por exemplo, investe em renda fixa. O rendimento ou a forma de calculá-lo é definido na hora da aplicação.

Você pode saber exatamente qual será seu retorno no futuro (pré-fixado) ou conhecer um índice pelo qual será calculado (pós-fixado). É o que ocorre, por exemplo, quando seu retorno depende da taxa de inflação do período.

Nos investimentos em renda variável, o rendimento é muito mais incerto. Normalmente eles são oferecidos pelos bancos na forma de uma cesta de ações.

Investir em ações significa que você vai passar a ser um dos proprietários de empresas. Entre as mais negociadas estão ações da Petrobrás e de grandes bancos, como o Bradesco e o Itaú, mas também é possível tornar-se acionista de empresas pequenas.

Como proprietário, você poderá ter lucros altos, mas também terá que arcar com parte dos prejuízos das empresas. Os investimentos em renda variável são considerados uma modalidade mais arriscada, mas também de mais alta rentabilidade.

Como você pode ver, risco e retorno caminham juntos no mundo dos investimentos. Onde há mais risco, o retorno é maior. Onde há menos, também ganha-se menos. Se não fosse assim, quem optaria por mais risco?

Ainda sobre renda fixa e variável, em breve trataremos da Regra dos 80. Não perca…

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