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Archive for julho \30\-03:00 2010

Estimados leitores do blog, estou em grande falta com vocês! Faz mais de uma semana que não escrevo no blog… O motivo do meu sumiço está, com orgulho, no Valor Econômico de hoje. A matéria da página F4 do especial Pequenas e Médias Empresas é minha! Ela trata do conceito de inovar, que é muito mais abrangente do que o de inventar, e mostra como as micro e pequenas podem introduzir mudanças com pouco custo e muito retorno.

Enfim, voltei a trabalhar, continuo escrevendo a dissertação, e o blog nessa história toda foi o mais prejudicado. Mas já estou me organizando para voltar a escrever, certo?

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O leitor Ismael pergunta: como a desvalorização do real frente ao dólar afeta a inflação? É uma boa questão, que já comentamos algumas vezes aqui, mas que vale um post à parte.

Em primeiro lugar, é bom considerar que a Economia é um universo muito complexo, em que causas e efeitos não são muito diretos. Fica difícil provar que um evento provocou o outro quando todos acontecem ao mesmo tempo, não é?

Há, entretanto, um efeito muito reconhecido do câmbio sobre os preços domésticos. Para entendê-lo, precisamos compreender a desvalorização do Real. Ela significa que nosso dinheiro passa a valer menos.

Com o Real valendo pouco, fica mais caro importar produtos estrangeiros. Um produtor de sapatos, por exemplo, ainda que não mexa em seu preço, pode receber novos clientes, já que o sapato estrangeiro tornou-se mais caro.

A eliminação de alguns concorrentes estrangeiros pode, assim, dar mais poder de mercado aos produtores brasileiros. Assim, se a concorrência não for forte internamente, eles têm a possibilidade de fixar preços mais altos.

A regra não vale para todos os mercados. Alguns bens e serviços, como corte de cabelo, não têm concorrentes estrangeiros e, por isso, também não são afetados diretamente. Talvez indiretamente, se o preço dos produtos de beleza subir, por exemplo.

O mesmo raciocínio vale para o contrário: se a moeda brasileira valoriza-se, sobe a concorrência dos produtos estrangeiros. O resultado pode ser a queda nos preços e até a falência de algumas empresas.

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Quem frequentou o comércio paulistano nos últimos dias deve ter tido a mesma impressão que eu: a economia está muito aquecida. As lojas estão cheias, as filas grandes e o atendimento piorou.

Visitei algumas lojas de eletrodomésticos neste fim de semana e confesso ter sentido saudade da época em que era assediada por inúmeros vendedores, sedentos por vender. Dessa vez, disputei espaço com dezenas de consumidores, até desistir de conseguir informações sobre um produto.

Em um restaurante recém-aberto no bairro Liberdade, assisti a várias discussões de disputa por mesas desocupadas. O macarrão do yakissoba veio queimado, no ponto para se partir com a faca. Vi uma cliente chamar o garçom e devolver o prato. As mercearias do bairro tinham filas maiores do que o normal.

Na semana passada, já tinha sofrido com o overbooking da TAM (nesse caso vou até citar o nome da empresa, porque registrei reclamação) em um voo de Brasília para Congonhas. Por causa do problema, fui encaminhada para Guarulhos, afastada do centro da cidade, sem pedidos de desculpa. Para piorar, tive que aguardar uma hora por um ônibus da companhia que me levaria até o outro aeroporto.

Isso para não falar no chocolate quente puro leite que tomei por mais de 5 reais em uma reconhecida loja de chocolates. A verdade é que há muito dinheiro circulando e a decisão de contratar empregados e investir em novos equipamentos, lojas e escritórios não ocorre de um dia para o outro.

Há dois caminhos para resolver esse problema: no curto prazo, aumentar a taxa básica de juros para tornar o dinheiro mais caro, como o Banco Central tem feito. Pensando no longo prazo, a solução é estimular investimentos e emprego. Nesse caso, juros mais baixos e menos impostos para empresas seriam bons caminhos.

Será que só eu tenho sentido na pele esse aquecimento? E olha que eu sempre elogiei com veemência os serviços paulistanos…

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O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira a tão esperada reforma no sistema financeiro do país. O projeto de lei ainda precisa ser sancionado pelo presidente Barack Obama.

A lei entrega para dez agências reguladoras a missão de definir as novas regras. Começa então, uma dura partida, entre as agências e os bancos, que vão tentar impedir normas muito rígidas.

A expectativa é que grandes bancos tenham que mudar em muito a rotina, desde as regras para cartões de débito e crédito até a negociação de derivativos (que explicamos aqui).

A lei também determina a criação de um conselho para monitorar o surgimento de riscos econômicos, anunciando a possibilidade de uma crise, por exemplo.

Uma das principais críticas é a falta de propostas para o crédito imobiliário e o destino das agências Fannie Mae e Freddie Mac, no centro da crise internacional.

Com as novas regras, o governo espera restaurar a confiança no mercado financeiro e na economia do país e evitar novas crises. Há quem tema, entretanto, que os limites ao crédito e à expansão bancária coloquem um freio na economia.

Vimos aqui como as inovações no mercado financeiro e a crise afetaram a vida dos moradores dos Estados Unidos. Vale a pena rever!

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Sheena Iyengar, em foto de Steve Pyke

Você certamente já se encontrou alguns minutos em frente a uma prateleira de supermercado tentando escolher entre os vários sabores de um produto. Quantas vezes já saiu sem levar nada? O excesso de variedade pode ser ruim, segundo estudo conduzido na Califórnia, nos Estados Unidos.

Na pesquisa, conhecida como estudo da geleia, 24 sabores do produto foram expostos em um balcão de provas de um supermercado.  Muitos consumidores pararam para apreciar, mas apenas 3% deles compraram. Quando o número de sabores foi reduzido para seis, a visita foi menor, mas 30% dos interessados levaram a geleia.

A pesquisadora, Sheena Iyengar, curiosamente cega, decidiu pela pesquisa depois de se incomodar com a variedade de cada produto nas prateleiras do supermercado. Apesar da quantidade de opções (depois descobriu que por causa dela), Iyengar raramente comprava alguma coisa.

Em outro experimento, com chocolates, a pesquisadora percebeu que, diante de mais opções, os consumidores saíam menos satisfeitos com suas decisões.

O estudo também se aplica ao mundo dos investimentos. O Centro de Pesquisa de Aposentadoria do Vanguard Group, uma companhia de fundos de investimentos, fez pesquisa semelhante com cerca de 900 mil empregados. Quando aumentava as opções de investimentos para o grupo, a taxa de participação caía.

De acordo com o psicólogo George Miller, as pessoas só são capazes de escolher entre sete tipos diferentes de um produto. Mais do que isso pode confundir e levar à desistência.

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A década de 70 ficou marcada pela invasão das palavras difíceis no jornalismo de economia. As expressões estrangeiras e os jargões dos profissionais da área dominaram o noticiário. Os repórteres do setor eram os mais bem pagos e o contexto econômico positivo subiu à cabeça. O livro Jornalismo Econômico, de Suely Caldas, traz um relato cômico sobre o período:

“Alguns se comportavam de forma prepotente, empinando o nariz para os colegas de outras editorias, com pose de elite, julgando-se uma suposta ‘nata intelectual do jornalismo’. Paletó, gravata e a indefectível maleta 007 – última moda na época, usada por empresários e executivos para carregar documentos – compunham o modelito típico de repórter econômico.

Lembro que, certa vez, lá pelos anos 70, o pessoal da editoria de esportes do Jornal do Brasil pregou uma peça nos colegas de economia para provar que a função da maleta era unicamente a de compor o visual. Sem que ele percebesse, enfiaram um grosso catálogo de telefone na maleta do subeditor de economia, Carlos Alberto Oliveira (depois presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, deputado e secretário do governo Brizola). Caó, como era conhecido, passou algum tempo desfilando e exibindo a maleta, ignorando o que na verdade ela carregava. Três dias depois, num final de tarde, quando a redação estava lotada de repórteres, Caó abriu a maleta e se deparou com o conteúdo dela. A gozação foi geral. Serviu para provar que a tal 007 não passava mesmo de um adorno. A arrogância começaria a desaparecer nos anos 80, com a democracia, o fim da censura e o nivelamento, salarial inclusive, da profissão”.

O livro da Suely Caldas, curto e objetivo como devem ser as matérias de economia, é uma leitura interessante para quem quer se aventurar nesse tipo de jornalismo. Sem maleta, por favor.

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Quem calcula o crescimento da economia? O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), certo? Também! Uma matéria do Valor Econômico de hoje mostra que várias empresas têm criado indicadores para antecipar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O valor de todos os bens finais produzidos pela economia só é divulgado 70 dias depois do fim de cada trimestre. Como “tempo é dinheiro”, várias instituições trabalham para produzir dados próprios e, assim, descobrir como anda a economia do país.

A matéria, de Sérgio Lamucci, destaca alguns indicadores, como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que considera, entre outros, os dados de produção agrícola e industrial, o consumo de energia elétrica, as vendas no varejo e o volume de importações. Assim, é possível acompanhar a atividade econômica.

O Itaú Unibanco produz o próprio PIB mensal, que considera, por exemplo, produção agrícola e industrial, consumo de energia elétrica e gás, vendas no varejo e emprego no setor de serviços. Quando esses valores sobem, o país deve caminhar para um crescimento da produção total.

Os clientes do Bradesco tomam conhecimento do Índice Bradesco de Atividade Econômica (IBAE). Grande parte dos dados vem de pesquisas com empresas, indústrias e comércio. Também é considerada a concessão de crédito, a produção de automóveis e o consumo de energia.

A matéria apresenta outros indicadores, todos bons guias para quem quer saber como anda a atividade econômica e não pode esperar pelo PIB do IBGE.

Agradeço ao Fred pela sugestão de tema. Clique aqui e deixe também a sua.

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No primeiro semestre deste ano, os brasileiros colocaram na poupança cinco vezes mais do que no mesmo período de 2009. Foram cerca de 12 bilhões de reais. Muitos usam a caderneta por comodidade, sem saber ao certo o que acontece com o dinheiro.

O dinheiro colocado na poupança rende 0,5% ao mês, ou 6% ao ano, mais uma pequena porcentagem chamada de Taxa Referencial (TR), calculada com base em uma média dos juros bancários.

Se você coloca 100 reais na poupança hoje, em um mês cairá um pouco mais de 50 centavos em sua caderneta. Se retirar antes disso, o rendimento é nulo.

Apesar do rendimento baixo, a poupança atrai pela falta de taxa de administração ou quantidade mínima para retirada e facilidade de depósito. Ela também não sofre cobrança de imposto de renda ou de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incidem sobre muitos outros tipos de investimentos.

Há ainda a garantia de até 60 mil reais por poupador. Isso significa que, se seu banco falir, o Fundo Garantidor de Crédito te devolve o dinheiro poupado até este valor. O fundo é mantido pelas próprias instituições financeiras, que contribuem com uma porcentagem dos depósitos.

O dinheiro aplicado em poupança não fica parado e tem um destino principal: a lei obriga os bancos a destinarem 65% ao crédito imobiliário.

Se você quer saber por quanto tempo precisa poupar para atingir certo valor ou quanto vai ter ao final de determinado período, pode usar a Calculadora do Cidadão do Banco Central.

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De janeiro a maio deste ano, o consumo de bens de capital aumentou 30,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Bens de capital são equipamentos e máquinas usados na produção. É um sinal de que as empresas têm investido mais, claramente impulsionadas pelo aumento do consumo no país.

Quando esse tipo de investimento é feito, fala-se também em aumento da capacidade produtiva. Com mais equipamentos, as empresas são capazes de produzir mais.

As informações sobre capacidade de produção são importantes para decisões governamentais de conter ou não o crescimento da economia.

Se a procura por bens e serviços aumenta e as empresas não são capazes de satisfazê-la, poder haver aumento no nível geral de preços, ou seja, inflação.

O aumento na compra de bens de capital é um sinal de que as empresas esforçam-se para suprir essa procura por produtos. Uma dica para que o governo não aumente tanto a taxa básica de juros, ou seja, não freie tanto a economia.

As empresas podem dar conta do recado, ou pelo menos, de parte dele, gerando mais riqueza e emprego.

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Já tratamos aqui das blue chips, nome dado às ações de empresas estabelecidas, facilmente compradas e vendidas. Se tratarmos delas como a ponta da pirâmide, na base estarão as small caps.

São assim chamadas as ações menos líquidas, o que significa que quem compra pode ter dificuldade para vendê-las. Em momentos de crise, os preços podem despencar.

As companhias nem sempre são desconhecidas no mercado. Figuram entre elas atualmente, por exemplo, a Alpargatas (produtora da Havaiana), a operadora de planos de saúde Amil e lojas de departamento.

O critério para ser small cap varia. Alguns consideram empresas que têm no mercado valor inferior a algum patamar estabelecido.

A Bolsa brasileira criou o índice Small Cap, que acompanha a flutuação de preços das ações escolhidas de acordo com a liquidez e o valor de mercado.

Para se ter uma ideia, quando a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers deu a partida para a crise mundial, o índice BM&FBovespa Small Cap caiu 17%, mais que o triplo da queda no Ibovespa, que inclui as ações mais negociadas, como já vimos aqui.

As small caps são, em geral, recomendadas somente a quem tem estômago, informação e intenções de longo prazo.

Reportagem publicada hoje no Valor Investe, entretanto, mostra que a reação à crise europeia tem sido mais branda. Enquanto o Ibovespa caiu 5,5% desde o começo do ano, o Small Cap ficou praticamente estável. Entre os segredos apontados pela matéria, está o foco da maior parte dessas empresas: o mercado interno, que cresce a todo vapor.

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