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Archive for agosto \31\UTC 2010

Frequentemente recebo e-mails com dúvidas e pedidos de conselhos sobre a prova da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec). Para quem não conhece, essa é a avaliação anual que seleciona alunos para os melhores mestrados em Economia do país.

O exame inclui provas de Macroeconomia, Microeconomia, Economia Brasiliera, Estatística, Matemática e Inglês. No modelo, uma resposta errada anula outra certa, o que desestimula o chute. Eu sugiro marcar um pouco além do que você tem 100% de certeza, pelo menos nas matérias em que tem mais segurança.

Quem faz a prova não é aprovado ou reprovado. O exame apenas coloca os concorrentes em ordem. Cada centro tem uma forma diferente de calcular a nota, dando pesos diversos para cada prova.

Ao fazer sua inscrição, o candidato opta por até seis centros. Essa escolha deve se basear na linha de cada faculdade. Alguns mestrados pesam mais na Matemática e Econometria do que outros, por exemplo.

Nada impede, entretanto, que um centro para o qual não se candidatou, faça um convite. Os primeiros colocados costumam ser alvo de disputa. Conta-se que antigamente eles recebiam propostas como moradia paga, mas, pelo que eu saiba, essas mordomias têm sido reduzidas.

Existe um consenso, mesmo entre esses primeiros lugares: o exame é muito difícil. Alguns centros são selecionados a cada ano para cuidar de uma das provas. De acordo com o estilo, os alunos tentam adivinhar a autoria. No meu ano, 2007, brincávamos que a prova de Matemática tinha sido feita pela Nasa, dada a dificuldade.

Então, como passar? Essa é uma pergunta recorrente naqueles e-mails de que falei. Para quem fez um bom curso de Economia, talvez a graduação baste. Para os outros, como eu, considero um cursinho indispensável. Fiz o ProAnpec, oferecido por professores da USP, mas há outras boas opções no mercado. Neles, além de aprender Economia, você pode tornar-se perito no estilo da prova.

A maioria dos leitores que me manda e-mail ou me faz perguntas não é economista. Por isso, vai a dica final: não dê ouvidos a quem disser que é impossível ser aprovado. Ouvi muito isso. Na véspera, a Anpec divulga os concorrentes e a profissão. Eram 900, a maioria de economistas e engenheiros. Havia dois ou três advogados, um farmacêutico e nenhuma jornalista???

Até hoje não sei porque não apareci naquela lista, mas o fato é que fui selecionada para cinco dos seis centros para os quais me candidatei, todos com bolsa. Mas não foi fácil não, viu? Pense em muito estudo e esforço. Agora multiplique por dois.

Este post é dedicado aos leitores que já enviaram e-mails e à arquiteta Carolina Caribé, que conheceu o blog hoje. Senti nela uma pontinha de empolgação para enfrentar essa maratona. Para mais informações sobre a prova, clique aqui.

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Uma das barreiras ao desenvolvimento brasileiro é a dificuldade de conseguir crédito por um período longo. É herança de uma época em que a instabilidade caracterizava a economia.

Quem ia querer emprestar dinheiro por muito tempo quando a inflação comia sem dó o valor do dinheiro, os planos econômicos (alguns mirabolantes) alternavam-se rapidamente e o futuro era uma incógnita? Como definir os juros nesse contexto? E quem se arriscaria a assumir os juros exorbitantes que resultariam de todo esse risco?

Os grandes investimentos só não foram todos inviabilizados até o momento pela existência de um emprestador público, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição é hoje a principal financiadora de longo prazo dos investimentos no país.

Agora que a economia caminha a passos mais confiáveis, o governo quer incluir a iniciativa privada nesse tipo de crédito. O pacote, que deve ser lançado depois das eleições segundo o Valor Econômico desta segunda-feira,  inclui definir até onde o BNDES deve ir e criar isenções de impostos para os empréstimos mais longos.

Assim, espera-se aumentar a taxa de investimento no país, definida como uma proporção de todos os bens finais produzidos no país, o Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, a taxa brasileira é de 19%. Para se ter uma ideia, a chinesa está próxima de 40%.

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Há algum tempo uma palavra tem aparecido com frequência nos jornais brasileiros: desindustrialização. Há quem diga que o fenômeno é evidente no país, enquanto outros negam a tendência.

A desindustrialização refere-se a uma perda de participação da indústria na produção total do país. Outro conceito, mais restrito, trata da redução persistente da quantidade de vagas na indústria como proporção do emprego total.

Alguns economistas apontam o fenômeno como resultado da valorização da moeda brasileira. O Real forte permite importar mais bens e torna nossos produtos mais caros para os estrangeiros, ou seja, tende a favorecer importações e prejudicar exportações. O setor industrial realmente registra déficits, mais importações do que exportações, desde 2008.

Assim, quem acredita na desindustrialização defende que a valorização do Real prejudica a indústria de duas formas: os produtos nacionais perdem parte do mercado interno para equivalentes estrangeiros e ainda tornam-se pouco atraentes para outros países do mundo. O resultado pode ser a falência de várias indústrias, diminuindo sua parcela na produção do país.

Em artigo no Valor Econômico de hoje, Cristiano Romero apresenta uma pesquisa que contraria a tese. De acordo com os economistas Régis Bonelli e Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas, é cedo para falar em desindustrialização.

Segundo os pesquisadores, a redução de participação da indústria é um fenômeno mundial. Para eles, alterar o regime cambial, impedindo a valorização do Real, seria uma reação precipitada e equivocada.

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“Aquisições estão no radar da maioria dos CEOs no Brasil”. Esse é o título de uma das matérias do Valor Econômico de hoje. Afinal, o que significa essa pomposa sigla, CEO, lida em inglês?

O CEO é o Chief Excecutive Officer, uma espécie de diretor executivo ou diretor geral.

Algumas vezes, a função confunde-se com a de presidente. Em outros casos, o cargo de CEO cria uma separação. O presidente representa a empresa, enquanto o CEO põe a mão na massa, ou pelo menos é quem manda os outros colocarem.

O CEO coordena o cotidiano de uma organização, a rotina de trabalho. Exatamente por isso, é a ele que são atribuídos os resultados da companhia, sejam bons ou ruins.

O cargo de CEO ainda é predominantemente masculino. Uma pesquisa divulgada pelo Fórum Econômico Mundial em março deste ano revelou que a média de mulheres que ocupam o cargo é de cerca de 5% no mundo. No Brasil, a porcentagem é um pouco maior, mas ainda muito baixa, de 11%.

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As empresas Intel e General Electric anunciaram nesta segunda-feira a criação de uma joint venture. Essa é mais uma expressão em inglês muito usada no noticiário de economia. A tradução literal levaria a algo como aventura em conjunto.

Realmente, as duas gigantes lançam-se em uma aventura: uma nova empresa, que vai  buscar soluções para prover cuidados em casa e independência a doentes crônicos.

Compartilhar conhecimentos e dividir o risco são objetivos comuns a várias joint ventures. Cria-se uma empresa para fazer determinado investimento, sem que as empresas participantes percam suas identidades.

Nessa modalidade, uma empresa não absorve a outra e também não há fusão. Há sim uma estratégia comum, como no caso da Intel e da General Electric. Elas vão explorar um nicho de mercado crescente, com o envelhecimento da população.

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