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Archive for the ‘Não deixe de ler’ Category

A década de 70 ficou marcada pela invasão das palavras difíceis no jornalismo de economia. As expressões estrangeiras e os jargões dos profissionais da área dominaram o noticiário. Os repórteres do setor eram os mais bem pagos e o contexto econômico positivo subiu à cabeça. O livro Jornalismo Econômico, de Suely Caldas, traz um relato cômico sobre o período:

“Alguns se comportavam de forma prepotente, empinando o nariz para os colegas de outras editorias, com pose de elite, julgando-se uma suposta ‘nata intelectual do jornalismo’. Paletó, gravata e a indefectível maleta 007 – última moda na época, usada por empresários e executivos para carregar documentos – compunham o modelito típico de repórter econômico.

Lembro que, certa vez, lá pelos anos 70, o pessoal da editoria de esportes do Jornal do Brasil pregou uma peça nos colegas de economia para provar que a função da maleta era unicamente a de compor o visual. Sem que ele percebesse, enfiaram um grosso catálogo de telefone na maleta do subeditor de economia, Carlos Alberto Oliveira (depois presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, deputado e secretário do governo Brizola). Caó, como era conhecido, passou algum tempo desfilando e exibindo a maleta, ignorando o que na verdade ela carregava. Três dias depois, num final de tarde, quando a redação estava lotada de repórteres, Caó abriu a maleta e se deparou com o conteúdo dela. A gozação foi geral. Serviu para provar que a tal 007 não passava mesmo de um adorno. A arrogância começaria a desaparecer nos anos 80, com a democracia, o fim da censura e o nivelamento, salarial inclusive, da profissão”.

O livro da Suely Caldas, curto e objetivo como devem ser as matérias de economia, é uma leitura interessante para quem quer se aventurar nesse tipo de jornalismo. Sem maleta, por favor.

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Gosto de textos que inserem a economia no cotidiano. Por isso, não perco uma matéria e indico À mesa com Valor, publicada no caderno Eu & Fim de Semana, às sextas-feiras no Valor Econômico.

A matéria usa uma fórmula bastante original. É escolhida uma personalidade, o que inclui desde o presidente da Embraer, Frederico Curado, até a estilista Isabela Capeto, personagem desta semana.

O próprio entrevistado escolhe o restaurante que será palco da entrevista. Na conversa, revelam-se hobbies, detalhes do cotidiano, transformando grandes personalidades em pessoas comuns.

Também surgem informações mais próximas do universo da Economia, como o desejo de Isabela Capeto de se desvencilhar do grupo financeiro a que se associou há dois anos, o InBrands.

As matérias ainda carregam valiosas dicas sobre restaurantes, principalmente na capital paulista. Além de fotos e comentários sobre os pratos, as reportagens são encerradas com uma transcrição da nota fiscal, o que permite ter uma ideia dos preços cobrados pela casa.

Se não me falha a memória, os textos, muito bem escritos, são sempre da jornalista Marli Olmos. Aprovados por quem gosta de ver a economia escrita de forma atraente!

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O jornalista Ricardo Noblat é autor de um dos melhores livros que já li sobre a profissão: A arte de fazer um jornal diário. Além de ter várias dicas interessantes é, por si só, um exemplo de texto bem escrito. Entre os meus trechos preferidos está o seguinte:

Peçam. Não Solicitem

Faço-lhes um pedido: não pleiteiem. Quando escreverem, não pleiteiem jamais. Ninguém que fala normalmente pleiteia algo. A não ser em certos textos de jornais. Deixem que os advogados pleiteiem em suas demandas judiciais. Os políticos costumam pleitear cargos. Ou verbas. As pessoas normais se empenham. Apenas se empenham. Ou se esforçam.

Sei que, se forem orientados, vocês poderão dar-se bem. Se forem direcionados, não se darão.

Também não solicitem. Nem mesmo quando o objeto do desejo for um aumento de salário. Duvido que um de vocês já tenha solicitado qualquer coisa. Vocês pedem. Um aumento, um beijo, um favor. Ora, se pedem na vida real por que diabos solicitam nas páginas do jornal?

E, por favor, não coloquem nada. Doravante, não coloquem. Simplesmente, ponham.

Pergunto (não questiono como muitos de vocês fazem): Dói escrever como se fala? Não dói. Não tira pedaço de ninguém. E é mais fácil. Só não escrevem como falam se falam errado.

Finalizo por aqui. Ou melhor: termino, acabo, encerro, concluo.

Se pleitear, solicitar, colocar, questionar, finalizar são proibidos, imaginem o jargão econômico sem explicação…

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Aos que querem organizar as finanças e não sabem como começar, recomendo a edição especial Organize suas contas, da Você S/A. O exemplar tem uma tabela que ajuda a organizar o orçamento doméstico e dá várias dicas interessantes.

A revista ensina a ordem de corte de despesas, quando ele é necessário: começar pelos dispensáveis, como trocar a academia por uma corrida ao ar livre no parque; e terminar com os alimentos, optando por marcas mais baratas.

Para quem consegue cumprir as metas, a revista sugere regalias, como dar-se um presente de vez em quando pela boa administração do dinheiro. Depois de assegurar reservas financeiras, bons investimentos e seguros, também é permitido gastar o máximo possível.

O leitor também se depara com casos de sucesso, em que objetivos, como ir à Copa do Mundo, tornam-se viáveis depois de um planejamento de quatro anos.

As matérias também ajudam a decidir pela compra ou não de um carro, a entender como usar o cartão de crédito ao seu favor e planejar as finanças junto com a família.

Costumo achar textos de planejamento familiar muito óbvios, mas vi que essa era uma boa pedida depois que minha mãe, sem qualquer formação em Economia, comprou a revista e começou a fazer comentários pertinentes sobre renda fixa, poupança e fundos de ações. Iniciativas neste sentido têm sempre o meu apoio!

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Desde o começo deste ano que uma nova ortografia traz dores de cabeça àqueles que, até agora, sabiam escrever.  O objetivo é nobre: permitir a circulação sem restrições de textos entre oito países que têm o Português como língua oficial, além de fortalecer o sentimento de unidade. O acordo será adotado aos poucos e, até dezembro de 2011, vestibulares e concursos vão poder aceitar as duas grafias.

Aí vai uma mãozinha para quem trabalha com Economia. São algumas palavras que uso e vejo em textos da área com frequência (a primeira dica: o trema foi abolido! Vale também para números, como cinquenta). Aproveito para indicar a fonte dessas informações: um livro curto e fácil de consultar, o Escrevendo pela nova ortografia, do Instituto Antônio Houaiss.

  • Os ditongos ei e oi abertos das palavras paroxítonas não têm mais acento. Ainda grita aos olhos, mas assembleia, europeia, apoia (do verbo apoiar) e ideia perderam o acento.
  • Muitas palavras perderam o hífen. As regras variam muito, mas um destaque é quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente. É o caso de infraestrutura e agroindústria.
  • Usa-se o hífen se o prefixo termina com a mesma letra com que começa a próxima palavra. É o caso de anti-inflacionário e inter-regional.
  • O hífen é mantido para os prefixos pré e pós. Vale para pré-datado e pós-pago.
  • O acordo não trata do prefixo sub seguido de r, mas a Academia Brasileira de Letras sugere que o hífen seja mantido, como em sub-região.
  • Uma alteração que não é específica da Economia, mas que aparece muito em manchetes de jornais: para na função de verbo não tem mais acento. Fica estranho, mas é assim: Governo para de subsidiar a produção.
  • Uma regra que foi mantida, mas eu desconhecia: você pode dizer eu negocio ou eu negoceio! Isso vale para alguns verbos terminados em iar.

Não há nenhuma intenção de esgotar o assunto, até mesmo porque seria impossível. De qualquer forma, várias outras palavras do dia a dia (que, como todas as outras locuções, aparece sempre sem hífen) podem ter a grafia deduzida a partir dos exemplos acima. Alguém se lembra de mais alguma palavra do cotidiano da Economia que mudou com a nova ortografia? Quem tiver alguma dúvida também pode perguntar que consulto o Houaiss!

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Sob a lupa do economistaCerca de 30 mil brasileiros fazem parte de listas de espera por transplantes de rins. Os pacientes aguardam, em média, durante cinco anos e meio pelo órgão, com penosos tratamentos. Por que então não existe um mercado de rins funcionando? É uma das perguntas que se faz no recém-lançado livro Sob a lupa do economista, de Carlos Eduardo Gonçalves e Mauro Rodrigues.

No caso do transplante de rins, pode-se recorrer a doadores vivos, mas é necessária uma compatibilidade entre doador e receptor. A legislação brasileira, entretanto, como na maior parte do mundo, proíbe a comercialização de órgãos humanos. Valores sociais consideram incompatíveis preços e órgãos.

Os economistas deixam, assim, uma sugestão, que, segundo eles, já vem ganhando popularidade: a troca. A ideia é que uma instituição central cadastre pares de paciente e seu potencial doador. Suponhamos que um paciente tenha um parente disposto a doar, mas com o qual não tem compatibilidade. Ele pode oferecer este doador a outra pessoa e receber, em troca, um compatível com seu organismo.

Ou seja: os economistas propõem uma alternativa à doação e ao comércio: a troca. Isso transforma a transação em algo socialmente aceitável.

O artigo sobre a troca de rins é apenas um dos publicados no livro, em linguagem fácil e didática. A intenção dos autores é explicar conceitos básicos de Economia, além de divulgar resultados de pesquisas acadêmicas recentes. Entre os temas estão cinema, futebol, epidemias, beleza, música e até cerveja.

Agradeço à economista Juliana Scriptore que me alertou para o lançamento do livro. Fiquem atentos aos preços: já encontrei de 47 a 60 reais na internet.

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comprar dólaresPara ilustrar o último post vou contar um caso real, citado pelo André Orléan no livro El poder de las finanzas. Aqui já não se trata mais do mercado acionário, mas do de câmbio, que, segundo Orléan, têm comportamentos semelhantes.

Em novembro de 1987, o presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan fez uma declaração pública de que o dólar já havia desvalorizado o suficiente. Consequência: os investidores responderam comprando a moeda e ela se valorizou.

Ah, claro… O presidente estava certo e, sabendo disso, todos modificaram sua avaliação sobre o valor do dólar e resolveram comprar. Certo?

Não é o que mostra a matéria publicada pelo jornal The New York Times, que resolveu questionar os investidores. A conclusão do jornalista é que nenhum deles acreditava nos conhecimentos de Reagan sobre Economia.

Mas, então, por que compraram dólares? Todos responderam que, se pessoalmente não tinham confiança alguma no presidente, pensavam que os outros seriam influenciados pelo discurso. E, por isso, resolveram comprar.

Aqui está uma situação clara em que todos acreditavam que as palavras de Reagan não faziam sentido, mas agiram de forma diferente. Ou seja: mais importante do que avaliar o dólar em si era prever o que os outros investidores fariam. Se tudo indicava que eles comprariam, melhor comprar também. Assim, seria possível ganhar com a valorização.

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