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Archive for the ‘O que é?’ Category

As companhias aéreas TAM e Gol têm 48 horas para corrigir o sistema de venda de passagens em que a opção de um seguro de viagem já aparece selecionada para o cliente. A Agência Nacional de Aviação Civil entendeu que essa prática consiste em venda casada.

A venda casada ocorre quando, para comprar um produto ou serviço, o consumidor é obrigado a levar outro.

No caso das empresas aéreas, como o preço do seguro já parece incluso no da passagem, a agência considerou que o passageiro pode comprá-lo sem perceber.

Também se enquadram nessa prática ilegal situações recorrentes como a de escolas que obrigam os alunos a comprarem materiais vendidos por elas, cinemas e salas de teatro que só permitem o consumo de alimentos e bebidas oferecidos por eles e empresas que criam pacotes de telefone, TV e internet que não podem ser desmembrados.

A venda casada é crime e deve ser denunciada aos órgãos de defesa do consumidor. Para quem ainda não decorou, o telefone do Procon é 151.

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Vimos aqui que a maior parte das ações é negociada na Bolsa em lotes. Como fazem então os pequenos investidores? Eles podem ter acesso ao mercado fracionário, em que é possível comprar quantidades inferiores a um lote completo.

A venda e compra de ações em lote é predominante pela sua praticidade. Dessa forma é mais fácil fazer coincidir os interesses de compradores e vendedores. Dificilmente se encontraria ao mesmo tempo, por exemplo, um investidor interessado em comprar 133 ações de uma empresa e outro disposto a vender exatamente a mesma quantidade.

A padronização torna a negociação mais eficiente, proporcionando um atributo muito desejável em mercados de ações: a liquidez. As ações mais líquidas são aquelas das quais você consegue livrar-se mais rápido se precisar do dinheiro ou se não estiver muito confiante sobre o futuro da empresa.

O mercado fracionário exige mais negociações e, assim, é menos líquido. Exatamente por essa diferença na dinâmica, os preços do mercado fracionário podem ser diferentes dos valores no chamado mercado integral.

Quando se negocia uma ação no mercado fracionário, além das quatro letras e um número que identificam a empresa (exemplo: PETR3 para Petrobras ON), encontra-se uma letra final F (exemplo: PETR3F).

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O leitor André Luis Rodrigues acaba de se aventurar no mercado de ações e tem algumas dúvidas. Neste post, vou tentar responder uma delas, muito comum entre investidores iniciantes: os valores de compra e venda são por lotes? A quantidade de ações varia de uma empresa para a outra?

A resposta é: varia. Na Bovespa, as ações são normalmente negociadas em lotes múltiplos de 10. As ações da Petrobrás, da Vale, do Bradesco por exemplo, formam lotes padrão de 100 ações.  Já as da Botucatu Têxtil são vendidas em lotes de 100.000 unidades. A CIA Agrícola do Piauí (Cajupi) tem como lote padrão uma unidade.

Esse é o padrão de negociação, mas a forma de cotação, ou seja, o valor divulgado, nem sempre é equivalente. A cotação das ações da Petrobrás, por exemplo, é dada por unidade. No momento em que eu escrevo este post, o valor da ação ON (veja aqui a diferença entre ações ON e PN) da Petrobrás  é de R$ 29,78. Para saber o valor de um lote, você tem que multiplicar esse valor por 100.

Já a cotação das ações da Botucatu Têxtil é dada por lotes de 1.000 ações. Assim, o valor deve ser multiplicado por 100 para se chegar ao lote padrão, de 100.000 unidades.

Na página da BM&FBovespa na internet você encontra o lote padrão de negociação e a forma de cotação de cada uma das ações. Clique aqui para ver.

Isso significa que para comprar ações da Petrobrás você precisa desembolsar neste momento um mínimo de R$ 2.978? Não! Para quem quer investir menos, existe o mercado fracionário, que envolve dinâmica e cotação diferentes, mas isso é assunto para um próximo post.

André Luis, agradeço pelas sugestões e já aviso que pretendo responder o restante de suas perguntas em outros posts.

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Na semana passada, o Jornal Nacional sorteou Guarapari para fazer parte do JN no Ar. A matéria começou com um raio X do Espírito Santo, com narração da Fátima Bernardes: “suas riquezas vêm da indústria de transformação e das atividades agrícolas”.

A pergunta de um leitor veio logo: “o que é indústria de transformação?”. A verdade é que as definições são meio difusas, porque abrangem um grupo grande. Eu só sosseguei quando achei uma que não fosse tão vaga.

A melhor resposta, para mim, é da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE): a indústria de transformação compreende as atividades que envolvem transformação física, química e biológica de materiais, substâncias e componentes para obter produtos novos.

Os materiais, substâncias e componentes são insumos produzidos nas atividades agrícolas, florestais, de mineração, pesca, ou produtos de outras atividades industriais.

Vamos aos exemplos: entram aqui indústrias de produtos alimentícios, bebidas, cigarro, roupas, papel, combustível, eletrônicos, carros, móveis…

Entram também no rol das indústrias de transformação, segundo a CNAE, produções manuais e artesanais, como ateliês de costura. Só para ampliar ainda mais o conceito, fazem parte ainda aquelas empresas que renovam ou reconstituem produtos, como as de recauchutagem de pneus.

O produto final dessa indústria não precisa estar pronto para o consumo final. Entra por exemplo a celulose, que é matéria-prima para a produção de papel.

O próprio CNAE assume que a fronteira entre indústria de transformação e outras atividades nem sempre é clara. De forma geral, elas envolvem a transformação de insumos e materiais em um produto novo. O problema é o que é exatamente um produto novo. Para os casos mais confusos, foram criadas convenções. Se você ainda tem dúvidas, clique aqui.

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O mercado de trabalho brasileiro sentiu a crise internacional, com aumento de 18,5% na população desocupada em relação a 2008. Esse é um dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009, divulgada hoje. A PNAD é um levantamento anual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre vários temas, como educação, emprego e rendimentos.

Um grande número de pessoas, 1,3 milhão, juntou-se à população que não trabalha e tem 10 anos ou mais. O prejuízo foi maior para os mais jovens. A taxa de desocupação para eles subiu de 7,1% para 8,3%.

Um dado positivo é a formalização. Os empregados com carteira assinada aumentaram de 58,8% em 2008 para 59,6% em 2009. O rendimento mensal médio do trabalhador aumentou em R$ 24. Os empregados do Norte do país tiveram o maior reajuste médio, de R$ 39. Houve uma pequena redução na desigualdade de renda, medida pelo Índice de Gini.

No ano passado, 43,1% da população ocupada tinham pelo menos o ensino médio completo. O nível de estudo aumentou, mas ainda é muito baixo. Apenas 11,1% dos trabalhadores têm nível superior completo. Em 2008, os graduados eram 10,3% do total.

O acesso à infraestrutura básica também tem aumentado, mas alguns dados ainda assustam. 40,9% da população ainda não têm acesso a esgoto e 15,6% não têm água encanada.

Cresceu o número de domicílios com bens duráveis, como máquinas de lavar, TV e geladeira. O contato com computadores ainda é limitado, restrito a 34,7% da população. Apenas 27,4% têm acesso a internet. É interessante observar, entretanto, que o número de usuários mais que dobrou entre 2005 e 2009. Hoje são 67,9 milhões de internautas brasileiros.

A população chegou a 191,8 milhões de pessoas, a maior parte delas, 51,3% de mulheres. O número de domicílios foi estimado em 58,6 milhões.

Para encerrar, uma curiosidade: o conceito de domicílio é meio difuso, principalmente nas periferias. Eu pego emprestado o do meu professor de Econometria na Unicamp, Rodolfo Hoffmann, que adora destrinchar a PNAD: um domicílio é formado por todas as pessoas que se reúnem em torno do mesmo fogão. Prático, não?

Agradeço ao Charles Jr. pela dica de assunto para o post.

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Frequentemente recebo e-mails com dúvidas e pedidos de conselhos sobre a prova da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec). Para quem não conhece, essa é a avaliação anual que seleciona alunos para os melhores mestrados em Economia do país.

O exame inclui provas de Macroeconomia, Microeconomia, Economia Brasiliera, Estatística, Matemática e Inglês. No modelo, uma resposta errada anula outra certa, o que desestimula o chute. Eu sugiro marcar um pouco além do que você tem 100% de certeza, pelo menos nas matérias em que tem mais segurança.

Quem faz a prova não é aprovado ou reprovado. O exame apenas coloca os concorrentes em ordem. Cada centro tem uma forma diferente de calcular a nota, dando pesos diversos para cada prova.

Ao fazer sua inscrição, o candidato opta por até seis centros. Essa escolha deve se basear na linha de cada faculdade. Alguns mestrados pesam mais na Matemática e Econometria do que outros, por exemplo.

Nada impede, entretanto, que um centro para o qual não se candidatou, faça um convite. Os primeiros colocados costumam ser alvo de disputa. Conta-se que antigamente eles recebiam propostas como moradia paga, mas, pelo que eu saiba, essas mordomias têm sido reduzidas.

Existe um consenso, mesmo entre esses primeiros lugares: o exame é muito difícil. Alguns centros são selecionados a cada ano para cuidar de uma das provas. De acordo com o estilo, os alunos tentam adivinhar a autoria. No meu ano, 2007, brincávamos que a prova de Matemática tinha sido feita pela Nasa, dada a dificuldade.

Então, como passar? Essa é uma pergunta recorrente naqueles e-mails de que falei. Para quem fez um bom curso de Economia, talvez a graduação baste. Para os outros, como eu, considero um cursinho indispensável. Fiz o ProAnpec, oferecido por professores da USP, mas há outras boas opções no mercado. Neles, além de aprender Economia, você pode tornar-se perito no estilo da prova.

A maioria dos leitores que me manda e-mail ou me faz perguntas não é economista. Por isso, vai a dica final: não dê ouvidos a quem disser que é impossível ser aprovado. Ouvi muito isso. Na véspera, a Anpec divulga os concorrentes e a profissão. Eram 900, a maioria de economistas e engenheiros. Havia dois ou três advogados, um farmacêutico e nenhuma jornalista???

Até hoje não sei porque não apareci naquela lista, mas o fato é que fui selecionada para cinco dos seis centros para os quais me candidatei, todos com bolsa. Mas não foi fácil não, viu? Pense em muito estudo e esforço. Agora multiplique por dois.

Este post é dedicado aos leitores que já enviaram e-mails e à arquiteta Carolina Caribé, que conheceu o blog hoje. Senti nela uma pontinha de empolgação para enfrentar essa maratona. Para mais informações sobre a prova, clique aqui.

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Há algum tempo uma palavra tem aparecido com frequência nos jornais brasileiros: desindustrialização. Há quem diga que o fenômeno é evidente no país, enquanto outros negam a tendência.

A desindustrialização refere-se a uma perda de participação da indústria na produção total do país. Outro conceito, mais restrito, trata da redução persistente da quantidade de vagas na indústria como proporção do emprego total.

Alguns economistas apontam o fenômeno como resultado da valorização da moeda brasileira. O Real forte permite importar mais bens e torna nossos produtos mais caros para os estrangeiros, ou seja, tende a favorecer importações e prejudicar exportações. O setor industrial realmente registra déficits, mais importações do que exportações, desde 2008.

Assim, quem acredita na desindustrialização defende que a valorização do Real prejudica a indústria de duas formas: os produtos nacionais perdem parte do mercado interno para equivalentes estrangeiros e ainda tornam-se pouco atraentes para outros países do mundo. O resultado pode ser a falência de várias indústrias, diminuindo sua parcela na produção do país.

Em artigo no Valor Econômico de hoje, Cristiano Romero apresenta uma pesquisa que contraria a tese. De acordo com os economistas Régis Bonelli e Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas, é cedo para falar em desindustrialização.

Segundo os pesquisadores, a redução de participação da indústria é um fenômeno mundial. Para eles, alterar o regime cambial, impedindo a valorização do Real, seria uma reação precipitada e equivocada.

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