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Uma das barreiras ao desenvolvimento brasileiro é a dificuldade de conseguir crédito por um período longo. É herança de uma época em que a instabilidade caracterizava a economia.

Quem ia querer emprestar dinheiro por muito tempo quando a inflação comia sem dó o valor do dinheiro, os planos econômicos (alguns mirabolantes) alternavam-se rapidamente e o futuro era uma incógnita? Como definir os juros nesse contexto? E quem se arriscaria a assumir os juros exorbitantes que resultariam de todo esse risco?

Os grandes investimentos só não foram todos inviabilizados até o momento pela existência de um emprestador público, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição é hoje a principal financiadora de longo prazo dos investimentos no país.

Agora que a economia caminha a passos mais confiáveis, o governo quer incluir a iniciativa privada nesse tipo de crédito. O pacote, que deve ser lançado depois das eleições segundo o Valor Econômico desta segunda-feira,  inclui definir até onde o BNDES deve ir e criar isenções de impostos para os empréstimos mais longos.

Assim, espera-se aumentar a taxa de investimento no país, definida como uma proporção de todos os bens finais produzidos no país, o Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, a taxa brasileira é de 19%. Para se ter uma ideia, a chinesa está próxima de 40%.

Há algum tempo uma palavra tem aparecido com frequência nos jornais brasileiros: desindustrialização. Há quem diga que o fenômeno é evidente no país, enquanto outros negam a tendência.

A desindustrialização refere-se a uma perda de participação da indústria na produção total do país. Outro conceito, mais restrito, trata da redução persistente da quantidade de vagas na indústria como proporção do emprego total.

Alguns economistas apontam o fenômeno como resultado da valorização da moeda brasileira. O Real forte permite importar mais bens e torna nossos produtos mais caros para os estrangeiros, ou seja, tende a favorecer importações e prejudicar exportações. O setor industrial realmente registra déficits, mais importações do que exportações, desde 2008.

Assim, quem acredita na desindustrialização defende que a valorização do Real prejudica a indústria de duas formas: os produtos nacionais perdem parte do mercado interno para equivalentes estrangeiros e ainda tornam-se pouco atraentes para outros países do mundo. O resultado pode ser a falência de várias indústrias, diminuindo sua parcela na produção do país.

Em artigo no Valor Econômico de hoje, Cristiano Romero apresenta uma pesquisa que contraria a tese. De acordo com os economistas Régis Bonelli e Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas, é cedo para falar em desindustrialização.

Segundo os pesquisadores, a redução de participação da indústria é um fenômeno mundial. Para eles, alterar o regime cambial, impedindo a valorização do Real, seria uma reação precipitada e equivocada.

“Aquisições estão no radar da maioria dos CEOs no Brasil”. Esse é o título de uma das matérias do Valor Econômico de hoje. Afinal, o que significa essa pomposa sigla, CEO, lida em inglês?

O CEO é o Chief Excecutive Officer, uma espécie de diretor executivo ou diretor geral.

Algumas vezes, a função confunde-se com a de presidente. Em outros casos, o cargo de CEO cria uma separação. O presidente representa a empresa, enquanto o CEO põe a mão na massa, ou pelo menos é quem manda os outros colocarem.

O CEO coordena o cotidiano de uma organização, a rotina de trabalho. Exatamente por isso, é a ele que são atribuídos os resultados da companhia, sejam bons ou ruins.

O cargo de CEO ainda é predominantemente masculino. Uma pesquisa divulgada pelo Fórum Econômico Mundial em março deste ano revelou que a média de mulheres que ocupam o cargo é de cerca de 5% no mundo. No Brasil, a porcentagem é um pouco maior, mas ainda muito baixa, de 11%.

As empresas Intel e General Electric anunciaram nesta segunda-feira a criação de uma joint venture. Essa é mais uma expressão em inglês muito usada no noticiário de economia. A tradução literal levaria a algo como aventura em conjunto.

Realmente, as duas gigantes lançam-se em uma aventura: uma nova empresa, que vai  buscar soluções para prover cuidados em casa e independência a doentes crônicos.

Compartilhar conhecimentos e dividir o risco são objetivos comuns a várias joint ventures. Cria-se uma empresa para fazer determinado investimento, sem que as empresas participantes percam suas identidades.

Nessa modalidade, uma empresa não absorve a outra e também não há fusão. Há sim uma estratégia comum, como no caso da Intel e da General Electric. Elas vão explorar um nicho de mercado crescente, com o envelhecimento da população.

Estimados leitores do blog, estou em grande falta com vocês! Faz mais de uma semana que não escrevo no blog… O motivo do meu sumiço está, com orgulho, no Valor Econômico de hoje. A matéria da página F4 do especial Pequenas e Médias Empresas é minha! Ela trata do conceito de inovar, que é muito mais abrangente do que o de inventar, e mostra como as micro e pequenas podem introduzir mudanças com pouco custo e muito retorno.

Enfim, voltei a trabalhar, continuo escrevendo a dissertação, e o blog nessa história toda foi o mais prejudicado. Mas já estou me organizando para voltar a escrever, certo?

O leitor Ismael pergunta: como a desvalorização do real frente ao dólar afeta a inflação? É uma boa questão, que já comentamos algumas vezes aqui, mas que vale um post à parte.

Em primeiro lugar, é bom considerar que a Economia é um universo muito complexo, em que causas e efeitos não são muito diretos. Fica difícil provar que um evento provocou o outro quando todos acontecem ao mesmo tempo, não é?

Há, entretanto, um efeito muito reconhecido do câmbio sobre os preços domésticos. Para entendê-lo, precisamos compreender a desvalorização do Real. Ela significa que nosso dinheiro passa a valer menos.

Com o Real valendo pouco, fica mais caro importar produtos estrangeiros. Um produtor de sapatos, por exemplo, ainda que não mexa em seu preço, pode receber novos clientes, já que o sapato estrangeiro tornou-se mais caro.

A eliminação de alguns concorrentes estrangeiros pode, assim, dar mais poder de mercado aos produtores brasileiros. Assim, se a concorrência não for forte internamente, eles têm a possibilidade de fixar preços mais altos.

A regra não vale para todos os mercados. Alguns bens e serviços, como corte de cabelo, não têm concorrentes estrangeiros e, por isso, também não são afetados diretamente. Talvez indiretamente, se o preço dos produtos de beleza subir, por exemplo.

O mesmo raciocínio vale para o contrário: se a moeda brasileira valoriza-se, sobe a concorrência dos produtos estrangeiros. O resultado pode ser a queda nos preços e até a falência de algumas empresas.

Quem frequentou o comércio paulistano nos últimos dias deve ter tido a mesma impressão que eu: a economia está muito aquecida. As lojas estão cheias, as filas grandes e o atendimento piorou.

Visitei algumas lojas de eletrodomésticos neste fim de semana e confesso ter sentido saudade da época em que era assediada por inúmeros vendedores, sedentos por vender. Dessa vez, disputei espaço com dezenas de consumidores, até desistir de conseguir informações sobre um produto.

Em um restaurante recém-aberto no bairro Liberdade, assisti a várias discussões de disputa por mesas desocupadas. O macarrão do yakissoba veio queimado, no ponto para se partir com a faca. Vi uma cliente chamar o garçom e devolver o prato. As mercearias do bairro tinham filas maiores do que o normal.

Na semana passada, já tinha sofrido com o overbooking da TAM (nesse caso vou até citar o nome da empresa, porque registrei reclamação) em um voo de Brasília para Congonhas. Por causa do problema, fui encaminhada para Guarulhos, afastada do centro da cidade, sem pedidos de desculpa. Para piorar, tive que aguardar uma hora por um ônibus da companhia que me levaria até o outro aeroporto.

Isso para não falar no chocolate quente puro leite que tomei por mais de 5 reais em uma reconhecida loja de chocolates. A verdade é que há muito dinheiro circulando e a decisão de contratar empregados e investir em novos equipamentos, lojas e escritórios não ocorre de um dia para o outro.

Há dois caminhos para resolver esse problema: no curto prazo, aumentar a taxa básica de juros para tornar o dinheiro mais caro, como o Banco Central tem feito. Pensando no longo prazo, a solução é estimular investimentos e emprego. Nesse caso, juros mais baixos e menos impostos para empresas seriam bons caminhos.

Será que só eu tenho sentido na pele esse aquecimento? E olha que eu sempre elogiei com veemência os serviços paulistanos…

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira a tão esperada reforma no sistema financeiro do país. O projeto de lei ainda precisa ser sancionado pelo presidente Barack Obama.

A lei entrega para dez agências reguladoras a missão de definir as novas regras. Começa então, uma dura partida, entre as agências e os bancos, que vão tentar impedir normas muito rígidas.

A expectativa é que grandes bancos tenham que mudar em muito a rotina, desde as regras para cartões de débito e crédito até a negociação de derivativos (que explicamos aqui).

A lei também determina a criação de um conselho para monitorar o surgimento de riscos econômicos, anunciando a possibilidade de uma crise, por exemplo.

Uma das principais críticas é a falta de propostas para o crédito imobiliário e o destino das agências Fannie Mae e Freddie Mac, no centro da crise internacional.

Com as novas regras, o governo espera restaurar a confiança no mercado financeiro e na economia do país e evitar novas crises. Há quem tema, entretanto, que os limites ao crédito e à expansão bancária coloquem um freio na economia.

Vimos aqui como as inovações no mercado financeiro e a crise afetaram a vida dos moradores dos Estados Unidos. Vale a pena rever!

Sheena Iyengar, em foto de Steve Pyke

Você certamente já se encontrou alguns minutos em frente a uma prateleira de supermercado tentando escolher entre os vários sabores de um produto. Quantas vezes já saiu sem levar nada? O excesso de variedade pode ser ruim, segundo estudo conduzido na Califórnia, nos Estados Unidos.

Na pesquisa, conhecida como estudo da geleia, 24 sabores do produto foram expostos em um balcão de provas de um supermercado.  Muitos consumidores pararam para apreciar, mas apenas 3% deles compraram. Quando o número de sabores foi reduzido para seis, a visita foi menor, mas 30% dos interessados levaram a geleia.

A pesquisadora, Sheena Iyengar, curiosamente cega, decidiu pela pesquisa depois de se incomodar com a variedade de cada produto nas prateleiras do supermercado. Apesar da quantidade de opções (depois descobriu que por causa dela), Iyengar raramente comprava alguma coisa.

Em outro experimento, com chocolates, a pesquisadora percebeu que, diante de mais opções, os consumidores saíam menos satisfeitos com suas decisões.

O estudo também se aplica ao mundo dos investimentos. O Centro de Pesquisa de Aposentadoria do Vanguard Group, uma companhia de fundos de investimentos, fez pesquisa semelhante com cerca de 900 mil empregados. Quando aumentava as opções de investimentos para o grupo, a taxa de participação caía.

De acordo com o psicólogo George Miller, as pessoas só são capazes de escolher entre sete tipos diferentes de um produto. Mais do que isso pode confundir e levar à desistência.

A década de 70 ficou marcada pela invasão das palavras difíceis no jornalismo de economia. As expressões estrangeiras e os jargões dos profissionais da área dominaram o noticiário. Os repórteres do setor eram os mais bem pagos e o contexto econômico positivo subiu à cabeça. O livro Jornalismo Econômico, de Suely Caldas, traz um relato cômico sobre o período:

“Alguns se comportavam de forma prepotente, empinando o nariz para os colegas de outras editorias, com pose de elite, julgando-se uma suposta ‘nata intelectual do jornalismo’. Paletó, gravata e a indefectível maleta 007 – última moda na época, usada por empresários e executivos para carregar documentos – compunham o modelito típico de repórter econômico.

Lembro que, certa vez, lá pelos anos 70, o pessoal da editoria de esportes do Jornal do Brasil pregou uma peça nos colegas de economia para provar que a função da maleta era unicamente a de compor o visual. Sem que ele percebesse, enfiaram um grosso catálogo de telefone na maleta do subeditor de economia, Carlos Alberto Oliveira (depois presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, deputado e secretário do governo Brizola). Caó, como era conhecido, passou algum tempo desfilando e exibindo a maleta, ignorando o que na verdade ela carregava. Três dias depois, num final de tarde, quando a redação estava lotada de repórteres, Caó abriu a maleta e se deparou com o conteúdo dela. A gozação foi geral. Serviu para provar que a tal 007 não passava mesmo de um adorno. A arrogância começaria a desaparecer nos anos 80, com a democracia, o fim da censura e o nivelamento, salarial inclusive, da profissão”.

O livro da Suely Caldas, curto e objetivo como devem ser as matérias de economia, é uma leitura interessante para quem quer se aventurar nesse tipo de jornalismo. Sem maleta, por favor.