Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘bancos públicos’

De ineficientes a necessários. Um caderno especial do Valor Econômico sobre bancos públicos é mais uma amostra da mudança de mentalidade trazida pela crise. Nele, o economista Dean Baker diz que a ideia de que tudo deve ser privatizado já morreu.

Dean Baker defende que bancos públicos podem funcionar muito bem e que os brasileiros têm feito o dever de casa em tempos de crise: dar o crédito que o setor privado cortou e estimular a economia. 

Para o economista, o pico da privatização ficou para trás, na década de 90. Agora os bancos públicos brasileiros têm um papel anticíclico, ou seja, exercem uma pressão positiva enquanto a economia vai mal.

Entre os benefícios trazidos pela atuação dos bancos públicos, Baker cita a concorrência. Ele defende sistemas híbridos, formados por instituições públicas e privadas. Os bancos públicos deveriam escolher setores estratégicos para atuar, enquanto os privados buscam oportunidades em outros nichos.

As perspectivas do pesquisador para a economia brasileira são muito melhores do que para a dos EUA. Para a primeira, a estimativa é de recuperação em 2010, para a segunda, só em 2012. Além disso, ele acha que vamos passar pela crise sem grandes perdas em produção e emprego.

Baker reforça a mudança de mentalidade: entende-se ainda que o setor privado faz muitas coisas de forma mais eficiente, mas aceita-se cada vez mais que o setor público tem papel fundamental no funcionamento da economia.

Clique aqui e leia a entrevista com Dean Baker na íntegra.

Read Full Post »

O artigo a seguir foi escrito especialmente para o blog pelo economista e aluno do mestrado em Economia da Unicamp, Frederico Madureira. Ele responde à questão de Renata, uma de nossas leitoras.

Diante da crise econômica, o presidente Lula e a equipe econômica têm insistido em utilizar os bancos públicos para conceder mais crédito, em uma tentativa de diminuir o impacto causado pela redução de empréstimos por parte dos bancos privados. No centro dessa iniciativa estão, sobretudo, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil (BB).

Neste mês, a imprensa divulgou a demissão do presidente do Banco do Brasil, Antonio de Lima Neto, acusado de não seguir os ditames do presidente da República, recusando-se a reduzir os elevados spreads bancários, diferença entre o que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram de quem pega emprestado. O sucessor no cargo, Aldemir Bendine, entra com o propósito claro de reduzir os spreads e contribuir para tirar o país da crise. 

Diante dessa situação, surgem algumas perguntas: como o BB deveria comportar-se? Como banco público ou privado? E mais: qual é o papel dos bancos públicos? Há diferenças na gestão e nos objetivos perseguidos pelos bancos públicos e privados? E quando a racionalidade empresarial privada confronta-se com a dimensão da gestão pública, como é o caso do Banco do Brasil?

Um banco público é uma instituição criada pelo Estado, que tem seu controle acionário. Por isso, ele pode e deve buscar outros retornos além do financeiro. Dentre as suas atividades, pode oferecer prazos e taxas diferenciadas para setores específicos da economia. Pode ainda trabalhar para induzir o mercado a atuar de forma diferenciada em momentos de crise, quando há expectativa de encolhimento do setor privado. Espera-se, por exemplo, que a redução do spread pelo Banco do Brasil, caso realmente ocorra, obrigue outros bancos a fazer o mesmo, diante da concorrência.  

Rogério Andrade e Simone Deos usam criticamente o termo banco estatal privado para referirem-se ao banco público deixado ao seu bel prazer, que se torna descolado de políticas governamentais mais amplas voltadas à promoção do desenvolvimento sócio-econômico.

Um banco público deveria participar onde o setor privado reluta em atuar, corrigindo falhas de mercado e direcionando crédito para setores e regiões com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico. Isso muitas vezes pode ocorrer, inclusive, em oposição ao desempenho financeiro do próprio banco.

Para mais informações sobre esse assunto, leia o artigo A trajetória do Banco do Brasil no período recente (2001-2006): banco público ou banco estatal privado?, de Rogério Pereira de Andrade e Simone Deos (Texto para Discussão, IE/UNICAMP, n. 136, out. 2007).

Read Full Post »