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Posts Tagged ‘BNDES’

Uma das barreiras ao desenvolvimento brasileiro é a dificuldade de conseguir crédito por um período longo. É herança de uma época em que a instabilidade caracterizava a economia.

Quem ia querer emprestar dinheiro por muito tempo quando a inflação comia sem dó o valor do dinheiro, os planos econômicos (alguns mirabolantes) alternavam-se rapidamente e o futuro era uma incógnita? Como definir os juros nesse contexto? E quem se arriscaria a assumir os juros exorbitantes que resultariam de todo esse risco?

Os grandes investimentos só não foram todos inviabilizados até o momento pela existência de um emprestador público, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição é hoje a principal financiadora de longo prazo dos investimentos no país.

Agora que a economia caminha a passos mais confiáveis, o governo quer incluir a iniciativa privada nesse tipo de crédito. O pacote, que deve ser lançado depois das eleições segundo o Valor Econômico desta segunda-feira,  inclui definir até onde o BNDES deve ir e criar isenções de impostos para os empréstimos mais longos.

Assim, espera-se aumentar a taxa de investimento no país, definida como uma proporção de todos os bens finais produzidos no país, o Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, a taxa brasileira é de 19%. Para se ter uma ideia, a chinesa está próxima de 40%.

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O Charles, leitor do blog, perguntou o que significa a expressão crédito a fundo perdido, que já encontrou algumas vezes nos jornais. Concordo que o termo não deveria ser usado sem tradução.

Pedi ajuda ao economista Jefferson Galetti para responder à pergunta. Segundo ele, crédito a fundo perdido refere-se a recursos disponibilizados por um emprestador sem perspectivas de reembolso.

Normalmente, os recursos são cedidos pelo Estado e o investimento é voltado para funções sociais, como obras de infraestrutura, saneamento básico e construção de moradias populares.

É por isso que o Charles destaca que normalmente vê a expressão associada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O banco é do governo e financia também investimentos privados. Mas, nestes casos, é um empréstimo normal, que deve ser pago.

O BNDES também oferece crédito a fundo perdido para projetos ligados a inovações, geração de emprego e renda, proteção ao meio ambiente e preservação de acervos. Nesses casos, como foi dito, o dinheiro não precisa ser devolvido ao Estado.

Agradeço ao Charles pela sugestão de tema e ao mestrando em Economia pela Unicamp, Jefferson Galetti, pela colaboração com a resposta. Você também pode deixar suas questões nos comentários ou em sugestões.

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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse nesta quarta-feira que a valorização do real é um problema e que o Banco Central precisa encontrar formas de “esterilizar” a forte entrada de dólares no país. O termo “esterilizar” é um jargão comum no noticiário econômico, mas o que significa?

O preço do dólar vem caindo, para perto de 2 reais, porque há muito dólar no mercado. A maior parte do dinheiro entra como pagamento por exportações e investimentos, sejam diretos ou em ações das empresas brasileiras e títulos do governo. Como há mais oferta de dólar do que demanda, o preço cai.

O governo reduz a queda do dólar ao aumentar a demanda por ele. Pode fazer isso atuando como mais um comprador, como de fato faz periodicamente. Acontece que quando o Banco Central compra dólares, joga reais na economia. Ele aumenta, assim, a base monetária, formada pelo dinheiro que as pessoas têm em mãos mais as reservas nos bancos.

Mais dinheiro circulando no mercado pode levar a uma queda no seu preço: a taxa de juros. Só que o governo tem uma meta para ela, a taxa básica, Selic. Para garantir seu cumprimento, precisa enxugar os reais que lançou ao mercado. Ele pode fazer isso por meio de operações de mercado aberto, em que vende títulos públicos.

Ao vender títulos de sua dívida, o governo entrega o papel, com promessa de rendimento, e pega de volta os reais que lançou no mercado. É exatamente esse procedimento que se chama de esterilização. Em resumo, o governo toma dólares e entrega reais e, em seguida, toma reais e entrega títulos.

Só para finalizar, vários economistas chamam a atenção para um problema nesse tipo de operação, apesar de sua eficácia no controle da volatilidade do câmbio. Ao final dela, o governo fica com reserva em dólares, grande parte aplicada em títulos do governo americano, e dívida em reais, pelas quais paga os juros brasileiros. Rendimentos nos baixíssimos juros básicos americanos e pagamentos nos altíssimos juros brasileiros? Prejuízo na certa.

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Luciano Coutinho, por Felipe CarneiroA economia brasileira vai crescer 1%, ou até um pouco menos, este ano, com aceleração na virada, e aumento de 4% em 2010. Essa é a estimativa do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o entrevistado desta segunda-feira no Roda Viva, da TV Cultura. O economista aposta no mercado interno para a recuperação imediata, mas defende que “temos condições e obrigação de pensar no longo prazo”. O BNDES oferece crédito, a juros mais baixos que os de mercado, para infra-estrutura, agricultura, comércio e serviços. Também tem investimentos sociais. Este ano, o banco espera desembolsar mais de 100 bilhões de reais. Em seguida, os melhores momentos da conversa, que passou por vários temas. 

Recuperação da economia

Coutinho dividiu os investimentos brasileiros em dois blocos. Metade deles foi afetada pela crise econômica. Esses empresários teriam cortado investimentos ao perceber o aumento da capacidade ociosa (de 15% para cerca de 25%), ou seja, que uma parte importante da planta e dos equipamentos já instalados estariam fora de uso. A outra metade dos investimentos seria autônoma, não dependeria da conjuntura econômica de curto prazo, mas da expectativa de crescimento médio da economia nos próximos 10 ou 15 anos. Essa parte, segundo ele, tem se revelado muito robusta no Brasil. Aí estariam incluídos investimentos em infra-estrutura, como energia elétrica, logística, transporte e telecomunicações. Outro centro importante de sustentação da economia seria a Petrobrás, sobre a qual seria possível construir uma política industrial, com incentivos a uma cadeia que incluiria estaleiros, sistemas de automação e metalurgia.

Mercado doméstico

O mercado interno, segundo Coutinho, foi preservado na crise: somos uma das primeiras economias a reverter a queda no emprego, em março, e a renda foi protegida por aumento salarial e da renda previdenciária. Ele espera que esses resultados permitam a retomada moderada do consumo, de forma a ocupar a capacidade ociosa nas indústrias (chegando a cerca de 17% em 2010).

Exigências para empréstimos

Luciano Coutinho disse ter feito reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última semana, para discutir a regulamentação de um fundo garantidor de empréstimos. Seria uma forma, existente em outros países, de compartilhar o risco, tornando os investimentos viáveis e mais atraentes para as empresas. Deve ser utilizado em obras grandes, cujo período de investimento é longo, como energia elétrica. As medidas tornariam os leilões de concessão acessíveis a mais empresas, criando a possibilidade de tarifas menores para o consumidor final.

Juros altos

O presidente do BNDES defendeu a necessidade de reduzir o patamar de juros no Brasil. Disse, inclusive, que o juro real de longo prazo do próprio banco público pode vir a ser mais baixo, já que é alto em comparação com Coréia, China, EUA e Europa.

Pequenas e médias empresas

Coutinho disse estar muito preocupado com a terrível escassez de crédito privado para pequenas e médias empresas e afirmou que o BNDES repassa cerca de 40% dos seus recursos para a rede de bancos privados atender a essa demanda. Ele estimulou empresários a pedirem, nos bancos, o cartão BNDES, um cartão de crédito que teve o limite ampliado de 250 mil para 500 mil depois da crise, além da redução de juros, para 12% ao ano, e aumento do prazo de pagamento de 36 para 48 meses. Esse tipo de financiamento cresceu 90% nos primeiros meses de 2009.

Empréstimos para investimentos em outros países

Se alguma empresa brasileira ou estrangeira, com sede no Brasil, ganha um contrato no exterior para construir uma hidrelétrica, um metrô, uma aeronave, ou qualquer grande equipamento, o BNDES pode financiar essa exportação. O pagamento é feito à vista ao exportador brasileiro e a empresa estrangeira paga as parcelas ao BNDES. Segundo Coutinho, para cada 100 milhões de dólares em bens e serviços exportados, há uma geração de 20 mil empregos no Brasil. Se não houvesse financiamento, poderíamos perder para concorrentes, especialmente chineses. Na América Latina, as garantias de 94% dessas operações, no ano passado, foram Créditos Recíprocos, em que os bancos centrais comprometeram-se a arcar, coletivamente, com o não pagamento de empréstimos. Em 40 anos, nunca houve um calote. O convênio permite juros baixos, por reduzir riscos dos contratos.

Uso ilícito do dinheiro público

Os jornalistas questionaram sobre o superfaturamento de obras em que o BNDES entra como financiador. Coutinho disse que o banco toma todas as precauções para que isso não ocorra: “se alguma irregularidade ocorrer e for apurada, eu serei o primeiro a utilizar todas as cláusulas de salvagarda para reaver os recursos”.

Dinheiro para os “trambiqueiros”

Luciano Coutinho foi questionado sobre o financiamento para empresas que declararam grandes perdas com especulação em derivativos, chamados de “trambiqueiros” pelo presidente Lula. Ele afirmou que qualquer ajuda do BNDES a essas empresas teve como condição prévia a reestruturação dessas dívidas, que foram refinanciadas com o sistema bancário privado. Isso significa que o dinheiro público deve ser usado para novos investimentos, não para arcar com os prejuízos. Sobre a compra da Sadia pela Perdigão, Coutinho disse que o BNDEs pode participar da oferta pública de ações como qualquer investidor, com o objetivo de ganhar com a valorização da empresa. Quanto à possibilidade de dano aos consumidores, com a redução da concorrência, disse que a operação deve ser examinada pelo Cade rigorosamente.

Estratégia de longo prazo

O presidente do BNDES afirmou que há uma política de longo prazo de desenvolvimento produtivo, que não deve ser esquecida com a crise. Disse que a economia retomou fundamentos reais, depois de superar hiperinflação e alta vulnerabilidade cambial, e que o BNDES está profundamente engajado, revisando as estratégias para recuperar as taxas de investimento. Coutinho considera que há amadurecimento político no sentido de pensar mais no longo prazo e menos no curto.

A gravação do programa Roda Viva, com a presença de Luciano Coutinho, será transmitida na TV Cultura hoje às 22h10. Lembre-se de que você também pode acompanhar este blog pelo Twitter.

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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, é o entrevistado, a partir das 9h30, no Roda Viva, da TV Cultura.

Na bancada, além do jornalista Heródoto Barbeiro, a editora de Brasil do Valor Econômico, Denise Neumann, o editor de Finanças da revista Istoé Dinheiro, Milton Gamez, o editor de Economia da Folha de S. Paulo, Sergio Malbegier e a colunista do Estado de S. Paulo, Sonia Racy.

O BNDES tem sido uma importante fonte de financiamento para empresas, diante da contração do crédito privado por causa da crise econômica. Além dessa questão, devem ser debatidas a participação do órgão na exploração do pré-sal, a evolução dos juros básicos, o apoio financeiro à concentração, como é o caso na formação da Brasil Foods.  

Fui convidada para participar da bancada pelo Twitter, mas a minha rede é nova e ainda está em formação. O colega jornalista Charles Nisz vai estar por lá, para quem quiser acompanhar por essa ferramenta. Vou publicar algumas impressões no Twitter do Economia Clara e fecho uma matéria mais tarde para o blog.

A transmissão ao vivo é participativa. Quem quiser assistir, enviar perguntas e fazer comentários pelo chat, pode acessar a página do Roda Viva.

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