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Posts Tagged ‘economia fácil’

A leitora Renata deixou hoje em um de nossos posts a seguinte pergunta: 11126 ações PN da Petrobras equivalem a quanto em dinheiro?

Uma forma simples de descobrir quanto vale uma ação é pelo site da BM&FBovespa, que concentra as negociações em bolsa realizadas no país.

Para responder a pergunta da Renata, entramos no site, onde encontramos na coluna da direita o título “Acompanhe a bolsa”. Aí está o valor do Ibovespa, um termômetro do mercado, que já explicamos aqui.

Logo abaixo temos “Cotação Rápida”, onde devemos digitar o nome da empresa que emitiu as ações. No caso da Petrobrás, aparecem vários tipos de ações. A leitora pergunta sobre Petrobrás PN (a diferença entre ON e PN está aqui).

Uma nova tela indica a sigla pela qual a ação é negociada em bolsa, seu preço, oscilação e número de vezes em que foi negociada naquele dia.

Aí está a resposta para a pergunta da Renata: a ação PETR4 vale hoje R$ 29,05, depois de cair 1,92%. Nesta segunda-feira, ela foi negociada 16.168 vezes.

Para descobrir o valor final das 11.126 ações da pergunta da Renata é só multiplicar essa quantidade pelo valor de cada uma. Assim, a resposta é R$469.680,40.

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Quando uma empresa começa a vender ações, ela assume a obrigação de dividir decisões e prestar contas. O processo de abertura de capital é burocrático e dura pelo menos dois anos. Sendo assim, por que ela toma essa decisão?

Para crescer, empresas precisam construir nova unidades e comprar equipamentos. Muitas vezes, elas não têm dinheiro em caixa e o retorno virá no longo prazo.

O dinheiro para investimentos pode vir de um empréstimo bancário. Nesse caso, o empresário terá que pagar por ele no prazo estabelecido, seja qual for o impacto nos rendimentos da empresa.

Com a abertura de capital é diferente. Quem compra ações passa a ser proprietário e, assim, a aproveitar os lucros, mas também a arcar com prejuízos. Caso os investimentos não tenham o retorno esperado ou uma crise internacional prejudique a economia, por exemplo, os acionistas vão compartilhar as perdas.

Clique aqui para ver um vídeo, produzido pela UOL, em que o consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) Luiz Girandir Simões explica por que empresas tomam decisão de abrir capital. Ele também trata dos atrativos e alertas em relação aos IPOs (que já conhecemos aqui).

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Inflação é quando o dinheiro do bolso não vale nada, recessão é quando o dinheiro vale mas não está no bolso.”                       (Comédia da Vida Privada)

Essa é uma explicação simples e genial para dois termos muito usados em economia. De forma menos poética, inflação é o aumento no nível geral de preços, do qual já tratamos aqui e aqui.

Recessão é a palavra usada quando há uma queda na produção de um país. Também já escrevemos sobre ela aqui. Vimos que, normalmente, fala-se em recessão quando o PIB (soma do valor de todos os bens finais produzidos em um país) cai por dois trimestres seguidos.

Encontrei a citação de Comédia da Vida Privada em outro blog de Economia, o Academia Econômica.

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Banco Central, o emprestador de última instânciaAtualmente, pouquíssimas pessoas mantêm muito dinheiro no bolso. Elas têm contas correntes em que fazem depósitos. Quando precisam de dinheiro, fazem saques ou recorrem a um empréstimo.

E como ficam os bancos? É claro que eles não mantêm o dinheiro que você deposita guardado, mas fazem empréstimos com ele. Se você e muitos outros resolverem sacar recursos de seu banco hoje, ele pode fechar o dia no negativo.

É por isso que os bancos também têm seu banco, o Banco Central, onde cada um mantém uma conta de reservas. Como você, eles depositam os excessos em dia de saldo positivo e pegam dinheiro emprestado quando ele é negativo.

Por meio do chamado mercado interbancário, os bancos emprestam dinheiro uns aos outros. Obviamente, eles cobram e pagam juros por isso.

Pode ocorrer, entretanto, que grande quantidade de bancos tenha saldo negativo no mesmo dia. Os saques podem ocorrer simplesmente porque é fim de ano e começo das férias ou pelo medo causado por uma crise internacional, por exemplo.

Com a demanda excessiva por recursos, os juros do mercado entre bancos poderiam subir demais. Ao pagarem mais por recursos, os bancos também cobrariam mais por eles. Os juros altos chegariam ao seu bolso. Para evitar essas oscilações, o Banco Central pode entrar com uma oferta extra de reservas.

A atuação do Banco Central, ofertando mais ou menos recursos, vai permitir que a taxa cobrada no interbancário suba mais ou menos, ou até caia. À média das taxas das operações de um dia é dado o nome de taxa Selic, da qual você já deve ter ouvido falar.

Os juros que você paga, quando o dinheiro chega às suas mãos, são muito afetados por toda essa dinâmica. O Bacen pode manejar esse tipo de política de forma a controlar a disponibilidade de dinheiro na economia. Ele faz isso por meio de metas para a Selic, política monetária sobre a qual sempre falamos por aqui.

Uma excelente fonte para compreender essa dinâmica é o livro Economia Monetária e Financeira, de Fernando Cardim de Carvalho e outros autores.

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Li hoje em um blog um erro que já vi alguns cometerem desde que a crise econômica começou: a ideia de que alguém ganhou o dinheiro que outras pessoas perderam na crise.

O raciocínio é simples: se bancos, famílias e empresas perderam alguns bilhões de reais, esse dinheiro foi parar em algum lugar. E quem seriam os ganhadores?

É preciso compreender, entretanto, que grande parte do dinheiro que esses indivíduos acreditavam ter estava em outras formas, como ações.

Suponhamos que você possuísse, em maio de 2008, uma ação da Petrobrás. Você veria o valor dela do mercado e perceberia que, além da sua renda mensal, tinha R$49,63.

Seis meses depois você resolve fazer as contas de novo. A crise tinha prejudicado a confiança nas bolsas de todo o mundo. Temerosos, muitos resolveram vender suas ações. Em novembro de 2008, a mesma ação da Petrobrás só valia R$15,96.

Em pouco tempo, você teria perdido uma parte do seu patrimônio, R$33,67, sem que ninguém tivesse ganhado este valor.

Agora imagine as perdas, nesses seis meses, de quem tinha mil ações da Petrobrás: R$33.670,00. Pense ainda em inúmeras pessoas perdendo valores iguais ou maiores do que esse.

Conclusão: pode parecer mágica, mas, em uma crise, grande parte do valor simplesmente evapora.  Ao perceberem que perderam sua riqueza, essas pessoas passam a gastar menos dos próprios salários e a poupar mais. É claro que isso tem consequências desastrosas para a dinâmica da economia.

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O Banco Central divulga, nesta quarta-feira, o preço do dinheiro no Brasil. A estimativa da maior parte dos analistas é que a taxa básica de juros, a Selic, vai continuar em 8,75%. O mistério reside no restante do ano: o Bacen vai aumentar a taxa básica, ou seja, vai aumentar o preço do dinheiro, vai cortar o estímulo à economia brasileira? Em quanto?

A Selic é tão importante porque serve de referência para os juros cobrados pelos bancos. Mas por que o governo tomaria uma medida que deixa o crédito mais caro para pessoas e empresas? O argumento é a inflação.

A economia brasileira está em alta no momento, o que significa muito dinheiro em circulação. Se não houver investimento em novas plantas, mais equipamentos e contratação de empregados, poderá haver mais dinheiro do que produtos no mercado. O resultado pode ser aumento nos preços.

Eu disse pode… Se a moeda brasileira estiver valorizada, esse dinheiro em excesso pode transformar-se em importações e não em inflação. Isso é interessante para indústrias que dependem de tecnologia importada, por exemplo. Mas a recente queda do Real deixou muitos pessimistas quanto a essa possibilidade.

De qualquer forma, a taxa de juros é um limite para o crescimento da economia. Quando o Bacen aumenta a taxa para que não haja demanda em excesso, também contém os investimentos que poderiam suprir essa demanda no futuro.

É por isso que alguns analistas sugerem caminhos alternativos à elevação da Selic. O governo pode, por exemplo, evitar a inflação se ele mesmo colocar menos dinheiro no mercado, cortando gastos supérfluos.

Mas a polêmica é grande. Há divergência sobre a necessidade de elevar os juros, sobre em quanto ele deve ser elevado, caso seja, e em que momento. Existe ainda quem defenda que a meta de inflação do Banco Central é baixa e que seria possível conviver com o nível de preços um pouco mais elevado em prol do crescimento.

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A crise econômica mundial começou no setor imobiliário dos EUA, mas espalhou-se pelo mundo. De uma forma bem simplificada, tomadores de crédito de um tempo de bonança viram-se incapazes de arcar com as dívidas e a inadimplência espalhou-se pelo sistema. Os resultados são o desemprego e o encolhimento das economias. Como isso é possível? A música O Malandro, de Chico Buarque, faz uma excelente caricatura dessa transmissão e mostra como, em Economia, tudo está interligado.  Veja abaixo:

O malandro

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português

O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita (ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçon

O garçon vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação

Podemos substituir o malandro de Chico Buarque por um Ninja (No income, no job, no assets), nome dado aos americanos que tomaram empréstimos sem comprovar renda, emprego ou a propriedade de qualquer ativo no período de boom. É claro que, nesse caso, eles não eram malandros, mas vítimas do sistema.

A música de Chico Buarque faz parte da Ópera do malandro, baseada na Ópera dos três vinténs, de Bertold Brecht e Kurt Weill, e na Ópera do mendigo, de John Gray. Agradeço pela sugestão do economista Bruno De Conti, que lembrou da música como uma bela analogia com alguns aspectos da crise que vivemos.

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