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Ilustração de Jon Berkerly para The Economist

Ilustração de Jon Berkerly para The Economist

A crise internacional colocou em cheque aspectos importantes da teoria econômica. A última The Economist assume que, dentre todas as bolhas, poucas explodiram de forma tão espetacular quanto a reputação da própria economia.

Segundo o artigo, a nova situação contrasta com a de poucos anos atrás, quando a Economia era aclamada como modo de explicar cada vez mais formas do comportamento humano. Os economistas tornaram-se mais confiáveis do que os políticos.

O texto cita Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, segundo quem a maior parte dos últimos 30 anos de Macroeconomia foi inútil, na melhor das hipóteses, e prejudicial, na pior delas.

Duas áreas de conhecimento são colocadas em questão: a Macroeconomia e a Economia Financeira. Os economistas financeiros formalizavam teorias de eficiência, defendiam que os mercados tratavam de se regular e que as inovações eram sempre benéficas. Os macroeconomistas teriam sido complacentes.

Houve sim advertências, lembra o artigo, e avanços no campo da Economia Comportamental, por exemplo. Esses insights da academia, entretanto, ficavam à margem. Ou seja: havia pouquíssimas vozes gritando para parar.

Agora, defende o texto, é preciso que macroeconomistas entendam as finanças e que os profissionais das finanças pensem sobre o contexto em que os mercados funcionam. É preciso lembrar que economistas são cientistas sociais, tentando entender o mundo real.

O artigo procura preservar um pouco a teoria. Considera que o descrédito não pode ir longe demais e que muito do conhecimento acumulado não tem qualquer ligação com a crise. Termino com um trecho interessante, aqui em tradução livre: “Economia é menos um credo servil do que um prisma através do qual entender o mundo”.

Para ler o artigo, na íntegra, clique aqui.

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charge QuinhoDesde que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o diploma de jornalista não é obrigatório, há menos de um mês, ouço comentários sobre a inutilidade de se ter um. Um conceito econômico, o de sinalização, me faz pensar que ter um diploma de jornalista ainda tem sim a sua importância.

A formação em jornalismo, pelo menos quando em uma faculdade decente, sempre indicou mais do que o direito de exercer a profissão. Ela sinaliza, para as empresas de Comunicação, que aquela pessoa dá tal importância à profissão que dedicou quatro anos de sua vida a estudá-la.

A maioria dos meus colegas de faculdade escrevia muito bem e tinha prazer em fazê-lo não porque tivesse aprendido essa habilidade na faculdade, mas porque já ingressara no curso por tê-la. Assim, acredito que a porcentagem de pessoas que escrevem bem seja maior entre um grupo com diploma de jornalista do que quando se considera um conjunto de profissionais de várias áreas.

Existe em economia, inclusive, o chamado efeito diploma. O economista da Universidade de Boston Andrew Weiss concluiu, a partir da análise de várias ocupações, que o efeito da educação na produtividade nem sempre era grande. A diferença maior estava, por exemplo, no número de faltas e na rotatividade, muito maior entre os não formados. O diploma sinalizava não só o aprendizado, mas a capacidade de se dedicar à atividade por muito tempo. 

Sendo assim, sem entrar no mérito da importância do curso de jornalismo, o diploma de jornalista pode até não garantir, mas é uma importante sinalização da qualidade do profissional.

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O jornalismo econômico ganhou espaço próprio no noticiário brasileiro com a ditadura militar. O governo não tinha interesse em divulgar fatos políticos e preferia exibir os dados do período que ficou conhecido por milagre econômico, por causa das altas taxas de crescimento da produção. A falta de democracia e de liberdade de escolha do período favorecia o uso de termos complexos, muitos importados do inglês, que saíam da boca dos especialistas diretamente para os jornais. Estão aí as raízes da linguagem enigmática que encontramos hoje no noticiário.

Mas economia não é coisa de outro mundo. Como lembra o economista Gregory Mankiw, a relação com o cotidiano está na própria origem da palavra: aquele que administra um lar. Ele também recorda a definição de Marshall, economista do século XIX: Economia é o estudo da humanidade em sua vida rotineira. Ela está na passagem de ônibus, nas compras no supermercado, na aquisição da casa própria, no meio-ambiente… É difícil pensar hoje em algum ato cotidiano que não envolva economia.

A Economia não é para poucos. Neste blog, vamos destrinchar os termos da moda que pipocam a cada semana nos jornais e revelar como as decisões econômicas têm reflexo no seu dia-a-dia. Aqui, dúvidas e questionamentos são sinais de inteligência e o jargão transforma-se em bom português.

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