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Posts Tagged ‘empréstimo’

Uma das barreiras ao desenvolvimento brasileiro é a dificuldade de conseguir crédito por um período longo. É herança de uma época em que a instabilidade caracterizava a economia.

Quem ia querer emprestar dinheiro por muito tempo quando a inflação comia sem dó o valor do dinheiro, os planos econômicos (alguns mirabolantes) alternavam-se rapidamente e o futuro era uma incógnita? Como definir os juros nesse contexto? E quem se arriscaria a assumir os juros exorbitantes que resultariam de todo esse risco?

Os grandes investimentos só não foram todos inviabilizados até o momento pela existência de um emprestador público, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição é hoje a principal financiadora de longo prazo dos investimentos no país.

Agora que a economia caminha a passos mais confiáveis, o governo quer incluir a iniciativa privada nesse tipo de crédito. O pacote, que deve ser lançado depois das eleições segundo o Valor Econômico desta segunda-feira,  inclui definir até onde o BNDES deve ir e criar isenções de impostos para os empréstimos mais longos.

Assim, espera-se aumentar a taxa de investimento no país, definida como uma proporção de todos os bens finais produzidos no país, o Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente, a taxa brasileira é de 19%. Para se ter uma ideia, a chinesa está próxima de 40%.

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Uma leitora do blog perguntou qual a diferença entre juros reais e nominais. O diferencial afeta quem investe ou pega dinheiro emprestado e torna-se mais claro em tempos de inflação alta.

Quando você decide se vai ou não colocar 100 reais na poupança, compara o valor de ter o dinheiro hoje com o de tê-lo amanhã. Suponha que você pudesse comprar hoje, com esse valor, um livro que gostaria muito de ler. Resolve, entretanto, adiar essa compra em prol de um consumo maior no futuro.

Vamos supor uma taxa de juros de 6% ao ano. Quando for retirar esse dinheiro em 2010, você terá 106 reais em mãos. Você ainda tem muita vontade de ler o livro e resolve comprá-lo. Ao chegar à livraria, percebe que ele agora custa 104 reais. Ou seja: você aplicou 100 reais, mas só ganhou, na realidade, 2. Os juros nominais foram de 6%, mas os reais foram de apenas 2%.

Imagine agora que você resolva pegar dinheiro emprestado hoje, a juros de 6% ao ano, para comprar o livro. Daqui a um ano, você terá que pagar 106 reais. Na hipótese de que você pudesse revender o livro sem depreciação do valor, receberia 104 reais. Assim, perderia apenas 2 reais: juros de 2%.

Agora vamos estender para a toda economia: o dinheiro perde poder de compra por causa da inflação. 100 reais hoje não vão valer o mesmo daqui a um ano. Por isso, é tão importante para investidores e para quem pega dinheiro emprestado acompanhar os índices de inflação, que mostram as variações nos preços, e as expectativas para os próximos períodos.

TAXA DE JUROS REAL = TAXA DE JUROS NOMINAL – TAXA DE INFLAÇÃO

Essa foi a dúvida da Renata. Clique aqui e deixe também a sua questão. Você pode acompanhar as atualizações do blog pelo Twitter.

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Se você já entrou no cheque especial, conhece bem o peso do spread bancário, ainda que não o conheça pelo nome. O banco paga juros por esse dinheiro que te empresta, muito menos do que cobra de você. O spread é exatamente essa diferença entre o que o banco paga quando capta dinheiro e o que cobra de quem pega emprestado. No Brasil, esse incremento é muito alto. Em dezembro de 2008, um empréstimo que custava em média 11,1% ao ano aos bancos chegava a 19,6% para as empresas. No caso de pessoa física, a diferença é bem mais absurda: quem pedia emprestado pagava, em média, 52,6% de juros ao ano pelo que custava 12,8% aos bancos.

Esses percentuais foram divulgados recentemente pelo Banco Central brasileiro. Eles foram obtidos por uma nova forma de cálculo, que inclui modalidades antes não consideradas, como cartão de crédito e repasses do BNDES. Com as alterações nas contas, o spread diminuiu um pouco, mas continua exorbitante.

Mas, atenção: o spread não é todo lucro para os bancos. Ele também inclui as despesas administrativas, os impostos diretos e indiretos e o risco de inadimplência. Para se ter uma idéia, no último relatório do Banco Central que analisa essa decomposição, cerca de 37%  do spread deve-se à inadimplência e outros 37% à chamada margem líquida. O lucro dos bancos está dentro da margem líquida, mas, infelizmente, não é possível saber, pela classificação, qual a porcentagem dela é lucro. O fato é que, se queremos reduzir o spread, esses dois fatores devem estar na mira: o lucro dos bancos e o risco de não pagamento.

Sobre a inadimplência, há duas questões a se considerar: em primeiro lugar, se a justiça fosse mais rápida e os processos menos burocráticos, os bancos teriam menos risco em emprestar. Em segundo lugar, se os juros fossem mais baixos, os tomadores teriam menos dificuldade de pagar pelos empréstimos. Não é muito difícil concluir, por exemplo, que nem todos os consumidores que usam cartão de crédito serão capazes de arcar com os juros de 248% ao ano registrados em dezembro.

É exatamente esse risco de não pagamento que torna o spread mais elevado em tempos de crise. Isso tem impedido que os esforços do governo para reduzir o custo do dinheiro cheguem às famílias e empresas. Além disso, é importante lembrar que os bancos podem aplicar esse dinheiro que captam, com baixíssimo risco, em títulos públicos federais. Assim, quando a taxa básica, Selic, está elevada,  eles vão querer cobrar ainda mais para emprestar a pessoas e empresas, operações de muito mais risco.

Os efeitos do spread elevado sobre a economia do país são claros: consumidores conscientes vão temer o crédito e empresários vão pensar muito mais antes de investir, já que precisam ter um retorno elevadíssimo para conseguirem pagar por um empréstimo.

A questão do spread foi levantada por Eber, Fred e Thiago. Dê também a sua sugestão de tema!

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