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Posts Tagged ‘inflação’

Inflação é quando o dinheiro do bolso não vale nada, recessão é quando o dinheiro vale mas não está no bolso.”                       (Comédia da Vida Privada)

Essa é uma explicação simples e genial para dois termos muito usados em economia. De forma menos poética, inflação é o aumento no nível geral de preços, do qual já tratamos aqui e aqui.

Recessão é a palavra usada quando há uma queda na produção de um país. Também já escrevemos sobre ela aqui. Vimos que, normalmente, fala-se em recessão quando o PIB (soma do valor de todos os bens finais produzidos em um país) cai por dois trimestres seguidos.

Encontrei a citação de Comédia da Vida Privada em outro blog de Economia, o Academia Econômica.

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A economia brasileira está aquecida. Com dinheiro em mãos, os brasileiros querem gastar. Diante de tanta demanda e da dificuldade de oferecer mais em pouco tempo, produtores e comerciantes podem subir os preços. É a temida inflação.

Para evitar os transtornos trazidos pela inflação, o governo define uma meta. Atualmente, o objetivo é que a taxa não passe muito de 4,5% ao ano, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Isso significa que uma cesta de produtos e serviços que custava R$100 no começo do ano deve chegar em dezembro por cerca de R$104,50.

Acontece que, se tudo continuar como está, a expectativa do mercado é que a inflação chegue a 5,03%. Na atual política, este é um sinal de alerta para o governo. Ele aponta para a necessidade de conter a economia, tirar dinheiro de circulação. Isso é feito por meio de ajustes na taxa Selic, em reuniões da diretoria do Banco Central que ocorrem a cada 45 dias.

Apesar dos temores da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira segurar um pouco mais a taxa, que está em 8,75% ao ano desde julho do ano passado. Foi confirmada a previsão do mercado financeiro, que espera um primeiro aumento da taxa somente em abril. A previsão do mercado, segundo pesquisa do próprio Banco Central, é que a taxa chegue ao fim do ano em 11,25%.

O Bacen já deu o sinal. Segundo nota divulgada pelo banco, dessa vez a decisão não foi unânime. Três dos oito diretores defendiam um aumento de meio ponto percentual na taxa.

O caminho da Selic até o seu bolso é tortuoso, com muitos resultados ainda não comprovados pela ciência econômica. A ideia básica é que você pode pensar na taxa Selic como o preço médio do dinheiro. Se ela sobe, o dinheiro fica mais caro e circula menos. Se abaixa, o efeito é contrário e pode haver inflação.

É bom destacar que a taxa básica brasileira sempre figura entre as mais altas do mundo, revezando a liderança com poucos países. A necessidade ou não de juros tão altos é o alvo de muitas polêmicas, não só no Brasil, mas em vários países que adotam esse tipo de procedimento, conhecido como política de metas.

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Algumas pessoas têm o costume religioso de comer peixe na quarta-feira pós-carnaval. Se os mercados e feiras não estiverem preparados (ou não tiverem como se preparar) para esse aumento na demanda, o que deve acontecer com o preço? Subir.

Alguns não estarão dispostos a pagar e sairão do mercado. Podem resolver consumir ovo, por exemplo, levando a um aumento no preço deste alimento. Em contrapartida, o excesso de carne vermelha no mercado pode levar a uma queda no seu preço.

Chamamos os preços do peixe, dos ovos e da carne vermelha, que variam ao sabor do mercado, de preços livres.

Aqueles que não são determinados por essa dinâmica são chamados de preços administrados. No caso deles, órgãos públicos determinam ou influenciam os preços.

Estão entre os preços administrados o gás encanado, a gasolina, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), as taxas de água e esgoto, as tarifas de telefonia, o pedágio, o transporte público e as taxas de cartório.

Até os jogos em loteria têm preços administrados. O fato de mais ou menos pessoas fazerem suas apostas não deve afetar o valor. Isso porque as variações nos preços são reguladas pelo governo federal.

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O Banco Central resolveu manter os juros básicos brasileiros em 8,75%. Estamos em um momento de bonança da economia brasileira, mas a nossa taxa real é a maior do mundo.

A taxa nominal de juros é paga a quem empresta dinheiro ao governo brasileiro, ou seja, compra títulos públicos. Mas, na realidade, essas pessoas ganham a taxa real, aquela que se obtém depois de descontar a inflação do período.

Os títulos brasileiros são os mais bem remunerados do mundo. Isso seria fácil de explicar se os investidores sofressem alto risco de levar calote do governo e se o Brasil fosse o pior país do mundo para se investir. Aí sim o governo teria que pagar muito para conseguir financiar sua dívida.

Apesar das contradições, os analistas estimam que a taxa mais alta do mundo, que caiu bastante em 2009, vai retomar a trajetória de alta em 2010. Isso porque ela serve de referência para todos os juros do mercado e o governo teme que o estímulo à economia faça acelerar a inflação.

O Banco Central não deixou pistas na nota dessa reunião. Ao contrário do que muitos esperavam, a decisão foi unânime e o Comitê de Política Monetária (Copom), que define a taxa, afirmou ainda não ter definido os próximos passos da política.

Mas é bom refletir se um país como o Brasil precisa mesmo aumentar ainda mais sua taxa de juros e, assim, conter investimentos, empregos e crescimento econômico.

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Vimos que o Banco Central (Bacen) e os bancos comerciais criam meios de pagamento, ou seja, tudo aquilo que você tem em mãos e pode usar imediatamente para pagar uma conta, comprar alguma coisa, pagar por um serviço. Mas o que eles devem fazer para que esse estoque de meios de pagamento aumente ou diminua?

Só são criados meios de pagamento nas operações entre o sistema monetário (aquele que pode criar moeda: Bacen e bancos comerciais) e o não-monetário (como você).

Vamos ver uma situação em que meio de pagamento é criado: um exportador vende calçados e recebe em dólares. Ele vende os dólares para o Banco Central e recebe, em troca, reais. Os reais que estavam em posse do Bacen não eram meios de pagamento e agora são.

Se o Bacen comprar muitos dólares, os meios de pagamento vão crescer muito. Pode haver dinheiro em excesso no mercado, o que significa que, para cada produto, vai haver mais dinheiro em circulação. Isso pode virar preços mais altos e, assim, inflação.

Mas o governo pode fazer, como de fato faz, uma operação contrária para enxugar dinheiro da economia. Ele pode vender títulos públicos. É como se o governo pegasse reais emprestados com a população e pagasse juros por isso. Os reais que estavam em posse do público eram meios de pagamento e agora não são mais. É a operação de esterilização.

Os bancos comerciais também podem alterar o estoque de meios de pagamento. Isso acontece, por exemplo, quando eles passam a oferecer menos crédito, ou seja, emprestar menos. Assim, eles deixam de criar meios de pagamento, o que, com o tempo, pode diminuir os recursos em circulação. Ou podem fazer o contrário: aumentar muito o crédito e assim também causar inflação.

Só para testar se você entendeu, um exemplo do livro Economia Monetária e Financeira: quando o Banco Central empresta dinheiro a um banco comercial, meios de pagamento são criados ou destruídos? Resposta nos comentários!

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Quando se fala em inflação, a primeira causa que vem à cabeça é dinheiro em excesso no mercado. Há outras fontes, entretanto, para o aumento no nível geral de preços.

Jim Stanford faz uma lista das causas possíveis para a inflação no livro Economics for everyone: a short guide to the economics of capitalism (por sinal, muito interessante para entender conceitos básicos).

Segundo Stanford, as causas para inflação são:

  • Excesso de gasto. Ocorre quando consumidores e empresários aumentam gastos rapidamente, provavelmente com base em crédito, sem que haja quantidade suficiente de bens e serviços disponível. Os compradores passam a competir pela oferta, que é escassa.
  • Aumento de salários mais rápido do que da produtividade. Fica mais caro para a empresa produzir cada unidade e, ainda que o aumento seja justo, ela pode querer repassá-lo aos preços para não perder lucro. Isso pode ser mais fácil se não houver concorrentes.
  • Aumento dos lucros. Se a concorrência diminuir na economia, empresas podem aumentar os preços sem perder clientes.
  • Aumento nos preços das matérias-primas, especialmente quando elas são muito usadas como insumos, como é o caso do petróleo. Como as causas, em geral, são mundiais, é muito difícil que um país consiga contornar esse tipo de inflação individualmente.
  • Inércia. Em uma economia já tomada pela inflação ela pode se alimentar. É o que ocorre quando cada um tenta se proteger dela: trabalhadores exigem aumento salarial, empresas tentam garantir o lucro, etc.

Stanford alerta para a necessidade de conhecer cada tipo de inflação. Só assim é possível encontrar a arma certa para combatê-la.

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Metas de inflação

O sistema de metas de inflação completa dez anos em 2009, sob elogios e críticas. É exaltado por muitos por impedir a volta do período de inflação absurda, que obrigava as famílias a encher a dispensa assim que o salário caía na conta. É acusado por outros de ter limitado o crescimento brasileiro.

Como o sistema funciona? Um conselho do Banco Central define uma inflação ideal para o ano. Em 2009, por exemplo, ela é de 4,5%. A referência usada é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), formado com base nos preços dos bens e serviços consumidos por famílias que recebem de um a 40 salários mínimos.

Depois de definir a meta de inflação, o BC começa a persegui-la. Para isso, outro conselho define periodicamente a taxa básica de juros, a Selic. Se o banco avalia que a economia está muito aquecida, com demanda em excesso, o que pode levar à inflação, aumenta a Selic. Pode também mantê-la ou reduzir, caso considere que não há uma pressão de demanda.

É bom lembrar que os juros são o preço do dinheiro. Quanto mais baixos, a tendência é haver mais dinheiro em circulação. Se muita gente quer comprar e os produtores não conseguem aumentar a produção no curto prazo, os preços podem subir. É isso que o BC tenta evitar quando aumenta os juros básicos.

Os juros altos também têm um efeito sobre a taxa de câmbio. Eles atraem investidores internacionais para os títulos públicos do governo brasileiro, que rendem a Selic. Com mais moeda estrangeira no país, o Real valoriza-se. Assim, podemos importar mais. A entrada de importados aumenta a concorrência aos produtos brasileiros, outro reforço para controlar a inflação. 

Fica claro que, quando o Banco Central aumenta os juros, tradicionalmente altos no Brasil, segura a economia. O sistema de metas brasileiro é acusado de fazer o governo se preocupar tanto com a inflação que acaba deixando de lado emprego, produção, investimentos, crescimento.

Agradeço ao economista Ricardo Geoffroy pela sugestão de tema. Dê também uma ideia de assunto

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Fique atento (ou atenta) ao noticiário econômico nesta semana. Até quarta-feira vão ser divulgados importantes indicadores da saúde da economia brasileira. Por meio deles, vai ser possível ter uma ideia de quanto o nosso país foi afetado pela crise econômica internacional. Saiba porque eles são tão importantes:

  • IBGE divulga, nesta terça-feira, o Produto Interno Bruto do primeiro trimestre: a expectativa é que a soma  dos preços de todos os bens finais produzidos na economia caia cerca de 2%. Isso vai significar que a nossa economia encolheu nos três primeiros meses do ano. Os dados também revelam quais os setores foram mais afetados.
  • IBGE divulga, na quarta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de maio. O IPCA mede a variação dos preços para famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos. O INPC mede a inflação para o padrão de consumo de famílias que ganham de 1 a 8 salários mínimos.
  • Também na quarta-feira, o mais esperado: o Comitê de Política Monetária do Banco Central divulga a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa é de redução em um ou meio ponto percentual. O tamanho da redução vai mostrar a disposição do BC em estimular a economia. Veja o artigo da última queda na Selic.

Não deixe de acompanhar e tirar, aqui no blog, as suas dúvidas.

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MerceariaÉ comum, principalmente entre jornalistas, confundir aumento de preços com crescimento da inflação. Sempre que a inflação aumenta, os preços terão subido. O problema é que pode haver aumento de preços sem que a inflação varie, ou até com queda nela. Como assim?

Suponha que você tenha ido hoje ao supermercado e pagado 100 reais por tudo que você vai consumir nos próximos 7 dias. Na próxima semana, você paga, pelos mesmos ítens, 105 reais. A variação nos preços foi de 5%. Na semana seguinte, você faz a mesma compra e o valor é 110 reais e 25 centavos. A variação da segunda para a terceira semana foi, novamente, de 5%.

Inflação é o aumento no nível geral de preços, mas vamos simplificar o conceito para a sua cesta pessoal de consumo. Sendo assim, podemos dizer que os preços subiram 5% da segunda semana para a terceira. É errado dizer, entretanto, que a inflação aumentou. A taxa foi idêntica nas duas semanas: de 5%.

E se os produtos que aumentaram para 105 reais na segunda semana passassem para 107 reais e 10 centavos na terceira? Não há dúvida de que os preços teriam subido, mas e a inflação? Ela terá caído, de 5% na segunda semana para 2% na terceira. Também se pode falar, quando isso acontece, de desaceleração nos preços. Eles continuam aumentando, mas a uma taxa menor.

Vamos usar a repetição de palavras para tornar o conceito mais claro: inflação é aumento no nível geral de preços. Maior inflação é “aumento no aumento” do nível geral de preços.

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Uma leitora do blog perguntou qual a diferença entre juros reais e nominais. O diferencial afeta quem investe ou pega dinheiro emprestado e torna-se mais claro em tempos de inflação alta.

Quando você decide se vai ou não colocar 100 reais na poupança, compara o valor de ter o dinheiro hoje com o de tê-lo amanhã. Suponha que você pudesse comprar hoje, com esse valor, um livro que gostaria muito de ler. Resolve, entretanto, adiar essa compra em prol de um consumo maior no futuro.

Vamos supor uma taxa de juros de 6% ao ano. Quando for retirar esse dinheiro em 2010, você terá 106 reais em mãos. Você ainda tem muita vontade de ler o livro e resolve comprá-lo. Ao chegar à livraria, percebe que ele agora custa 104 reais. Ou seja: você aplicou 100 reais, mas só ganhou, na realidade, 2. Os juros nominais foram de 6%, mas os reais foram de apenas 2%.

Imagine agora que você resolva pegar dinheiro emprestado hoje, a juros de 6% ao ano, para comprar o livro. Daqui a um ano, você terá que pagar 106 reais. Na hipótese de que você pudesse revender o livro sem depreciação do valor, receberia 104 reais. Assim, perderia apenas 2 reais: juros de 2%.

Agora vamos estender para a toda economia: o dinheiro perde poder de compra por causa da inflação. 100 reais hoje não vão valer o mesmo daqui a um ano. Por isso, é tão importante para investidores e para quem pega dinheiro emprestado acompanhar os índices de inflação, que mostram as variações nos preços, e as expectativas para os próximos períodos.

TAXA DE JUROS REAL = TAXA DE JUROS NOMINAL – TAXA DE INFLAÇÃO

Essa foi a dúvida da Renata. Clique aqui e deixe também a sua questão. Você pode acompanhar as atualizações do blog pelo Twitter.

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