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Posts Tagged ‘o que é inflação’

O nível geral de preços subiu 0,75% em janeiro, a maior elevação desde maio do ano passado. É o que revela o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para calcular o índice, o IBGE leva em conta os hábitos de consumo de famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos, em nove regiões metropolitanas brasileiras, além de Goiânia e Brasília.

É preciso considerar todo o destino do dinheiro dessas famílias. Na parte de alimentação, entram no cálculo do IPCA desde produtos básicos, como óleo e arroz, até a cerveja, o típico cafezinho brasileiro e um café da manhã ou lanche fora. Também são considerados os preços de habitação, saúde e manutenção do carro, por exemplo.

Os transportes foram os principais culpados pela variação no índice. As tarifas de ônibus subiram 3,9% em janeiro, puxadas por São Paulo, onde a passagem aumentou de R$2,30 para R$2,70. O preço do álcool também colaborou: subiu 11%.

Bem perto dos transportes foi a contribuição dos alimentos para a inflação. As chuvas prejudicaram as lavouras e a oferta diminuiu. A disputa dos consumidores pela produção que restou levou a preços 1,1% mais altos. As líderes são a cenoura e a batata inglesa, mas as hortaliças também tiveram aumento expressivo. Já o preço do tomate pesou menos no orçamento, caiu 13,7%.

O IPCA é muito importante porque serve de referência para que o governo aumente ou diminua a taxa básica de juros, a Selic. A aceleração dos preços pode ser usada como justificativa para aumentar a taxa e, assim, desaquecer a economia. É claro que esse tipo de política não resolve o problema das chuvas nas lavouras, mas quando o dinheiro fica mais caro, muitas pessoas podem cortar o lanche fora de casa, por exemplo, levando a uma queda no seu preço.

Veja abaixo algumas variações de preços na alimentação e aproveite para avaliar o que vale a pena substituir nas compras mensais:

↑ Cenoura (12,21%)

↑ Batata (10,8%)

↑ Açúcar cristal (10,27%)

↑ Hortaliças (8,44%)

↑ Cerveja em casa (1,05%)

↓ Tomate (13,74%)

↓ Cebola (9,43%)

↓ Ovos (1,62%)

↓ Café da manhã fora (1,61%)

↓ Óleo de soja (1,22%)

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Quando se fala em inflação, a primeira causa que vem à cabeça é dinheiro em excesso no mercado. Há outras fontes, entretanto, para o aumento no nível geral de preços.

Jim Stanford faz uma lista das causas possíveis para a inflação no livro Economics for everyone: a short guide to the economics of capitalism (por sinal, muito interessante para entender conceitos básicos).

Segundo Stanford, as causas para inflação são:

  • Excesso de gasto. Ocorre quando consumidores e empresários aumentam gastos rapidamente, provavelmente com base em crédito, sem que haja quantidade suficiente de bens e serviços disponível. Os compradores passam a competir pela oferta, que é escassa.
  • Aumento de salários mais rápido do que da produtividade. Fica mais caro para a empresa produzir cada unidade e, ainda que o aumento seja justo, ela pode querer repassá-lo aos preços para não perder lucro. Isso pode ser mais fácil se não houver concorrentes.
  • Aumento dos lucros. Se a concorrência diminuir na economia, empresas podem aumentar os preços sem perder clientes.
  • Aumento nos preços das matérias-primas, especialmente quando elas são muito usadas como insumos, como é o caso do petróleo. Como as causas, em geral, são mundiais, é muito difícil que um país consiga contornar esse tipo de inflação individualmente.
  • Inércia. Em uma economia já tomada pela inflação ela pode se alimentar. É o que ocorre quando cada um tenta se proteger dela: trabalhadores exigem aumento salarial, empresas tentam garantir o lucro, etc.

Stanford alerta para a necessidade de conhecer cada tipo de inflação. Só assim é possível encontrar a arma certa para combatê-la.

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MerceariaÉ comum, principalmente entre jornalistas, confundir aumento de preços com crescimento da inflação. Sempre que a inflação aumenta, os preços terão subido. O problema é que pode haver aumento de preços sem que a inflação varie, ou até com queda nela. Como assim?

Suponha que você tenha ido hoje ao supermercado e pagado 100 reais por tudo que você vai consumir nos próximos 7 dias. Na próxima semana, você paga, pelos mesmos ítens, 105 reais. A variação nos preços foi de 5%. Na semana seguinte, você faz a mesma compra e o valor é 110 reais e 25 centavos. A variação da segunda para a terceira semana foi, novamente, de 5%.

Inflação é o aumento no nível geral de preços, mas vamos simplificar o conceito para a sua cesta pessoal de consumo. Sendo assim, podemos dizer que os preços subiram 5% da segunda semana para a terceira. É errado dizer, entretanto, que a inflação aumentou. A taxa foi idêntica nas duas semanas: de 5%.

E se os produtos que aumentaram para 105 reais na segunda semana passassem para 107 reais e 10 centavos na terceira? Não há dúvida de que os preços teriam subido, mas e a inflação? Ela terá caído, de 5% na segunda semana para 2% na terceira. Também se pode falar, quando isso acontece, de desaceleração nos preços. Eles continuam aumentando, mas a uma taxa menor.

Vamos usar a repetição de palavras para tornar o conceito mais claro: inflação é aumento no nível geral de preços. Maior inflação é “aumento no aumento” do nível geral de preços.

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