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Posts Tagged ‘Paul Krugman’

Imagem de Jason Lutes, para artigo no The New York TimesÉ essa a pergunta feita pelo prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, na revista do The New York Times. O pesquisador chama a atenção para como os economistas estavam cegos para a possibilidade real de falhas catastróficas na economia de mercado. Não existia nada nos modelos teóricos de destaque que pudesse sugerir um colapso como o que aconteceu no ano passado.

Segundo Krugman, muitos falavam em uma era de ouro da profissão, em que todos concordavam na capacidade do Banco Central norte-americano de resolver todos os problemas. Robert Lucas chegou a dizer, em 2003, que a questão central de prevenir depressões tinha sido resolvida. Mas a casa caiu.

Krugman questiona: o que aconteceu à profissão do economista? E responde: ela perdeu-se porque economistas, como um grupo, tomaram erradamente a beleza da matemática como verdade. A visão do capitalismo como um sistema perfeito já tinha sido colocada em cheque na Grande Depressão de 29, mas essa memória desbotou, com base em equações fantasiosas.

A fé no sistema de mercado é uma defesa dos economistas chamados neoclássicos. Depois da crise de 29, muitos se apegaram às ideias keynesianas, de que a economia de mercado não poderia funcionar sem um maquinista. Keynes defendia ativa intervenção governamental, principalmente para combater o desemprego.

Mas, nos últimos 50 anos, Krugman identifica uma volta ao neoclássico, com a defesa da intervenção governamental limitada, liderada por Milton Friedman. Os seguidores dele teriam ido mais longe, afirmando que os mercados financeiros garantem que os preços das ações estejam sempre corretos (o que tornaria bolhas impossíveis).

A visão romantizada da economia levou a maioria dos economistas a ignorar que algo poderia dar errado. Eles ficaram cegos, segundo o economista, para as limitações da racionalidade humana, que frequentemente leva a bolhas, para as imperfeições dos mercados e para os perigos criados quando reguladores não acreditam na regulação.

O prêmio Nobel chama de “Grande Moderação” o período de 1985 a 2007, durante o qual a inflação foi contida e as recessões foram relativamente suaves. Uma falsa paz foi estabelecida.

Nos últimos tempos, poucos economistas desafiaram o comportamento racional e apontaram para o histórico de crises financeiras. Mas eles não ganharam destaque. Resultado: uma severa recessão, a pior, por várias medidas, desde a Grande Depressão. A Economia, que deveria oferecer um guia para resolver a questão, encontrou-se em desordem.

E para onde vai a profissão agora? Krugman afirma que os economistas vão ter que aprender a conviver com a confusão. Eles terão que se reconciliar com a visão de uma economia de mercado que tem muitas virtudes, mas que está eivada de falhas e atritos. Os estudos sobre os desvios devem passar da periferia da análise econômica para o centro. Para o autor do artigo, a economia keynesiana continua sendo a melhor estrutura que temos para entender recessões e depressões.

O artigo completo de Paul Krugman, em inglês, merece ser lido. Ele trata de forma didática da evolução do pensamento econômico nos últimos anos e, principalmente, da crise que vive agora. Agradeço ao amigo Ari pela indicação de leitura.

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Ilustração de Jon Berkerly para The Economist

Ilustração de Jon Berkerly para The Economist

A crise internacional colocou em cheque aspectos importantes da teoria econômica. A última The Economist assume que, dentre todas as bolhas, poucas explodiram de forma tão espetacular quanto a reputação da própria economia.

Segundo o artigo, a nova situação contrasta com a de poucos anos atrás, quando a Economia era aclamada como modo de explicar cada vez mais formas do comportamento humano. Os economistas tornaram-se mais confiáveis do que os políticos.

O texto cita Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de 2008, segundo quem a maior parte dos últimos 30 anos de Macroeconomia foi inútil, na melhor das hipóteses, e prejudicial, na pior delas.

Duas áreas de conhecimento são colocadas em questão: a Macroeconomia e a Economia Financeira. Os economistas financeiros formalizavam teorias de eficiência, defendiam que os mercados tratavam de se regular e que as inovações eram sempre benéficas. Os macroeconomistas teriam sido complacentes.

Houve sim advertências, lembra o artigo, e avanços no campo da Economia Comportamental, por exemplo. Esses insights da academia, entretanto, ficavam à margem. Ou seja: havia pouquíssimas vozes gritando para parar.

Agora, defende o texto, é preciso que macroeconomistas entendam as finanças e que os profissionais das finanças pensem sobre o contexto em que os mercados funcionam. É preciso lembrar que economistas são cientistas sociais, tentando entender o mundo real.

O artigo procura preservar um pouco a teoria. Considera que o descrédito não pode ir longe demais e que muito do conhecimento acumulado não tem qualquer ligação com a crise. Termino com um trecho interessante, aqui em tradução livre: “Economia é menos um credo servil do que um prisma através do qual entender o mundo”.

Para ler o artigo, na íntegra, clique aqui.

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