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Posts Tagged ‘PIB’

Quem calcula o crescimento da economia? O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), certo? Também! Uma matéria do Valor Econômico de hoje mostra que várias empresas têm criado indicadores para antecipar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O valor de todos os bens finais produzidos pela economia só é divulgado 70 dias depois do fim de cada trimestre. Como “tempo é dinheiro”, várias instituições trabalham para produzir dados próprios e, assim, descobrir como anda a economia do país.

A matéria, de Sérgio Lamucci, destaca alguns indicadores, como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que considera, entre outros, os dados de produção agrícola e industrial, o consumo de energia elétrica, as vendas no varejo e o volume de importações. Assim, é possível acompanhar a atividade econômica.

O Itaú Unibanco produz o próprio PIB mensal, que considera, por exemplo, produção agrícola e industrial, consumo de energia elétrica e gás, vendas no varejo e emprego no setor de serviços. Quando esses valores sobem, o país deve caminhar para um crescimento da produção total.

Os clientes do Bradesco tomam conhecimento do Índice Bradesco de Atividade Econômica (IBAE). Grande parte dos dados vem de pesquisas com empresas, indústrias e comércio. Também é considerada a concessão de crédito, a produção de automóveis e o consumo de energia.

A matéria apresenta outros indicadores, todos bons guias para quem quer saber como anda a atividade econômica e não pode esperar pelo PIB do IBGE.

Agradeço ao Fred pela sugestão de tema. Clique aqui e deixe também a sua.

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Parece contraditório, mas é possível: o valor das exportações de um país pode ser maior que seu Produto Interno Produto (PIB), a soma de todos os bens finais produzidos pela economia.

Imagine um país que importe um metal no valor de 1 bilhão de reais. Com trabalho e máquinas próprias produz peças que passam a custar 1,2 bilhão de reais. Por fim, o país exporta parte dessas peças, pelo valor de 1 bilhão, e o restante fica no país.

No cálculo do PIB, somamos a demanda interna e as exportações e tiramos as importações. Como exportações e importações anulam-se, resta a demanda interna, correspondente às peças que ficam no país, no valor de 200 milhões de reais.

Uma forma mais fácil de calcular o PIB neste caso é pelo valor agregado. Pode-se definir o PIB como a soma dos valores adicionados em uma economia. Para a nossa história, os trabalhadores e máquinas brasileiras agregaram apenas os 200 milhões de reais.

Conclusão: temos aqui uma economia que exporta 1 bilhão de reais, cinco vezes o que produz: 200 milhões de reais. O valor 5 é chamado de coeficiente de exportação.

O exemplo, de Olivier Blanchard no livro Macroeconomia, não é fictício. Segundo o autor, “esse, na verdade, é o caso de diversos países pequenos, onde a maior parte da atividade econômica é organizada em torno de um porto e atividades de importação e exportação” (p. 354).

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Imagem postada no blog 100% DesignEm dezembro o mundo se encontra em Copenhague, na Dinamarca, para estabelecer compromissos a respeito das mudanças climáticas. É difícil, entretanto, ter avanços na proteção ao meio ambiente enquanto os países forem avaliados a partir do seu Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, a soma dos preços de tudo que se produz em um país.

Recentemente tratamos aqui do trabalho do prêmio Nobel Joseph Stiglitz, juntamente com Sen e Fitousse. Eles defendem o uso de indicadores mais relevantes do progresso social, a partir do seguinte lema: What we measure affects what we do. Se os governos têm como referência a medida do PIB, vão trabalhar para fazê-lo crescer, custe o que custar.

A naturalidade da supremacia do PIB ficou clara em comentário de Carlos Alberto Sardenberg à Rádio CBN ontem. Ele argumentava que era preciso ter cuidado com regras muito rígidas sobre a produção industrial para evitar a emissão de poluentes. Isso porque, segundo ele, haveria pelo menos no início queda na produção e, assim, no emprego.

Aí está a soberania do PIB travando o progresso social. Se a medida sugerida por Stiglitz fosse usada, a proteção ao meio ambiente valorizaria relativamente os países que tivessem esse cuidado. E esse não seria um erro, já que essa é uma demonstração de que o crescimento de hoje é sustentável.

Além disso, a proteção ao meio ambiente não deve ser associada com redução de crescimento e empregos. Quando recebem um limite de emissão de poluentes, as empresas podem até reduzir a produção inicialmente, mas certamente vão investir em inovações para conseguir contornar essas restrições. Essas pesquisas podem levar até a um aumento na produtividade.

Será que a possibilidade de queda imediata na produção não é um custo temporário válido a se pagar pelo crescimento sustentável? E que tal buscar soluções para evitar essa queda inicial no emprego em vez de colocar entraves às iniciativas de proteção ao meio ambiente?

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O Banco Central deu um sinal nesta quarta-feira de que quer estimular a economia: baixou a taxa básica de juros em um ponto percentual. Isso significa que o dinheiro deve ficar mais barato. Pela primeira vez na história, a taxa brasileira tem só um dígito: ficou em 9,25%.

Os juros, conhecidos como Selic, são a taxa paga pelo governo para quem empresta dinheiro a ele, ou seja, compra títulos públicos. São também um referencial para toda a economia. É um sinal para empresários de que o dinheiro deve ficar mais acessível, tanto para eles, para que invistam, quanto para seus consumidores. Uma sinalização importante, especialmente em tempos de crise.

A redução nos juros era esperada. Dados do IBGE, divulgados na terça-feira, mostraram que o país entrou em recessão: a produção encolheu por dois trimestres seguidos.

O que não era consenso era o tamanho da redução. Muitos esperavam queda menor, de 0,75 ponto percentual. Mas o BC já avisou, por uma nota, que “qualquer flexibilização monetária adicional deverá ser implementada de maneira mais parcimoniosa”.

Qual o medo do Banco Central? Estimular a economia em excesso, sobrar dinheiro no mercado e isso virar inflação.

A redução na taxa pode ser comemorada pelos exportadores. A taxa básica alta atrai investidores de outros países, que aplicam o dinheiro nos confiáveis títulos públicos brasileiros e ganham muito com isso. A redução dos juros torna nossos títulos um pouco menos atraentes. Assim, devem entrar menos dólares no mercado, o que significa menos valorização da nossa moeda (Veja como câmbio afeta exportações).

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central é em 21 e 22 de julho. A meta para os juros é divulgada sempre no segundo dia do encontro.

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Fique atento (ou atenta) ao noticiário econômico nesta semana. Até quarta-feira vão ser divulgados importantes indicadores da saúde da economia brasileira. Por meio deles, vai ser possível ter uma ideia de quanto o nosso país foi afetado pela crise econômica internacional. Saiba porque eles são tão importantes:

  • IBGE divulga, nesta terça-feira, o Produto Interno Bruto do primeiro trimestre: a expectativa é que a soma  dos preços de todos os bens finais produzidos na economia caia cerca de 2%. Isso vai significar que a nossa economia encolheu nos três primeiros meses do ano. Os dados também revelam quais os setores foram mais afetados.
  • IBGE divulga, na quarta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de maio. O IPCA mede a variação dos preços para famílias que ganham de 1 a 40 salários mínimos. O INPC mede a inflação para o padrão de consumo de famílias que ganham de 1 a 8 salários mínimos.
  • Também na quarta-feira, o mais esperado: o Comitê de Política Monetária do Banco Central divulga a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa é de redução em um ou meio ponto percentual. O tamanho da redução vai mostrar a disposição do BC em estimular a economia. Veja o artigo da última queda na Selic.

Não deixe de acompanhar e tirar, aqui no blog, as suas dúvidas.

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