Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘real valorizado’

Em entrevista ao Valor Econômico de hoje, o economista Delfim Netto afirmou que o Real valorizado está destruindo nossas cadeias produtivas: “Isso está destruindo o que tínhamos de mais precioso, que era uma indústria extremamente sofisticada e diversificada”.

Como o Real valorizado pode prejudicar as nossas indústrias? Com a moeda forte, as moedas estrangeiras ficam mais baratas para os brasileiros. Assim, podemos importar mais.

Muitos produtos estrangeiros que entram baratos no mercado são concorrentes dos fabricados no Brasil. As empresas podem ficar prejudicadas, demitir empregados e até falir.

Quando as importações superam as exportações, fala-se que o país tem déficit em conta corrente. Para Delfim, esse fato não assusta. Segundo ele, essa situação não vai impedir o país de crescer 7% ao ano nos próximos 5 anos.

E, depois desse período, Delfim acredita que a venda de petróleo da camada pré-sal vai fazer as exportações subirem, resolvendo o déficit. O problema maior, para o economista, são as indústrias que morrerão pelo caminho.

Outra declaração enfática de Delfim foi sobre a moeda chinesa, o yuan, ventilada por alguns como possível substituta do dólar no cenário internacional. Para ele, “só um país descerebrado pode pensar que o yuan vai ser uma moeda internacional. Moeda é confiança. Quem confia no partido comunista chinês? Nem os comunistas confiam”.

Anúncios

Read Full Post »

Os mercados brasileiros estão perdendo contato com a realidade e é preciso tomar cuidado com o excesso de euforia. Esse foi o alerta do prêmio Nobel de Economia Paul Krugman, em palestra nesta quarta-feira em São Paulo. Ele disse inclusive que pensa em retirar o dinheiro de seus investimentos em ativos brasileiros.

Krugman confirma que a economia brasileira se saiu bem na crise, por causa de inflação controlada, bancos relativamente saudáveis, pouca dependência de exportações e pequena dívida de curto prazo em dólar. As políticas, que permitiram manter dinheiro em circulação, também foram consideradas positivas. Ressalva, entretanto, que isso não quer dizer que o Brasil vá se tornar uma superpotência no ano que vem.

O problema é que, segundo o economista, o mercado parece se comportar como se isso fosse ocorrer. Ele vê risco principalmente na valorização da moeda brasileira. Ela se justifica pela atração de investidores, que entram no país com muitos dólares. Assim, o dólar fica barato para os brasileiros. Mas quando comparado a outras moedas, segundo Krugman, o Real parece excessivamente valorizado.

Krugman fez referência a crises em países que passaram um período como “queridinhos” dos investidores, como a do México, em 1994, e da Argentina, de 2001. O risco é que os investidores mudem de ideia de repente, trocando o destino. O Brasil pode ficar no prejuízo, por exemplo, se outro país passar a ser o preferido.

Para evitar que se chegue a esse ponto Krugman propôs controles de capitais e taxas (esse é o caso da medida do IOF, já explicada aqui). Esse tipo de medida dificulta ou torna menos lucrativo esse tipo de investimento estrangeiro.

Presenciamos uma “história feliz”, de acordo com o Nobel, mas precisamos ter cuidado para não formar uma bolha brasileira (o termo é usado quando preços, incluindo o câmbio e ações, afastam-se da economia real, mais ligada à produção).

Read Full Post »

Há menos de uma semana, um tio me perguntou o que explicava a recente valorização do real. Vieram à minha mente vários artigos e matérias lidos recentemente que explicam a oscilação com dados, tabelas e gráficos completamente diferentes.

O artigo do economista Delfim Netto no Valor Econômico de hoje acalmou minha confusão mental. Uma frase genial resume tudo: “Existem três causas que levam à loucura: o amor, a ambição e o estudo das taxas de câmbio”.

Segundo o professor, as análises só conseguem explicar um curto período de observação. Logo em seguida, as oscilações contrariam os modelos.

O economista afirma que a melhor explicação para a valorização do real no momento é a liberdade do movimento de capitais. Ou seja, o dólar entra no país atraído principalmente pela expectativa de rendimento muito superior à do mercado internacional. Mas esse é apenas um dos fatores.     

Delfim Netto critica analistas e autoridades que usam “clara demonstração de saber e arrogância” quando são questionados sobre as flutuações do câmbio. Muitos apelam para o que chamam de fundamentos, uma palavrinha usada com frequência por economistas que não querem explicar algo.

Portanto, quando você ouvir um economista dizer que os fundamentos explicam algo, não deixe de perguntar: que fundamentos?

Read Full Post »