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Posts Tagged ‘taxa Selic’

Banco Central, o emprestador de última instânciaAtualmente, pouquíssimas pessoas mantêm muito dinheiro no bolso. Elas têm contas correntes em que fazem depósitos. Quando precisam de dinheiro, fazem saques ou recorrem a um empréstimo.

E como ficam os bancos? É claro que eles não mantêm o dinheiro que você deposita guardado, mas fazem empréstimos com ele. Se você e muitos outros resolverem sacar recursos de seu banco hoje, ele pode fechar o dia no negativo.

É por isso que os bancos também têm seu banco, o Banco Central, onde cada um mantém uma conta de reservas. Como você, eles depositam os excessos em dia de saldo positivo e pegam dinheiro emprestado quando ele é negativo.

Por meio do chamado mercado interbancário, os bancos emprestam dinheiro uns aos outros. Obviamente, eles cobram e pagam juros por isso.

Pode ocorrer, entretanto, que grande quantidade de bancos tenha saldo negativo no mesmo dia. Os saques podem ocorrer simplesmente porque é fim de ano e começo das férias ou pelo medo causado por uma crise internacional, por exemplo.

Com a demanda excessiva por recursos, os juros do mercado entre bancos poderiam subir demais. Ao pagarem mais por recursos, os bancos também cobrariam mais por eles. Os juros altos chegariam ao seu bolso. Para evitar essas oscilações, o Banco Central pode entrar com uma oferta extra de reservas.

A atuação do Banco Central, ofertando mais ou menos recursos, vai permitir que a taxa cobrada no interbancário suba mais ou menos, ou até caia. À média das taxas das operações de um dia é dado o nome de taxa Selic, da qual você já deve ter ouvido falar.

Os juros que você paga, quando o dinheiro chega às suas mãos, são muito afetados por toda essa dinâmica. O Bacen pode manejar esse tipo de política de forma a controlar a disponibilidade de dinheiro na economia. Ele faz isso por meio de metas para a Selic, política monetária sobre a qual sempre falamos por aqui.

Uma excelente fonte para compreender essa dinâmica é o livro Economia Monetária e Financeira, de Fernando Cardim de Carvalho e outros autores.

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O Banco Central resolveu manter os juros básicos brasileiros em 8,75%. Estamos em um momento de bonança da economia brasileira, mas a nossa taxa real é a maior do mundo.

A taxa nominal de juros é paga a quem empresta dinheiro ao governo brasileiro, ou seja, compra títulos públicos. Mas, na realidade, essas pessoas ganham a taxa real, aquela que se obtém depois de descontar a inflação do período.

Os títulos brasileiros são os mais bem remunerados do mundo. Isso seria fácil de explicar se os investidores sofressem alto risco de levar calote do governo e se o Brasil fosse o pior país do mundo para se investir. Aí sim o governo teria que pagar muito para conseguir financiar sua dívida.

Apesar das contradições, os analistas estimam que a taxa mais alta do mundo, que caiu bastante em 2009, vai retomar a trajetória de alta em 2010. Isso porque ela serve de referência para todos os juros do mercado e o governo teme que o estímulo à economia faça acelerar a inflação.

O Banco Central não deixou pistas na nota dessa reunião. Ao contrário do que muitos esperavam, a decisão foi unânime e o Comitê de Política Monetária (Copom), que define a taxa, afirmou ainda não ter definido os próximos passos da política.

Mas é bom refletir se um país como o Brasil precisa mesmo aumentar ainda mais sua taxa de juros e, assim, conter investimentos, empregos e crescimento econômico.

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